GRI lança novo modelo de suplemento setorial para ONGs

A Global Reporting Initiative (GRI) – organização que desenvolveu o guia para relatórios de sustentabilidade mais utilizado no mundo – acaba de disponibilizar um novo suplemento em português direcionado para as organizações não-governamentais. Os conteúdos abrangem os principais aspectos do desempenho em sustentabilidade – com uma série de indicadores econômicos, ambientais e sociais – e relevantes ao terceiro setor.

A proposta é que as ONGs possam medir e publicar o seu desempenho sustentável compatível com outros setores. A primeira versão foi lançada em 2010 e, agora, o  documento “Conteúdos Setoriais de ONGs”, foi remodelado para estar alinhado às Diretrizes G4, último módelo do relatório.

Glaucia Terreo, diretora do GRI no Brasil, destaca que o documento foi uma solicitação das próprias organizações, que levantaram a importância de se ter indicadores no documento em acordo com a realidade do setor. Além disso, segundo Glaucia, há uma crescente expectativa em relação à transparência e prestação de contas por parte das organizações não governamentais e organizações de sociedade civil, o que mostra a importância do relatório.

Esse suplemento é uma opção de metodologia para relato das ONGs, que aborda questões específicas delas tais como: público beneficiado, eficácia dos programas, gênero e diversidade, conscientização pública, advocacy, uso e alocação de recursos, captação de recursos com ética e coerência, relações trabalhistas, combate à corrupção etc. O relatório vem então facilitar não apenas o processo de prestação de contas, mas, principalmente, ajudar na gestão das organizações da sociedade civil neste momento em que a economia está tão retraída”, comenta a diretora do GRI.

A publicação enfatiza que o processo de relato proporciona às organizações oportunidades para a avaliação das políticas e programas, bem como de sua eficácia, além dos impactos econômicos, sociais e ambientais de suas atividades: “Uma estrutura de relato comum permite que informações, que de outra forma seriam frequentemente inacessíveis, sejam coletadas em uma base ampla e comparativa, ajudando a gerar transparência e uma dinâmica autorregulatória positiva. Acima de tudo, ao longo do processo de relato, uma ONG pode examinar de forma crítica suas próprias atividades, comparar-se com outras organizações, aprender com a experiência e implantar melhorias ao longo do tempo para melhor servir às causas que almeja”, destaca o documento.

Transparência em debate

O novo documento foi apresentado ao público num evento realizado no dia 16 de junho, em São Paulo, com o apoio do GIFE, a fim de se discutir a importância da transparência para o setor. Na ocasião, Andre Degenzajn, secretário-geral do GIFE, destacou a necessidade de tratar a transparência como um valor importante e não como uma exigência.

Já Gustavo Pimentel, diretor da SITAWI – Finanças do Bem, afirmou que as ONGs têm o costume de relatar suas ações e prestar contas para os seus financiadores sobre determinados projetos aos quais estes estão ligados, mas falta o relato sobre a organização como um todo. Isso porque não existem recursos financeiros disponíveis para a realização de iniciativas de gestão como essa e, as ONGs acabam por centralizando todas as forças aos seus projetos.

Durante o debate, Aline Souza, do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada, lembrou ainda que a nova lei do Marco Civil Regulatório coloca alguns mecanimos de transparência nas relações da sociedade civil com o Estado por meio de acompanhamento online, reconhecendo a importância dos investimentos em gestão, entre outras questões.

Bruno Brandão, da Transparência Internacional, apresentou ainda a experiência da própria entidade na publicação de um relatório de gestão, que apresentou não apenas os aspectos positivos das iniciativas, mas também trouxe a oportunidade para discutir sobre os próprios erros e a como lidar com as consequências disso.

Sobre essa questão, os participantes enfatizaram a importância dos relatórios das ONGs apontarem também as fragilidades, indicando qual foi o posicionameno para resolvê-las, tomando o cuidado de não divulgar um excesso de dados, pois isso pode ocultar informações relevantes.

Posicionamento GIFE

Iara Rolnik, gerente de Conhecimento do GIFE, destaca a importância da criação de mecanismos – como o relatório – que ajudem as organizações a serem cada vez mais transparentes. Para o GIFE, esse é um tema de destaque e está presente nas agendas estratégicas devido a sua importância para a área de investimento social privado.

No GIFE, este tema tem estado sempre presente. Em 2010, quando construiu a sua visão de dez anos, foram identificados três aspectos essenciais do investimento social privado: relevância, diversidade e abrangência. E a transparência foi considerada um dos pilares da relevância. Isso porque práticas transparentes estão intrinsecamente ligadas à relação com a sociedade, a visibilidade, para a apresentação dos resultados, bem como o diálogo sobre questões relevantes. Trata-se de garantir a legitimidade do campo, dentro das organizações e na sociedade como um todo”, destaca Iara.

Entre as iniciativas do GIFE nesta área está a construção de indicadores para fundações e institutos, assim como o lançamento previsto para esse ano do “Painel de Transparência”. Trata-se de uma iniciativa inédita no país, que defende a transparência entre os investidores sociais brasileiros e estabelece, ao mesmo tempo, um referencial conceitual e práticas concretas de transparência das organizações privadas com fins públicos.

Como participar

Glaucia Terreo destaca que o suplemento criado pelo GRI pode ser utilizado por ONGs de qualquer porte, tendo em vista que a metodologia é flexível e vai exigir aquilo que é possível de cada uma de acordo com as atividades realizadas e o seu porte.

As organizações interessadas em participar podem acessar o SINAPSE do GIFE e baixar o documento. De acordo com a diretora do GRI no Brasil, são realizados também workshops gratuitos para qualquer organização interessada – basta entrar em contato com a GRI – ou entrar no grupo da GRI Brasil noLinkedIn para ter acesso a informações a respeito de eventos, discussões etc. Outras dúvidas podem ser esclarecidas diretamente pelo telefone: (11) 5012-2051.

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