GIFE completa 20 anos em 2015 e convida sua rede para celebrar as conquistas do setor

Completar um, cinco ou dez anos de uma instituição é motivo de festa e orgulho. E completar então 20 anos? A previsão é de muita celebração. E se essa instituição reunisse outras 129 organizações que, juntas, buscam promover uma transformação social no Brasil há duas décadas? Com certeza os motivos para a comemoração seriam ainda mais relevantes.

E é assim que o GIFE pretende viver 2015: comemorando a sua história que é, na verdade, a história de 129 institutos, fundações e empresas que formam a Rede GIFE. O convite é que cada um destes atores se sinta parte fundamental da consolidação desta instituição, que só existe porque todos apostam no valor essencial da sociedade civil organizada na busca pelo desenvolvimento do país.

Ao longo do ano, várias ações estão programadas para serem realizadas e seus associados têm um papel essencial nessa comemoração (veja ao longo da matéria).

 

Marcos do campo

Como não poderia deixar de ser, os 20 anos do GIFE foram marcados por muitas conquistas e desafios. No entanto, mais do que apenas a celebração de uma organização, estamos falando da estruturação de um campo – o do investimento social privado – e de que forma ele foi se desenvolvendo ao longo de duas décadas.

O GIFE foi constituído na década de 90, num momento no qual a sociedade civil passa a ter um papel mais relevante, principalmente com a Constituição de 1988, que fortalece e cria todo um arcabouço referencial para a sua organização. O GIFE, assim como outras organizações, se forma para dar o suporte a essa sociedade civil, que cresceu imensamente entre a década de 90 e 2000.

É interessante observar também que o desenvolvimento do investimento social privado vem junto com o movimento da responsabilidade social e isso ajuda a identificar o GIFE. Ele nasce, assim, como um produto desta reflexão, ou seja, as organizações privadas passam a pensar na sua contribuição pública”, comenta Andre Degenszajn, Secretário-Geral do GIFE.

Outro aspecto importante da década de 90 foi a criação de marcos regulatórios, traçando os contornos do setor no Brasil. Já na década seguinte, o avanço do setor se deu pela profissionalização, ou seja, o rompimento da lógica voluntarista das organizações e a incorporação das práticas de gestão do setor empresarial.

Nos anos 2000, houve todo um esforço de sedimentação e de trazer qualidade às intervenções. Assim, tira-se um pouco o foco de construção do setor e as atenções passam para o crescimento, consolidação e profissionalização das intervenções”, destaca o Secretário-Geral do GIFE.

E a década atual, de 2010-2020? Talvez seja cedo ainda para fazer análise histórica, tendo em vista que estamos no meio do processo, mas já é possível apontar algumas tendências deste novo momento.

Segundo Andre, o primeiro aspecto seria a redefinição das relações entre os institutos e as respectivas empresas, ou seja, como se dá essa aproximação do investimento social privado com o negócio. Outro ponto de destaque desta década é a intensificação das parcerias e das estratégias de articulação entre as fundações e institutos para a realização de ações conjuntas.

E, por fim, a articulação do investimento social com as políticas públicas. “Esse aspecto ganhou agora mais maturidade e corpo, muito impulsionado pela escala. Os investidores sabem que não se pode mais ficar no piloto, na atuação local, mas que devem pensar como atores nacionais, que têm que ter uma contribuição mais significativa. E assim, nesta busca por escala e pela mensuração de impacto e resultados, amplia-se a relação com as políticas públicas”, comenta o Secretário-Geral do GIFE.

 

Resultados alcançados

Nessas duas décadas, o GIFE buscou atingir alguns objetivos e, acredita, a partir de avaliações realizadas, que contribuições significativas foram feitas para o setor.

Andre aponta que, nesses anos, foi possível dar mais densidade ao trabalho do conjunto de associados, ampliando a relevância pública das organizações privadas para a sociedade. “Saímos do paradigma do assistencialismo, da responsabilidade social esvaziada, com ações pontuais, para um setor que pensa estrategicamente qual é a sua contribuição para o país”, destaca o Secretário-Geral.

Nesse contexto, o GIFE teve uma função fundamental de organizar um pensamento coletivo sobre o papel das organizações privadas no desenvolvimento socioambiental do Brasil, que é possível de ser observado a partir da qualificação das iniciativas realizadas na ponta.

Outro papel relevante da instituição foi no apoio às questões regulatórias, colaborando na construção de um ambiente mais favorável para a sociedade civil, assim como a criação de um espaço privilegiado de reflexão e troca entre os investidores sociais que puderam, a partir disso, estabelecer relações e fortalecer sua atuação.

Por fim, sabemos que, ao criar uma organização, se estimula um campo. E foi isso o que aconteceu aqui. Hoje, o investimento social brasileiro tem sido reconhecido no mundo e o GIFE teve um papel importante”, comenta Andre.

 

Comemoração em rede

Para comemorar os 20 anos do GIFE, será lançada em maio uma campanha, tendo como mote “JuntosSomosGIFE”. A proposta, destaca Mariana Moraes, coordenadora de Comunicação do GIFE, é ampliar os pontos de contato da organização junto aos seus associados, indo além dos interlocutores diretos. Com isso, a Rede GIFE irá se expandir e poderá disseminar seus conhecimentos e práticas sobre investimento social privado para mais profissionais que atuam no setor.

Os associados serão convidados a enviar um vídeo (que pode ser feito pelo celular), de até 30 segundos, dizendo quem é, o que se orgulha da sua organização e o que admira de outro associado da rede. A proposta é que todo o material esteja disponível no Youtube e no novo site do GIFE que será lançado esse ano, e as pessoas possam se conhecer mais e, assim, identificar quem são aqueles que, de fato, promovem o investimento social no país. “Vamos montar como se fosse um mapa do setor a partir das pessoas. A ideia é despertar o sentimento de pertencimento a uma rede e ver quem são esse atores”, comenta Mariana.

Todos poderão ainda acompanhar os momentos marcantes da história do GIFE por meio de infográficos especiais sobre o tema que estarão disponíveis na página do Facebook e do Issu, ou das informações que circularão via Twitter. A proposta será aumentar cada vez mais a presença do GIFE no ambiente virtual.

Como parte da celebração do aniversário, está previsto também um evento de presidentes e executivos, que deve ser realizado em agosto.

 

Ações em 2015

Com duas décadas de história e muitos aprendizados, o GIFE traçou novos rumos para sua atuação e, a partir das novas tendências do setor, construiu o seu planejamento estratégico para ser aplicado até 2020.

A proposta será ampliar a diversidade, a legitimidade e o impacto de investidores sociais por meio de um conjunto de oito agendas estratégicas. Destas, cinco envolvem temáticas importantes para o investimento social por significarem alternativas promotoras de uma visão sistêmica e integrada para a atuação dos associados. São elas: (i) alinhamento do investimento social às políticas públicas; (ii) fortalecimento das organizações da sociedade civil; (iii) fomento à cultura de doação; (iv) negócios de impacto social e (v) alinhamento entre investimento social e o negócio. Já três delas são consideradas estruturantes por oferecerem bases sólidas para o desenvolvimento do investimento social como um todo: (vi) governança e transparência, (vii) avaliação e (viii) comunicação.

A partir destas agendas, várias ações estão previstas para o ano de 2015, como a criação de um portal sobre transparência, o lançamento de uma publicação sobre alinhamento entre investimento social e negócio da série Grandcrafts, a realização de um novo Censo GIFE, assim como cursos, encontros de redes temáticas, além de fomento a espaços de diálogo e debate (veja mais detalhes aqui).

O Secretário-Geral do GIFE aponta como um dos destaques de 2015 as ações de advocacy, visando fortalecer a agenda regulatória. Entre as pautas prioritárias estão: a simplificação do processo de doações em relação ao imposto estadual ITCMD (Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doações); a criação de incentivo fiscal para pessoas físicas; e a criação do Simples Social, que impacta principalmente nas pequenas orgnanizações. #JuntosSomosGIFE

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