Força Tarefa de Finanças Sociais lança publicação sobre os avanços e desafios para financiar soluções inovadoras para problemas sociais

A Força Tarefa de Finanças Sociais (FTFS) – grupo que reúne representantes de diversos setores com o intuito de buscar soluções sistêmicas para atrair mais capital para financiar inovações que aliem impacto social e sustentabilidade financeira – acaba de lançar uma publicação sobre os primeiros resultados a respeito dos avanços dessa agenda no Brasil, após um ano da divulgação das 15 Recomendações para a expansão e fortalecimento do campo das Finanças Sociais no país.

O relatório é resultado também de uma consulta aberta em plataforma online que envolveu mais de 200 especialistas, investidores e empreendedores, promovida em 2016. A proposta da consulta foi mapear resultados e conquistas, para além das conexões da FTFS, que apoiam o avanço das recomendações, além de refletir sobre desafios e legislações que apoiam o desenvolvimento de temas estratégicos e validar com atores do ecossistema informações para a construção desse relatório.

Ao todo foram mapeadas mais de 45 iniciativas em todo o país que respondem diretamente às recomendações e aos principais desafios do setor, como a ampliação da oferta de capital; o aumento do número de negócios de impacto qualificados e com alto potencial de crescimento; o fortalecimento das organizações intermediárias; e a promoção de um macroambiente favorável para as Finanças Sociais.

Segundo Leonardo Letelier, fundador da SITAWI Finanças do Bem, que compõe a Diretoria Executiva da Força Tarefa, o relatório consolida os resultados alcançados e traz reflexões de especialistas sobre os caminhos a serem trilhados para que esses investimentos gerem melhoria na qualidade de vida das pessoas.

“Queremos mostrar que a efetividade da implementação das recomendações depende do engajamento de diversos atores e projetos complementares. Já há diversos marcos a serem celebrados e disseminados”, ressalta Célia Cruz, diretora executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), que também compõe a Diretoria Executiva da Força Tarefa.

Para a FTFS, é possível perceber que os investimentos em negócios de impacto social ou ambiental com retorno financeiro já são realidade no Brasil e no mundo e que vários novos atores passaram a fazer parte deste ecossistema. Segundo estudo da ANDE (Aspen Network of Development Entrepreneurs), o setor vem se consolidando no país, sendo que, hoje, há 29 investidores de impacto ativos no Brasil que movimentam um capital de USS 186 milhões.

Ao longo de 2016, inclusive, a Força Tarefa conduziu um Laboratório de Inovação em Finanças Sociais, que permitiu o surgimento e o fortalecimento de parcerias e ações concretas para o campo. Foram realizadas integrações a ecossistemas de grande sinergia à agenda de Finanças Sociais, como o de investidores anjos, institutos e fundações empresariais e o da gestão municipal. A iniciativa, inclusive, vem sendo citada como case de sucesso global pelo Presencing Institute, especialmente pelos significativos resultados em termos de ativação do ecossistema por meio do fortalecimento das conexões e sinergias entre os participantes, bem como pelos protótipos resultantes.

 

Resultados

O relatório traz os avanços e desafios em cada uma das 15 recomendações. Em relação à recomendação para que Fundações e Institutos direcionem, até 2020, 5% de seus investimentos e doações ao desenvolvimento do campo das Finanças Sociais e Negócios de Impacto, destacam-se várias ações realizadas. Entre elas está o lançamento da Rede Temática de Negócios de Impacto GIFE, coordenada pelo ICE e pelo Instituto Sabin, e a constituição de um grupo de 21 Institutos e Fundações para aprender sobre mecanismos financeiros por meio da alocação de R$700 mil para investimentos em negócios de impacto,  estudos para implementação de dois contratos de impacto social e a estruturação de novos mecanismos de investimento: equity crowdfunding e securitização.

Entre os desafios desta frente está a necessidade de acelerar o entendimento do Ministério Público e dos Conselhos de Administração de Institutos e Fundações, levando à regularização do investimento direto de Institutos e Fundações em Negócios de Impacto – potencialmente por meio da organização de seminários nacionais com diferentes representantes do Ministério Público.

Já na recomendação para que empresários, executivos e membros dos Conselhos de Administração assimilem e adotem o conceito e a visão de negócios de impacto como parte da estratégia de suas empresas, o relatório aponta avanços como o investimento feito pelo Instituto Intercement no Projeto Vivenda. O Instituto foi a primeira grande organização a investir em um negócio de impacto por meio de plataforma de equity crowdfunding, gerando um ciclo de aprendizagem para futuros investimentos.

Outra ação foi a estruturação do projeto Empactico, um dos protótipos criados a partir do Lab de Finanças Sociais. Envolve o Sistema B e organizações parceiras na adaptação da ferramenta “B Impact Assessment” para identificar empresas com produtos e serviços para a base da pirâmide, gerando uma certificação “B BOP” (base of pyramid). O objetivo é apoiar empresas e governos no fortalecimento de suas estratégias de estímulo a compras de produtos e serviços para populações de menor renda.

Entre os desafios desta área, aparecem questões como a necessidade de distinguir e privilegiar fornecedores que sejam negócio de impacto de outros fornecedores sem comprometimento com o impacto social que promovem e ampliar a percepção de impacto para além da geração de empregos e renda.

A FTFS tem destacado também a importância do fortalecimento de organizações intermediárias para alavancar este campo no país. Nesse sentido, a publicação destaca a ampliação do número de aceleradoras e incubadoras engajadas e formadas para selecionar e apoiar negócios de impacto, que já chega a 20 incubadoras de base tecnológica, em quatro regiões do Brasil. O ICE, por exemplo, optou por estruturar um programa focado em professores e pesquisadores de Instituições de Ensino Superior (IES), com o objetivo de conectá-los com o ecossistema e estimular a produção de pesquisas e cases de empreendedorismo de impacto. Atualmente a rede de professores do Programa Academia ICE conta com 50 docentes de 28 IES, em 10 Estados brasileiros.

“É essencial ampliar o diálogo entre a academia e o ecossistema de Finanças Sociais e Negócios de Impacto (principalmente empreendedores e investidores), para dar visibilidade a temas que deveriam ser pesquisados e competências que deveriam ser desenvolvidas. Destaque para IES que contam com incubadoras vinculadas à sua estrutura. É preciso espraiar o empreendedorismo de impacto para além das escolas de negócios, trazendo áreas técnicas específicas (como engenharias, saúde, direitos humanos etc), além de áreas de gestão (marketing, finanças, operações, logística, gestão de tecnologia etc) para o debate”, aponta Adriana Mariano, do ICE.

Outro aspecto fundamental também apontado pela FTFS para fortalecer o setor é a constituição de um macro ambiente favorável às Finanças Sociais por meio de legislações e da atuação do governo. Nesse sentido, a aprovação da legislação de proteção aos investidores anjos (Lei Complementar 125/15) pode ser celebrada como uma conquista na busca de regulamentações que favoreçam o campo. Além disso, destaca-se a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços para a promoção das Finanças Sociais no Brasil e a criação de um grupo de trabalho de Finanças Sociais envolvendo diversos membros do governo federal.

 

Publicação

Clique aqui para acessar o material completo. Além disso, é possível obter informações detalhadas sobre os cases mapeados na consulta aberta no site: avancos.forcatarefafinancassociais.org.br. A plataforma continuará em funcionamento ao longo de 2017, e a FTFS manterá os esforços de mapear e registrar ações e conquistas que apoiam o avanço das Finanças Sociais e dos Negócios de Impacto.

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