Investidores sociais debatem sobre contribuições do setor empresarial ao desenvolvimento sustentável em Fórum Internacional RedEAmérica

Com a proposta de discutir e analisar as possíveis contribuições do setor empresarial – empresas, institutos e fundações – ao desenvolvimento sustentável das comunidades e territórios, a RedEAmérica promoveu, de 14 a 17 de março, o seu IX Fórum Internacional, na cidade de Córdoba, na Argentina.

A organização é uma rede temática dedicada a qualificar e expandir a atuação empresarial na promoção de comunidades mais sustentáveis na América Latina e no Caribe. Diversos associados do GIFE são membros também da RedEAmérica e estiveram no fórum para compartilhar suas práticas e refletir sobre as oportunidades e os desafios para o setor, junto com as comunidades e o setor público, a fim de maximizar sua atuação.

Na pauta do debate, estiveram temas como interdependência existente entre a sustentabilidade e a competitividade das empresas e o desenvolvimento sustentável das comunidades; articulações entre empresas, investidores sociais e comunidades e o valor gerado para ambos com relação à iniciativas de dinamização econômica dos territórios; uso sustentável de ecossistemas vitais para ambos; negócios de impacto social; alianças; entre outros.

“Hoje acreditamos que as empresas, junto com as fundações e os institutos, podem contribuir na promoção de comunidades sustentáveis combinando o investimento social privado e ações ligadas às áreas de negócio, que geram valor social para as comunidades”, destaca Margareth Flórez, diretora executiva da RedEAmerica.

Porém, segundo Margareth, há ainda desafios a serem superados nessa agenda. “O principal deles é fazer com que as empresas incorporem integralmente, de corpo e alma, o desenvolvimento sustentável das comunidades nos seus modelos de negócios. Acreditamos que esta incorporação permite avançamos em várias frentes, como o aumento do impacto e a escala, criando maior valor para as comunidades e para as empresas. O papel das fundações e institutos é e será muito importante neste processo”, aponta.

Ligia Saad, coordenadora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Votorantim, ressalta que promover comunidades sustentáveis é um desafio multissetorial e, portanto, demanda articulações e ações coordenadas entre os setores público, privado e organizações da sociedade civil.

“Penso que atualmente seja fundamental trabalhar sob essa lógica, uma vez que os desafios atuais são complexos e exigem soluções mais elaboradas, que contemplem a geração de valor compartilhado. Como muito se fala na RedEAmerica, não há como uma empresa ser bem sucedida em um território falido. Essa percepção está mais disseminada hoje, mas é preciso fortalecer este entendimento para seguir no caminho do desenvolvimento equitativo e sustentável. Para isso, os institutos e fundações devem estar dispostos a se qualificar para trabalhar com métricas e avaliações que comprovem esta lógica de ganha-ganha, a fim de que as empresas internalizem a atuação social como estratégia de negócio”, aponta.

Nesse processo, enfatiza a diretora executiva da RedEAmérica, as empresas, institutos e fundações brasileiros têm avançado e seus aprendizados e reflexões têm estimulado membros de outros países participantes da rede a reverem suas práticas.

Exemplos para compartilhar

Durante o FIR 2017 os associados do GIFE tiveram participação ativa nas atividades programadas. Rafael Gioielli, gerente geral do Instituto Votorantim, por exemplo, integrou o painel “Empresa e Comunidade: uma relação de interdependência”. No debate, o Instituto buscou compartilhar de que forma tem trabalhado com as empresas do Grupo Votorantim no sentido de fortalecer o legado das empresas, uma visão alinhada ao posicionamento estratégico da RedEAmérica. “Acreditamos que faz mais sentido atuarmos dessa forma, pois gera mais impacto nas comunidades e retorno para as empresas. Os institutos e fundações são centros de excelência e têm expertise para dar apoio à empresa a deixar o seu legado”, comenta.

Esse painel, inclusive, repercutiu as análises que fazem parte do documento “Grandes oportunidades para as empresas quando integram assuntos sociais aos seus negócios”, que foi produzido pela RedEAmérica com a participação de vários membros, além de trazer entrevistas com CEOs de empresas e diretores de institutos e fundações. A publicação tem como proposta estabelecer um marco conceitual a respeito do tema. O documento traz também vários exemplos e práticas, como os desenvolvidas pelo Instituto Votorantim, que ajudaram na concepção da publicação. O material foi apresentado no FIR e debatido durante um webinar (clique aqui para assistir).

Ao longo do Fórum, outros associados do GIFE também puderam compartilhar suas práticas, como o Instituto Camargo Correa, que falou sobre as ações de inserção produtiva sustentável de famílias de agricultores na mesa de debate que teve como tema: “Como pode o setor empresarial contribuir na dinamização econômica dos territórios?”

Já na mesa “Avaliação de valor para a comunidade e para a empresa: como medir?”, Jair Resende falou sobre a prática de Indicadores de Geração de Valor Compartido do Instituto InterCement, e Priscilla Ribeiro apresentou o case “Primavera Sustentável, iniciativa da Votorantim Cimentos”, em parceria com o Instituto Votorantim. O objetivo foi ressaltar como foi feita a mensuração de impacto social das ações promovidas na cidade de Primavera, no Pará, desde 2010, e o retorno para o negócio. A iniciativa, inclusive, ganhou menção honrosa no III Prêmio Transformadores, entregue pela RedEAmérica durante o Fórum.

O Instituto InterCement esteve presente também na mesa que debateu oportunidades e desafios para as empresas que apostam em negócios de impacto social, compartilhando os aprendizados do Instituto com o apoio ao Programa Vivenda, negócio que atua na área de soluções de baixo custo para reforma e construção de moradias. O Instituto foi a primeira grande organização a investir em um negócio de impacto por meio de plataforma de equity crowdfunding – a Broota – gerando um ciclo de aprendizagem para futuros investimentos.

Outros associados, como a Fundação Otacílio Coser (FOCO) e o Instituto BRF, foram convidados a contribuir com o FIR como relatores das atividades promovidas. Estiverem presentes ainda Instituto Lina Galvani, Instituto Arcor Brasil e Instituto Holcim.

Ana Roth, superintendente da Fundação Otacílio Coser e representante do Bloco Brasil na Junta Diretiva da RedEAmérica, destaca a importância da participação no FIR e também na própria rede – a FOCO foi uma das instituições fundadoras do grupo –, pois trata-se de um espaço que possibilita à Fundação estar alinhada às novas tendências para o desenvolvimento de comunidades.

Hoje, a FOCO tem trabalhado com empresas na área portuária em Vila Velha (ES) com a percepção “de que não é mais possível às empresas investir socialmente sem se envolver diretamente com a comunidade e o poder público”, ressalta a superintendente. Como parte do processo, a Fundação criou dois comitês, um dos investidores empresariais – formado por três empresas da região (CPVV, TVV Login e Prysmian) – e outro comunitário, com 12 lideranças. Cada comitê tem reuniões e desenvolve suas propostas, mas todos se encontram e compartilham suas expectativas.

“Nossa intenção é criar uma atitude de corresponsabilidade em relação ao bem comum. O poder público é um ator importante, mas hoje ainda distante. Nosso desafio em 2017 é que representantes da comunidade participem mais ativamente de conselhos municipais”, comenta Ana Roth.

 

Novidades

Em 2017, a RedEAmérica comemora 15 anos e pretende fazer deste ano um momento significativo. Para tal, planeja uma série de novas iniciativas, como a criação de uma plataforma virtual de “Aprendizaje, Formação e Interação” sobre a promoção de comunidades sustentáveis. O espaço virtual será lançado no segundo semestre.

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