GIFE elege novo Conselho de Governança em sua Assembleia Geral de 2017

No dia 31 de maio, o GIFE reuniu seus associados em mais uma Assembleia Geral anual, a fim de compartilhar as ações promovidas desde o último encontro, em junho de 2016, realizar a prestação de contas do ano e debater os planos futuros. Também foi eleito seu novo Conselho de Governança.

Beatriz Johannpeter, até então presidente do Conselho de Governança, apresentou um balanço dos últimos quatro anos em que esteve à frente do Conselho, destacando as principais ações do GIFE em seus objetivos centrais de ação estabelecidos para o período.

Em relação à proposta de “desenvolver instrumentos e sistematizar práticas de aplicação do conhecimento”, foram lançadas iniciativas como o Painel GIFE de Transparência e os Indicadores GIFE de Governança, que já têm trazido retornos positivos junto aos associados.

O processo de preparação para entrar no Painel – cuja adesão é voluntária –, por exemplo, e disponibilizar as informações relevantes sobre sua prática, trouxe um impacto direto na transparência das organizações. Foi observado um crescimento médio de 16.25 pontos percentuais no total dos indicadores de transparência em relação ao marco zero. Já os Indicadores de Governança contaram com 75 respondentes até o momento e mais de 2800 acessos.

Nesta frente está ainda o lançamento da série de publicações com temas do ISP, sendo a primeira delas sobre alinhamento ao negócio,  seguida de uma pesquisa sobre o mesmo tema realizada em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.

Beatriz lembrou ainda os esforços do GIFE no sentido de “promover e fortalecer ambientes de interação entre atores do Investimento Social Privado”. Nesta frente, foram realizadas iniciativas focadas em fortalecer e expandir o investimento social familiar, como a mesa de debate no Congresso GIFE, elaboração de produtos para disseminar os resultados da pesquisa Retratos do Investimento Social Familiar e workshop de cocriação para a construção do Encontro GIFE de Investimento Social Familiar – promovido em maio deste ano (veja matéria completa).

Fizeram parte ainda desta frente outras iniciativas, como a realização do Ciclo de Encontros de Avaliação, em parceria com o Fundação Itaú Social e a Fundação Roberto Marinho, o fortalecimento e consolidação das redes temáticas, sendo cinco hoje em atuação, e a estruturação de redes de investidores sociais regionais, como as do Distrito FederalCuritiba e Porto Alegre.

Já com o objetivo de “contribuir para um ambiente político-institucional favorável ao ISP”, o GIFE se dedicou a institucionalizar a área de advocacy, contribuindo com debates e iniciativas relevantes no campo, como o MROSC (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil), o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), incentivos fiscais para doação de pessoa física e fundos patrimoniais.

Em função destes esforços, inclusive, o GIFE começa a implementar um novo projeto em 2017 em parceria com o Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada (CPJA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com apoio financeiro conquistado junto à União Europeia (clique aqui e leia matéria completa sobre o projeto). 

“Diante de todas as ações realizadas, é possível percebermos o quanto o GIFE avançou e se fortaleceu nos últimos anos. Não é simples o momento atual do país, mas estamos preparados para assumir esse papel diante dos desafios que o Brasil precisa enfrentar”, ressaltou Beatriz Azeredo, diretora de Responsabilidade Social da Globo e membro do Conselho de Governança do GIFE.

Hoje o grupo conta com 131 associados, sendo que seis novos ingressaram em 2017:  Fundação Espaço Eco, Instituto CPFL, Instituto JCPM, Instituto Serrapilheira, Instituto Cooperforte e Fundação Alphaville. Entre as instituições associadas, 52% são empresariais, 18% familiares, 13% independentes, 15% empresas, 1% comunitária e 1% parceiro-academia.

Plano de ação

Durante a Assembleia, José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, resgatou os principais pontos do plano de ação de 2017, compartilhado com os associados em encontro promovido no mês de fevereiro (saiba mais).

Entre as novidades para os próximos meses estão a primeira reunião do conselho do Fundo BIS, o lançamento da Pesquisa de Remuneração Total e o projeto GIFE Memória. Até o fim do ano, serão apresentados também os resultados de mais uma edição do Censo GIFE, principal pesquisa sobre investimento social privado no Brasil, e será promovido o IV Encontro de presidentes e CEOs.

Na frente de geração de conhecimento, o GIFE irá se dedicar também à realização da pesquisa “ISP 100%”, que pretende levantar dados e informações sobre o Investimento Social Privado no país, a fim de ampliar o conhecimento sobre o campo e mapear outras iniciativas e atores que ainda não são conhecidos pela rede GIFE. “Precisamos ampliar a percepção de quem são estes atores para que possamos desenhar melhores estratégias para influenciá-lo e trazê-los também para mais perto de nós”, comentou Iara Rolnik, gerente de Conhecimento do GIFE.

José Marcelo enfatizou também que o fomento ao fortalecimento e à sustentabilidade econômica das organizações da sociedade civil, principalmente com o projeto em parceria com a União Europeia, será importante para enraizar práticas de governança e transparência, a fim de trazer ainda mais legitimidade para o campo.

Segundo o secretário-geral do GIFE, a organização continua investindo fortemente em ações de articulação e engajamento, sendo essa uma das iniciativas mais valorizadas pelos associados. Na pesquisa de satisfação realizada neste ano, a criação e o fortalecimento de conexões entre atores do campo foi um dos destaques na forma de atuação do GIFE, assim como a identificação de agendas estratégicas, produção e disseminação do conhecimento.

Fabio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, um dos coordenadores da Rede Temática de Negócios de Impacto Social e da Rede de Investidores Sociais do Distrito Federal, ressaltou a importância deste espaço de diálogo e troca de experiências fomentado pelo GIFE, e o quanto outros atores para além dos associados têm se envolvido nas discussões. “Isso é muito interessante porque cria uma ponte”.

José Marcelo ressaltou ainda que o GIFE é uma rede e, portanto, é diversa, plural e, por essa característica, se torna um ambiente rico, no qual todas as ideias, visões e participações dos associados são valiosas, a fim de promover de fato uma construção conjunta.

Novo Conselho do GIFE

Durante a Assembleia, foi realizada ainda a eleição do novo Conselho de Governança, que irá atuar entre junho de 2017 a junho de 2019, com renovação de um terço dos conselheiros. O Conselho passa a ter a seguinte configuração: Ana Helena de Moraes Vicintin (Instituto Votorantim), Atila Roque (Fundação Ford Brasil), Beatriz Azeredo (TV Globo), Fabio Deboni (Instituto Sabin), Marcos Nisti (Alana), Maria Alice Setúbal (Fundação Tide Setúbal), Malu Nunes (Fundação O Grupo Boticário), Mônica Pinto (Fundação Roberto Marinho), Pedro Massa (Instituto Coca Cola), Ricardo Henriques (Instituto Unibanco), Leonardo Gloor (Fundação AcelorMittal) e Virgílio Viana (Fundação Amazonas Sustentável).

A presidência ficará a cargo de Maria Alice Setúbal, que enfatizou a importância desse grupo para continuar ampliando e fortalecendo as ações que já vêm sendo realizadas com grandes avanços pelo GIFE ao longo dos seus 20 anos.

Ela enfatizou três pontos que, em sua percepção, são fundamentais para o ISP. O primeiro deles é o sentido público do investimento social privado, que foi tema do Congresso GIFE de 2016 e, que deve ser fortalecido cada vez mais com práticas de transparência e governança, a fim de que os investidores sociais possam demonstrar sua capacidade de gestão, eficácia e inovação, construindo mais legitimidade e confiança junto à sociedade.

O segundo aspecto é a importância de se criar um espaço de diálogo, tanto no campo da sociedade civil como com os governos. “Para isso é fundamental a escuta e trazer para o debate os diferentes pontos de vista. E o GIFE é um espaço desse diálogo. Diante da complexidade dos temas e dos problemas com o quais nos deparamos na nossa atuação, precisamos de uma ação conjunta. E essa diversidade da rede GIFE é muito rica. Inclusive, precisamos trazer para esse diálogo as OSC de base, aquelas que estão no território”, ressaltou.

O terceiro ponto é o alinhamento da atuação dos institutos e fundações com novos atores que estão se inserindo no campo – como os negócios de impacto e as startups – assim como a ressignificação das temáticas de ação, pensando em questões contemporâneas e direitos fundamentais, sempre articuladas com as políticas públicas, para o fim das desigualdades sociais.

“Diante do contexto econômico e social do país, no momento em que os investimentos diminuem, é fundamental o compromisso dos investidores sociais na manutenção dos investimentos a longo prazo. Neste momento de tantas desesperanças, podemos contribuir com as nossas experiências”, ressaltou.

Diretrizes para a atuação

Para fechar o encontro, José Marcelo ressaltou alguns pontos estratégicos da atuação do GIFE nos últimos anos e que são a base para os próximos passos, como a ampliação e conexão do ISP com o cenário mais amplo da democracia, refletindo de fato sobre a responsabilidade pública e o compromisso do investimento social privado, e o que isso traz de desafios de transparência, eficácia e governança, assim como a relação do GIFE com associados, com a preocupação de estabelecer dinâmicas ricas no dia a dia, garantindo o sentido de rede como aspecto central.

Segundo o secretário, o direcionamento é focar em três eixos. O primeiro deles é ser uma plataforma de fomento de expansão e qualificação do ISP, englobando ações em torno de temas como cultura de doação, fortalecimento do ISFAM, alinhamento ao negócio, negócios de impacto, entre outros. O segundo eixo é a produção de conhecimento, com a criação de parâmetros, produção de dados e referências e, o terceiro, de que forma o GIFE ajuda a estreitar a interface do fortalecimento de sociedade civil e políticas públicas.

“Precisamos discutir como contribuir cada vez mais para termos uma sociedade civil vibrante, inovadora, autônoma e sustentável, que seja capaz de chamar para si a responsabilidade da criação de um novo horizonte para o país. E, por fim, ajudarmos a construir uma agenda pública revigorada e qualificada. É uma demanda mais atual como nunca”, pontuou.

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