Iniciativas se articulam para gerar conhecimento sobre negócios de impacto no Brasil

Dentro da imensa gama de possibilidades apresentada ao Investimento Social Privado nos últimos anos, um campo vem gerando cada vez mais interesse no Brasil: os negócios de impacto. Não é de hoje que institutos e fundações têm se aproximado deste segmento para compor suas estratégias de investimento.

Essa agenda também está no radar do GIFE. O exercício tem sido no sentido de entender o movimento e contribuir na reflexão e com o desenvolvimento de práticas que contem com segurança jurídica e institucional. Dentro da própria Rede Temática de Negócios de Impacto Social tem se observado investidores interessados em experimentar novos caminhos, buscando maneiras inovadoras para lidar com problemas socioambientais complexos.

O conceito flerta com a ideia de inovação e se apresenta como opção complementar aos modelos mais tradicionais – e fundamentais no campo social – da filantropia. Os negócios de impacto são empreendimentos que têm o claro compromisso de gerar impacto (social ou ambiental) positivo, ao mesmo tempo em que proporcionam resultado financeiro.

Erika Sanchez Saez, coordenadora de relacionamento e articulação do GIFE, conta que o debate tem sido muito rico e que, por ser um tema muito novo, vale a fórmula da cautela. “Percebemos que este segmento tem ganhado cada vez mais espaço no campo social. Por natureza, gera curiosidade. Muitos investidores querem entender este movimento. Nesse sentido o GIFE está muito atento, participando de diversos espaços de articulação, ouvindo especialistas, sistematizando conhecimento.”

Aos poucos, as novidades vão aparecendo. Erika adianta que, até o fim do ano, uma publicação sobre o tema deve ser lançada. “É preciso certo aprofundamento para sabermos para onde estamos indo. Sabemos que o Investimento Social Privado pode ser um indutor de negócios de impacto, mas também é importante saber como tudo isso pode se integrar a estratégias que também considerem outras modalidades da filantropia. Acreditamos muito no sentido da complementariedade.”

 

Censo de Negócios de Impacto

Uma grande novidade, que deve contribuir para a geração de conhecimento neste campo ainda em consolidação no Brasil, está a caminho. O Censo de Negócios de Impacto reuniu agentes deste ecossistema para mapear e dar visibilidade aos empreendedores.

É a primeira vez que atores deste setor se reúnem em peso para uma ação conjunta de mapeamento dos negócios. Uma oportunidade singular para que todos os setores possam entender o tamanho deste mercado no país e o seu potencial de transformação.

Carolina Aranha, consultora e co-fundadora da PipeSocial, responsável pela iniciativa, conta que a ideia surgiu em função da necessidade do campo contar com um mapeamento real e atualizado das soluções disponíveis no mercado de impacto socioambiental no País. “A ideia é que consigamos promover mais investimentos, identificar gaps nos setores e fomentar o ecossistema como um todo.”

Além funcionar como uma vitrine de empreendimentos, os participantes também podem usar a ferramenta para entender o mercado, os concorrentes, realizar benchmarks e fazer networking. Por outro lado, investidores, aceleradoras, incubadoras, institutos e fundações podem acessar essa base para prospectar potenciais negócios para receberem investimentos, aceleração, mentoria, parcerias e estimular novos canais de distribuição.

Carolina conta que o primeiro relatório deve sair ainda neste semestre.”Após realizado o aprimoramento e consolidação de todos os cadastros do censo, passamos por um estágio de tratamento e decodificação desses dados para darmos início ao processo de análise dessas informações para o desenvolvimento do relatório, que deverá ser publicado em maio.”

 

Protótipo de Fundações e Institutos em Investimento de Impacto

Uma iniciativa que nasceu em 2016 e vem se fortalecendo em 2017 é o Protótipo de Fundações e Institutos em Investimento de Impacto, resultado do Lab de Inovação em Finanças Sociais da Força Tarefa de Finanças Sociais (FTFS). O projeto mobiliza um conjunto de institutos e fundações que desejam aprofundar seus conhecimentos e experimentar novos mecanismos de finanças sociais para investir em intermediários que apoiam negócios de impacto.

O grupo esteve reunido no último dia 1º de fevereiro. A ideia foi integrar os participantes e aprofundar o entendimento e a prática de fundações e institutos na área – o protótipo funciona como um piloto para doações e investimentos neste setor.

Yael Sandberg, diretora executiva do Instituto Samuel Klein, conta que compor este grupo tem sido uma experiência de aprendizado muito valiosa. “Como o proposito deste trabalho colaborativo entre institutos e fundações é o de descobrir e, porque não dizer, desbravar um novo olhar sobre o Investimento Social Privado no Brasil buscamos, de forma desafiadora, acompanhar diferentes mecanismos de investimentos em negócios de impacto.”

A executiva explica que o grupo é bem diverso e conta com organizações com diferentes modelos de atuação frente a esta temática. “Busco confrontar os aprendizados desta experiência com as questões que surgem no cotidiano da minha organização, analisando quais os melhores caminhos a seguir nesta área. Da mesma forma entendo que, atuar de forma colegiada, me permitirá gerar maior impacto do que seria capaz de gerar individualmente. Juntos somos mais fortes.”

Por meio das discussões e da co-criação o grupo tem tateado um pouco da realidade desse setor. Yael fala em um grande número de negócios de impacto que necessitam de apoio e da necessidade dos participantes do protótipo se alinharem conceitualmente e criarem grupos de trabalho. “Nesse encontro demos mais um passo na construção do conhecimento e sistematização do mesmo. Foi muito produtivo.”

 

Para saber mais

Já está disponível no Sinapse a publicação Panorama do Setor de Investimento de Impacto na América Latina. Acesse e saiba mais sobre o assunto.

FacebookTwitterLinkedInGoogle+