GIFE e associados lançam nova Rede Temática de Cultura

Com a proposta de promover um espaço de diálogo sobre a atuação do investimento social privado (ISP) no campo cultural, assim como fortalecer a articulação dos institutos e fundações neste setor, o GIFE acaba de criar a nova Rede Temática de Cultura. O primeiro encontro do grupo reuniu cerca de 20 associados. Ele foi promovido no dia 3 de agosto, no Itaú Cultural, em São Paulo.

Maria Alice Setubal, presidente do Conselho do GIFE, destacou a importância do novo espaço, tanto por fomentar o tema da cultura, que está entre as três áreas de maior atuação dos associados do GIFE, quanto pela necessidade do ISP olhar com ainda mais atenção ao setor que, diante da crise política e econômica, foi atingido de forma ainda mais contundente. “Além disso, neste momento histórico de termos uma sociedade civil cada vez mais atuante e plural, a cultura tem importância fundamental. Ela traz a possibilidade de nos reconhecermos, de ver que sociedade somos, buscando novos caminhos, trilhando uma nova agenda”, comentou.

Para Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural e um dos coordenadores da RT, a sociedade civil precisa, mais do que nunca, se mobilizar e se organizar para contribuir na construção de políticas públicas, sendo fundamental este movimento no campo da cultura, que é um setor ainda frágil na elaboração de parâmetros e consolidação de políticas.

“Diferente do que ocorre em outras áreas, como educação e saúde, por exemplo, em que há uma agenda comum de atuação, na cultura essa agenda é difusa e pouco percebida pelo conjunto de atores que nela atuam. Não há um campo de entendimento. E essa fragilidade se expressa, por exemplo, no Ministério da Cultura que, em 32 anos, já teve a passagem de 21 ministros. Não há uma política que resista a tantas mudanças”, ressaltou, lembrando que a área tem orçamentos cada vez menores.

“Essa ausência de políticas públicas no setor exige de nós, investidores sociais, uma compreensão do nosso papel e, portanto, da necessidade de desenhar uma agenda estratégica. Sendo assim, a criação dessa rede temática ganha ainda mais relevância na medida em que podemos construir um encaminhamento comum”, provocou Saron.

O primeiro encontro da Rede Temática foi um momento para que todos os interessados no tema pudessem se conhecer, colocar suas expectativas e motivações em se engajar no novo grupo, além de apresentar sugestões de temas para a construção da agenda da rede (veja abaixo a lista das organizações que marcaram presença).

“A cultura precisa atuar de fato em rede. Ela fica mais forte quando encontra as convergências e passa a agir a partir de denominadores comuns. Estou muito animada para contribuir”, comentou Anna Paula Montini, gerente jurídica do Itaú Cultural.

 

Relevância

Os participantes destacaram que há muitas discussões urgentes e relevantes a serem trazidas para esse novo espaço, como as legislações atuais, formação de público, cultura na periferia, impactos da era digital, mensuração de resultados, entre outros. Porém, algo fundamental a ser debatido é a necessidade de se atuar na valorização da cultura.

“Infelizmente a cultura não tem o reconhecimento social. Ela é vista como algo sem relevância. Atuar nesta linha poderia ajudar a resolver um conjunto grande de problemas do setor”, ressaltou Mário Mazzilli, diretor do Instituto CPFL, lembrando que esse cenário traz à tona outra discussão fundamental, a relacionada aos direitos culturais.

Segundo Saron, há um novo paradigma em discussão que é o da democracia cultural, que vai além da democracia de acesso. “Há um novo paradigma colocado. As pessoas não querem ter apenas acesso à cultura, mas elas querem ser sujeitos do fazer cultural. E isso muda a formação cultural, exige mais repertório. Se a gente não avançar sobre essa discussão, vamos estar sempre a reboque, ou seja, a cultura para melhorar a qualidade de ensino, para inclusão social, para tirar as crianças da rua etc. Claro que tudo isso é fundamental e vai ocorrer, mas não pode ser o ponto de partida. A cultura por si só é transformadora. Somos parte desse sistema de transformação da sociedade. Precisamos requalificar o debate para conseguirmos avançar”, ressaltou o diretor do Itaú Cultural.

 

Atuação

Sinergia, conhecimento e trocas de experiências. Estas também foram três palavras que pulsaram nas falas dos diversos participantes da Rede Temática sobre as motivações e desejos em participar do novo espaço de diálogo do GIFE. “Tenho certeza que muitas organizações trabalham com o mesmo foco que nós e seria ótimo conhecê-las”, destacou Fernando Stickel, diretor executivo da Fundação Stickel.

Eduardo Saron destacou que a troca de experiências entre os participantes será um bom ponto de partida para futuras parcerias, convergindo energias para as atividades, o que pode gerar ganho de eficiência, efetividade, etc. “Nós que estamos localizados no interior e temos uma atuação bem local, é fundamental conhecer esse universo mais amplo. Ter uma atuação conjunta, encontrar novos parceiros, é algo que poderia nos unir”, completou Vainer Penatti, superintendente da Fundação Romi.

O grupo pretende também se debruçar sobre os dados do próximo Censo GIFE, a ser lançado em breve, a fim de analisar com mais profundidade de que forma os associados têm atuado neste campo, o que pode ajudar a direcionar os próximos passos da rede.

“Este é um campo difícil de mensurar e, ter esse recorte de dados para a cultura, pode ajudar os institutos e fundações de forma institucional. Acreditamos que este universo representa algo significativo para a cultura, seja de impacto gerado, montante investido, atuação geográfica etc.”, ressaltou Marina Mattaraia de Carvalho e Freitas, gestora do Instituto CCR e também uma das coordenadoras da RT.

Além de uma forte disposição para compartilhar suas práticas, ficou evidente no grupo o desejo de que a Rede Temática possa também contribuir com a sociedade. Tanto é que o próximo encontro terá como tema central a Instrução Normativa da Lei Rouanet 2017. A proposta será convidar José Paulo Soares Martins, secretário da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, para debater sobre o documento.

 

Participantes

Confira os membros da Rede Temática: Fundação CSN, Fundação Iochpe, Fundação Romi, Fundação Stickel, Fundação Tide Setubal, Fundação Vale, Instituto Alana, Instituto Ayrton Senna, Instituto BM&Fbovespa, Instituto CCR, Instituto CPFL, Instituto EDP, Instituto Grupo Boticário, Instituto Itaú Cultural e Instituto Votorantim.

Os interessados em mais sobre a iniciativa podem entrar em contato com o GIFE pelo e-mail: relacionamento@gife.org.br.

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