Estudo aponta tendências para a sociedade nos próximos 15 anos

Quais são as perspectivas para a sociedade nos próximos 15 anos? É possível identificar oportunidades e também desafios previstos e realizar um plano aproveitando essas situações colocadas hoje para projetar novas ações para o futuro?

Foram questionamentos como estes que nortearam a elaboração do Estudo de “Tendências e Visões +15″, realizado pela Fundação Telefônica Vivo, que mapeia iniciativas atuais e futuras para a construção de cenários que podem vir a acontecer no Brasil e no mundo. O material foi apresentado durante evento, em São Paulo, no dia 18 de agosto, promovido em parceria com o GIFE, e reuniu diversos investidores sociais para debater o tema.

Gabriella Bighetti, presidente da Fundação Telefônica Vivo, destacou que o estudo é uma fonte rica de inovação, pois traz insumos e provocações que podem ajudar as instituições nos seus planejamentos estratégicos, a fim de que olhem para suas práticas e repensem suas iniciativas a longo prazo. “O material ajudou a Fundação Telefônica Vivo a revisitar suas iniciativas e criar um plano de ação para inovar, principalmente, em sintonia com as tendências do mundo em que vivemos”, comentou.

Um exemplo disso é que, a partir da análise de um cenário, foi possível perceber a importância de se trabalhar o tema da Cidadania nos meios digitais. Sendo assim, a Fundação decidiu incorporar no seu Programa de Voluntariado um game que permite aos seus colaboradores voluntários trabalhar com o tema de uma forma mais divertida e lúdica criando missões como, por exemplo, realizar uma doação viacrowdfunding.

Luis Guggenberger, gerente de Inovação Social da Fundação Telefônica Vivo, explicou que a iniciativa faz parte do esforço da organização em criar exercícios de visões de longo prazo, que pudessem instigar e orientar ações de curto prazo da instituição e da empresa. A primeira versão do material foi promovido em 2014 (clique aqui para ver) e foram identificadas 180 iniciativas inovadoras, em âmbito mundial, a partir de sete temas.

Em 2015, foram identificados 15 temas/tendências: Autoformação e novas formas de aprendizagem; Ativismo e representação social; Novas fronteiras legais; Life Tracking; Pluralidade e Diversidade; Novas formas de trabalho e carreira; Consciência e Bem estar; Hiperconexão; Reconfiguração das cidades; Inteligência Artificial; Convergência Tecnológica; Produção descentralizada; Economia de recursos; Consumo compartilhado; e Novos Modelos de Investimento Social.

O estudo contempla ainda 60 sub-temas, assim como seis cenários possíveis de investimento, com 290 iniciativas inovadoras mapeadas, além das controvérsias das tendências, ou seja, questões que podem ser riscos, mas também apontam caminhos para oportunidades de atuação.

A tendência Life Tracking, por exemplo, engloba o estilo de vida saudável e induzido por novos medicamentos e tecnologias que permitem aumentar significativamente o tempo de vida. Fazem parte ainda plataformas inteligentes que permitem monitoramento (preventivo) e contínuo da saúde, autodiagnóstico/exames com indicação de tratamentos e mudanças e comportamento. Assim, dentro do sub-tema “medicina digital”, é possível identificar uma iniciativa do laboratório farmacêutico Novartis em parceria com o Google para a utilização da lente de contato inteligente a fim de monitorar o diabetes. Uma vez colocado no olho, o dispositivo usa as lágrimas do usuário para monitorar a glicoseno sangue.

“Entre as controvérsias neste campo que devem nos atentar está a questão da sustentabilidade da previdência, a  fronteira ética e a perda do toque humano na medicina”, lembrou Luis.

Já na tendência “Consciência e Bem estar”, é possível perceber maior conscientização da população com mudanças de hábitos e atitudes cotidianas de autoindulgência. Há ainda alterações nos padrões de consumo e busca por mais informação do impacto da compra. Nesta área, há iniciativas inovadoras como o PERES, um aparelho eletrônico, ainda em fase de desenvolvimento, que permite aos usuários determinar a qualidade de carne bovina, suína, aves e peixes.

Outro exemplo de tendência é o “Novo modelo de investimento social”, no qual foi apontada uma revisão do ‘locus’ do investimento, com olhar na governança, cultura de doação e investimento social familiar na perspectiva do impacto positivo. Percebe-se a busca pelo crescimento de negócios sociais e por modelos de gestão e financiamento para o terceiro setor. No entanto, há controvérsias no sentido de falta de métricas e indicadores de desempenho e um ambiente regulatório.

Como iniciativas neste campo, foi identificada a campanha da Domino’s, que ofereceu gift cards como recompensa para os clientes que apoiaram projetos de startups e 30 startups em todos os EUA também receberam um vale de 500 dólares. Há também a experiência da Samsung, em que caminhões da empresa movidos a energia solar levam essa tecnologia nos locais em que fazem entregas de produto.

Segundo Luis Guggenberger, algumas tendências chamaram atenção no estudo, como a questão da produção descentralizada e a economia de recursos, visto o “caos do consumo e da produção observada na sociedade atual”. Em sua opinião, o tema de Big Data (termo popular usado para descrever o crescimento, a disponibilidade e o uso exponencial de informações estruturadas e não estruturadas), é uma oportunidade muito interessante, pois traz a inteligência para qualificar o investimento.

A partir de uma análise das tendências, a presidente da Fundação Telefônica Vivo destaca que é possível perceber uma sociedade mais preocupada com os recursos naturais, com o consumo, assim como apresenta caminhos para uma nova economia e outras formas de se organizar politicamente.

“O material aponta tendências que vão além do campo do investimento social privado e que irão impactar a nossa vida e nosso trabalho. Acredito que, ao olharmos para o conjunto destas tendências, é preciso discutir sobre o sentido político que vamos dar para essas tecnologias. Isso porque, ao mesmo tempo que elas vão se concretizar num espaço curto de tempo, temos ainda situações de séculos passados, como a exclusão e a pobreza da população. Muitas das tendências trazem oportunidades de inclusão, mas outras não se realizam nessa direção, indo num sentido contrário, de acesso privilegiado”, apontou Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE.

Na opinião do gerente da Fundação Telefônica Vivo, o estudo traz oportunidades para as fundações e institutos pensarem mais na inovação, desde o modelo de investimento quanto nas iniciativas que irão promover no futuro.

O site com as  informações atualizadas do estudo de 2015 estará  no ar em breve. Os interessados em conhecer mais a iniciativa, podem acessar uma apresentação a respeito no site da Fundação.

Outras iniciativas

 

“Novas formas de trabalho e carreira”

·         Carteiro Amigo – Empreendores criaram uma agência de correio comunitária para entrega de correspondências dentro das ruas “não mapeadas” de comunidades do Rio de Janeiro.

·         GOMA – Associação composta por 80 empreendedores e 27 empresas que se uniram para fomentar economia colaborativa, inovação social e design sustentável na zona portuária do Rio de Janeiro.

 

Ativismo e Representação social

·         EuVoto.org – ferramenta que permite aos paulistanos opinarem sobre projetos de lei em tramitação na Câmara Municipal. O software utilizado pela plataforma é o DemocraciaOS, um programa livre criado na Argentina e já presente em cidades da Argentina, do México, da Ucrânia, da Finlândia, da Espanha e dos Estados Unidos.

·         Nossopinheiros.com – Plataforma colaborativa para mobilização de pessoas e iniciativas em prol do bairro de Pinheiros, em São Paulo.

 

Produção descentralizada

·         LipLAB – Batons customizados e produzidos em menos de 10 minutos.

·         Impressão 3D  – para produzir o próprio alimento.

 

Economia de recursos

·         Jovem holandês cria raia-robô para limpar lixo plástico dos oceanos.

·         Em Amsterdã, três garrafas PET devolvidas para a máquina valem o equivalente a R$ 3.

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Consumo compartilhado

·         JustPark – os cadastrados no aplicativo podem estacionar o carro em garagens de pessoas físicas, pagando teoricamente menos do que em estacionamentos convencionais. O site cobra uma taxa de 20% sobre o valor pago pelo dono do carro.

·         Site Bliive.com – criado por uma brasileira de 24 anos, o site estimula que as pessoas usem suas experiências e seu tempo livre para ensinar e aprender. Em um ano, a plataforma reuniu 60 mil usuários em 100 países.

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