Indicadores de governança: entenda por que sua organização não pode ficar fora dessa

Indicadores de governança

 

A palavra governança faz parte do vocabulário das organizações da sociedade civil. Mas, será que ela está presente só no discurso ou já foi incorporada nas práticas diárias das instituições?  Afinal, do que se trata a governança? Qual a sua importância? Como saber se minha organização tem uma boa governança?

Responder a essas perguntas parece ser ponto crucial para que a governança ganhe a relevância que merece não só no debate no campo social, mas também em ações concretas. O GIFE tem realizado diversos esforços para trazer o tema para a prática a fim de fomentar a legitimidade dos investidores sociais e das organizações da sociedade civil como um todo.

A mais recente iniciativa são os Indicadores GIFE de Governança – uma ferramenta de autoavaliação online e gratuita que pode ser acessada por qualquer associação ou fundação interessada em conhecer mais a respeito e também aprimorar suas ações de governança.

Para tornar esse assunto mais claro e simples para o campo, o redeGIFE realizou um bate-bola sobre o assunto com Iara Rolnik, gerente de conhecimento do GIFE, e Graziela Santiago, coordenadora na área. Elas já dão a dica logo no começo da conversa: “A governança é essencial para que a organização cumpra o seu objetivo e finalidade pública. É um eixo fundamental e que está articulado a tudo o que a organização faz e pode fazer. As práticas de governança dizem muito a respeito da capacidade que uma organização tem de atuar naquilo que se propõe”, ressaltam.

Confira a conversa e, em seguida, para aprofundar mais o tema e responder ao questionário de autoavaliação, acesse a plataforma dos indicadores:

1. O que se entende por governança?

Governança é o sistema pelo qual as organizações são administradas e controladas. Ele envolve, assim, o modo como a organização estrutura seus processos, regulamentos, tomada de decisões, representatividade, estratégias, relacionamento etc. Quando falamos sobre governança, é dado um peso muito grande, principalmente, nos processos de decisão e deliberação e, portanto, no conselho deliberativo, que é o principal órgão do que se entende como sistema de governança. Mas a governança abarca também outras instâncias, como o conselho fiscal, comitês e auditorias, processos internos e de gestão, como, por exemplo, políticas de conflito de interesses, transparência de processos e informações, dentre outros.

2. Qual a importância da governança para as organizações?

A governança é essencial para que as organizações cumpram sua missão, sua finalidade pública e, portanto, boas práticas nesse campo podem fortalecer a legitimidade das organizações.  Isso por conta do impacto que essas práticas têm em alguns aspectos como profissionalização e eficiência, perenidade e sustentabilidade financeira e relações mais transparentes e abertas com partes interessadas.

3. E ela já foi incorporada nas organizações?

Os procedimentos e mecanismos de governança em geral ainda não estão bastante no centro das atenções das organizações da sociedade civil. O foco dessas instituições está muito mais nas atividades que realizam e muito pouco em olhar, pensar e organizar seus processos de decisão, execução e planejamento.

Porém, esses processos têm um impacto enorme na sua capacidade de atuar. Imagina uma associação que trabalha com juventude negra, mas não tem nenhum negro no seu conselho? E uma fundação que preza a responsabilidade social, mas não é transparente nem mesmo em relação a seus funcionários? Não faz sentido.

Muitas vezes as organizações negligenciam esses mecanismos porque não têm estrutura ou conhecimento de como fortalecê-los. E nós, do GIFE, acreditamos muito na importância do fortalecimento institucional e a governança tem um papel muito importante nesse conjunto.

4. E o que são os Indicadores GIFE de Governança?

Os Indicadores GIFE de Governança são um conjunto de parâmetros que as organizações podem utilizar para analisar o seu nível de governança. Trata-se de uma ferramenta online que permite a associações e fundações fazer uma autoavaliação, tendo como referência indicadores construídos com base no Guia das melhores práticas de governança para institutos e fundações empresariais – elaborado pelo GIFE e o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) – além de diversas outras experiências nacionais e internacionais do campo.

O mais interessante é que os indicadores consideram as especificidades de todo o setor. É, portanto, um instrumento único.

5. A quem se aplicam os indicadores?

Os indicadores destinam-se a qualquer associação sem fins lucrativos ou fundação privada que desenvolva projetos voltados ao interesse público. Assim, os indicadores não se restringem ao universo de associados do GIFE, aos institutos e fundações empresariais ou ao setor do investimento social.

Os indicadores só não são recomendados às empresas, dado que essas possuem exigências e práticas de governança distintas das organizações da sociedade civil e instrumentos já consolidados de avaliação de suas práticas nessa área.

6. E se minha organização quiser participar. O que temos de fazer?

Para participar, basta que a organização acesse o site (clique aqui) e preencha o questionário online. Ao final do preenchimento na ferramenta, o participante obterá sua pontuação em relação ao seu status de governança, de forma automática, e também receberá as respostas e pontuação por e-mail.

É possível, ainda, conhecer previamente todos os indicadores, que estão agrupados em componentes que, por sua vez, estão estruturados em 5 eixos que correspondem a dimensões essenciais da governança.

7. E, na prática, para que servem estes indicadores no dia-a-dia da minha organização?

Para as organizações que estão sendo criadas agora, é um instrumento essencial para que se constituam já a partir de parâmetros mínimos de uma boa governança.

Já para as organizações constituídas, trata-se de um instrumento que ajuda no aprimoramento dos processos de governança. Isso porque o momento de preenchimento do formulário permite uma reflexão interna essencial sobre o tema e, a partir das questões identificadas, a organização tem a possibilidade de pensar em novos rumos para a sua governança.

8. E o que o GIFE fará com os resultados dos indicadores?

Antes de mais nada, é importante ressaltar que todos os dados são tratados de forma confidencial e não serão divulgados individualmente.

A proposta é termos um cenário sobre o status da governança nas organizações utilizando as informações obtidas a partir dos indicadores e de outras pesquisas, tais como o Censo GIFE. Com esses dados desenvolveremos relatórios e estudos a respeito do tema no setor. Trata-se, portanto, de uma base de informação muito importante, inclusive, para aprimorarmos cada vez mais os indicadores.

9. E minha organização poderá ter acesso a outros dados sobre o tema da governança?

Claro! As organizações interessadas no tema podem se inscrever na plataforma dos indicadores e, a partir de então, passam a fazer parte da nossa rede, recebendo informações específicas sobre o tema. Além disso, no site dos indicadores, há uma área com publicações, materiais, vídeos e notícias a respeito do assunto. No site também serão publicados os relatórios e estudos produzidos ao longo do desenvolvimento deste projeto.

Em 2016, queremos realizar outras iniciativas para ampliar a discussão sobre governança, como fóruns de debate, por exemplo, e todos os participantes da plataforma serão convidados a fazer parte.

OPINIÃO DE QUEM PARTICIPA

Confira o depoimento de Allan Lopes Santos, gerente de Divisão da Secretaria Executiva da Fundação Banco do Brasil, apoiador do projeto e participante da ferramenta:

“No mundo corporativo, em especial no mundo das sociedades anônimas, há legislação que trata diretamente do tema governança corporativa e também diversos manuais de boas práticas, alguns deles consagrados e adotados como modelo. A Lei 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas – define, de forma clara e objetiva, como é a governança daquelas empresas.

Já no terceiro setor, há uma lacuna neste sentido. Falta legislação direcionada e há adaptações dos modelos adotados no mundo corporativo. Já existe, de pouco tempo pra cá, alguma literatura a respeito da governança do terceiro setor, como o Guia, lançado pelo GIFE. 

Agora, esta ferramenta nova, da plataforma dos Indicadores GIFE de Governança, vem ao encontro desta busca pela definição das melhores práticas de governança. Por meio da ferramenta, é possível à entidade respondente fazer uma autoavaliação de seus processos e mecanismos de governança, com a vantagem de poder verificar como está inserida no terceiro setor. A adesão das entidades à ferramenta poderá resultar na definição, aperfeiçoamento e consolidação de quais são, de fato, as melhores práticas a serem buscadas neste campo. Por meio da autoavaliação e da constatação de como a entidade se enxerga no terceiro setor, ela poderá definir estratégias e direcionar esforços para o atingimento da melhoria em sua estrutura e forma de governança. O que está em jogo, neste caso, é a sustentabilidade destas entidades”.

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