Tendências em Avaliação no Investimento Social Privado para 2017

O Investimento Social Privado (ISP) vem percebendo, cada vez mais nos últimos anos, que a avaliação é fundamental para fortalecer as ações do campo, seja para verificar o impacto das iniciativas ou para trazer subsídios para realinhamentos e aprimoramento das práticas desenvolvidas.

A última edição do Censo GIFE, inclusive, mostrou o avanço desta postura: somente 1% dos associados respondentes não faz avaliação para nenhum de seus programas. Sobre os objetivos das ações de avaliação e monitoramento, nos aspectos relacionados a processos de aprendizagem e tomada de decisão, o Censo observou que grande parte dos respondentes (83%) realiza avaliação e monitoramento sempre com o intuito de revisar ou aprimorar o projeto ou programa, mas também de aprender e decidir sobre aspectos de implementação e execução (75%) e sobre a manutenção ou revisão das estratégias da organização (73%).

Para o GIFE – que escolheu esse tema como uma das suas agendas estratégicas – usar formas equilibradas e adequadas de avaliação é uma forma efetiva e consistente de aprendizado para melhorar a governança e a transparência das organizações e promover de fato processos de desenvolvimento social.

Mas como avançar mais nesta prática, que demanda investimento e aporte de recursos, frente a um cenário atual no país de retração e cortes? Quais são ainda os aspectos poucos explorados pelos investidores sociais e que podem apontar caminhos interessantes para o campo?

Para trazer algumas respostas a estes questionamentos a respeito da agenda de avaliação em 2017, o redeGIFE lança o terceiro texto da série especial sobre as tendências do ISP. A reportagem contou com o apoio de Rogério Silva, sócio e diretor de pesquisa da consultoria Move – avaliação e estratégia. Confira:

Ferramenta estratégica para aprimorar processos

Diante de um cenário no país em que se estabelece um movimento de redução de investimentos em todas as áreas para 2017, há um debate que vem à tona para as organizações: como fazer melhor ou fazer mais ou continuar fazendo bem, mesmo tendo menos dinheiro à disposição. Assim, escolhas e definições estratégicas precisarão ser feitas.

E, para isso, a avaliação desponta como uma ferramenta importante a ser utilizada. Ou seja, os gestores podem se valer da avaliação para aprender com os resultados obtidos e, a partir daí, tomar decisões que melhorem os processos e tornem os investimentos mais inteligentes: investir em outras questões-chave; mudar o foco de ação; readequar estratégias antigas e fazer novas iniciativas com o mesmo recurso anterior etc.

Transparência para iniciativas de interesse público

A necessidade crescente no país de aprimoramento das relações público-privadas tem pressionado e exigido das organizações a revisão de seus processos, a fim de garantir mais transparência nos acordos e ações de interesse público. Neste sentido, a agenda de avaliação se torna fundamental, tendo em vista a sua capacidade de mostrar resultados e evidências das iniciativas desenvolvidas. Por meio da avaliação é possível as instituições desenvolverem uma gestão mais ativa na sua capacidade de transmitir aos diferentes stakeholders – mantenedores, conselheiros, beneficiários etc – tudo o que está sendo realizado e, de fato, alcançado.

Ao mesmo tempo, é essencial ter uma atenção na forma como as informações e dados levantados pelas avaliações serão comunicadas aos diversos públicos. As avaliações precisam ser, cada vez mais, inteligíveis, atrativas e de fácil compreensão às pessoas, permitindo que os conhecimentos gerados cheguem a um número maior de stakeholders. Para isso, será necessário investir em produtos de comunicação criativos e ousados, como infográficos, vídeos, sites etc.

Novas tecnologias para qualificar métodos

A inserção de novas tecnologias digitais nos processos de monitoramento e avaliação têm se apresentado como fator interessante para a agenda da avaliação. Isso porque os aplicativos e plataformas online podem diminuir custos na coleta de dados – algo que, inevitavelmente, impacta no orçamento das avaliações -, assim como ajudar a avaliação a ganhar escala e agilidade, além de proporcionar um diálogo mais próximo com diferente stakeholders.

Investir em avaliações internas

O primeiro relatório produzido pelo GIFE e lançado em janeiro sobre os Indicadores GIFE de Governança apontou que algumas práticas desta agenda ainda não fazem parte do dia-a-dia das organizações, como, por exemplo, a avaliação de conselheiros (apenas 16% avaliam seus conselhos), e mais de 50% das organizações não fazem avaliações periódicas de suas próprias equipes. São aspectos a serem olhados com atenção pelos investidores e necessários de serem revistos, tendo em vista a relevância destas instâncias para garantir a qualidade e a continuidade das iniciativas.

Outro ponto a ser também fomentado nas organizações é ampliar a capacidade avaliativa interna, a fim de desenvolver um pensamento crítico dentro da organização, não restringindo os processos avaliativos apenas para consultores externos. Isso irá permitir que todos possam, continuamente, olhar o que está sendo realizado, organizar dados, refletir, colocar em cheque as escolhas que são feitas e tomar decisões mais ágeis e inteligentes.

Espaço para ampliar diferentes vozes sobre um tema

O setor vem reconhecendo, gradativamente, nos processos avaliativos, a oportunidade para identificar diferentes vozes e olhares sobre um mesmo tema, possibilitando assim aprimorar suas iniciativas, usar melhor os recursos e, com isso garantir mais resultados e ações sustentáveis. Por isso, se faz necessário ampliar a construção de avaliações que possam trazer estas diversas leituras – mantenedor, beneficiário, conselheiro etc. – e produzam informação relevante para os diversos atores. A partir disso, diferenças, dúvidas e expectativas poderão ser ajustadas e alinhadas, evitando conflitos ou paralisia nas ações.

Além disso, é preciso atenção para que a demanda crescente por resultados não impeça essa leitura mais plural e que todos possam pensar de fato em qual resultado se quer atingir num ambiente democrático e dialógico, que supere as polaridades e permita maior interlocução.

Outros materiais

Confira outros materiais elaborados pelo GIFE que discutem o tema da avaliação no ISP

Tendências ISP 2017

  • Alinhamento entre investimento social e políticas públicas (aqui)
  • Alinhamento entre investimento social e o negócio (aqui)
FacebookTwitterLinkedInGoogle+