Instituto Serrapilheira é o mais novo associado GIFE

Mais um associado chega à rede GIFE, e com um foco de atuação que não aparece entre as áreas mais adotadas por investidores sociais brasileiros: o apoio à ciência. Apesar de algumas boas práticas do campo nessa linha, o Instituto Serrapilheira se diferencia tanto no foco como no modo de operar. Trata-se de uma organização que atuará com recursos oriundos de um fundo patrimonial constituído por doação em caráter irrevogável dos acionistas Branca e João Moreira Salles.

A organização terá como lideranças, além do casal de investidores, dois nomes importantes da área da ciência: o geneticista francês Hugo Aguilaniu, como diretor-presidente, e o pesquisador brasileiro Edgar Dutra Zanotto, à frente do Conselho Científico. A sede do Instituto será no Rio de Janeiro, mas a proposta é apoiar projetos de todo o Brasil.

“O instituto tem dois grandes objetivos. O primeiro deles é apoiar a pesquisa nos campos das ciências da vida, das ciências físicas, das engenharias e da matemática. Não queremos pulverizar recursos, queremos identificar a excelência da pesquisa científica realizada no país e apoiá-la da forma mais livre possível, dando ao pesquisador grande flexibilidade no uso dos recursos doados”, explica Aguilaniu.

A outra grande frente de trabalho da organização será o fomento a projetos de letramento científico. O esforço se dará a partir da divulgação ativa para públicos diferentes – especialmente a população jovem – de conteúdos ligados à ciência. “Queremos atingir os jovens, incentivá-los, mostrar a eles que a ciência é uma coisa legal, uma carreira bacana. Dizer a eles que as humanidades, as artes e o esporte são possibilidades, mas a ciência também é”, conta o diretor-presidente.

Fundo patrimonial e Investimento Social Familiar

O Instituto Serrapilheira chega para compor um ambiente em amplo crescimento no Brasil – o número de investidores sociais familiares associados ao GIFE dobrou nos últimos cinco anos. E a proposta da organização, de acordo com Rodrigo Fiães, diretor-executivo, é fortalecer este movimento. “É essencial que esta rede filantrópica privada, que visa o bem público, seja fortalecida de formas múltiplas. E o GIFE nos parece instrumental para que isso se materialize.”

Rodrigo explica que a constituição de um fundo patrimonial dá estabilidade ao funcionamento do instituto. “Indica, com muita clareza, o compromisso de longo prazo de Branca e João com o projeto. Olhando para fora [do Brasil], o fundo patrimonial é uma característica razoavelmente comum no caso de instituições filantrópicas radicadas em países mais desenvolvidos. Fica, então, a expectativa que este gesto venha a estimular outros na mesma direção.”

O recurso do fundo patrimonial é projetado na casa dos R$ 350 milhões e, para seu orçamento, será utilizado o ganho real – receita bruta acima da inflação, menos impostos – resultante da aplicação financeira deste montante. O momento é de planejamento. A organização não conta ainda com uma carteira de projetos. Os primeiros desembolsos estão previstos para 2018.

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