Oitava edição do Censo GIFE apontará dados sobre a evolução do campo do investimento social brasileiro e tendências para o setor

Começa nesta semana a coleta de dados da oitava edição do Censo GIFE 2016, pesquisa com a rede de associados que consolida informações sobre o investimento social privado no Brasil. Trata-se de um estudo bienal, quantitativo e voluntário que dá sequência a um compromisso que começou em 2001 e, desde então, tem contribuído para compreender o campo do investimento social brasileiro a partir de informações sobre a atuação dos principais investidores do país.

Em um setor que conta com poucos dados sobre sua dimensão e relevância para a sociedade brasileira, uma iniciativa como o Censo é reconhecida por diversos atores e proporciona leituras que apoiam e orientam decisões estratégicas das organizações.

Em busca constante por aprimoramento e inovação, o Censo tem como desafio recorrente melhorar o método de coleta das informações, a qualidade das perguntas e manter a série histórica dos dados, ao mesmo tempo em que incorpora questões contemporâneas sobre o cenário e principais tendências, transformações e movimentos do campo.

Graziela Santiago, coordenadora de dados e análises do GIFE, explica que, a cada edição, o esforço é equilibrar todos esses desafios e chegar a um resultado que sirva ao campo e à rede de investidores. “Acredito que o Censo seja capaz de suprir algumas lacunas de informação. De forma ampla, o conjunto de dados contribui para a valorização do setor. No sentido mais individual, ele oferece informações estratégicas para a operação dos associados”.

Na edição anterior, referente a 2014, o Censo contou com 90% de resposta entre seus associados, distribuídos entre institutos e fundações empresariais (53% dos respondentes), empresas (18%) e independentes (12%), apontando um aumento significativo no número de institutos e fundações familiares, que passaram a representar 17% dos respondentes.

Os dados de 2014 apontaram um volume total investido de R$ 3 bilhões de reais. Seguindo a tendência histórica, o investimento em educação tem se destacado como o principal foco de atuação entre os respondentes (85%), seguido por formação de jovens para o trabalho e/ou para a cidadania (63%) e cultura e artes (62%).

 

Novos temas e questões

Uma das principais novidades desta oitava edição é uma organização dos temas que prioriza pautas e agendas atuais em relação à própria atuação da rede de investidores. Para além da cobertura usual dos tópicos centrais da pesquisa, o estudo dará especial atenção a temas como negócios de impacto social, agendas de advocacy sobre a sustentabilidade econômica das organizações da sociedade civil e tendências de futuro para o ISP.

Esta edição também procura estabelecer maior articulação com outros projetos e iniciativas do GIFE, tais como o Painel de Transparência e os Indicadores de Governança, tanto do ponto de vista conceitual como prático (evitando duplicidade de perguntas). Além disso, seguindo o desafio de se aproximar, cada vez mais, das formas de operar das organizações associadas – a cada ano mais complexas, múltiplas e heterogêneas – a revisão desta edição se dedicou, também, a aprimorar o bloco de questões voltadas aos projetos e programas.

A intenção em todas as perguntas reformuladas foi promover uma capacidade de coleta ainda mais acurada, melhorando também a análise dos dados e ampliando o potencial de uso dessas informações tão importantes. Elas também se conectam com um processo em curso no GIFE de construção da base online de programas – sistema georrefenciado de dados que articula informações sobre os programas de ISP da Rede GIFE, dados socioeconômicos e eventuais outras bases de interesse. No futuro, os dados deverão alimentar as primeiras versões dessa plataforma.

Os principais produtos da edição 2016 do Censo são a elaboração da publicação – que apresentará as principais análises de dados e artigos assinados por especialistas do campo – e o Key Facts, hotsite bilíngue (inglês e português) que apresenta os principais resultados da pesquisa de forma sintética e por meio de infográficos, elaborado em parceria com o Foundation Center.

 

Parceria com o PNUD

Outra novidade da edição é a parceria inédita firmada entre o GIFE e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por meio desta cooperação, a pesquisa trará dados inéditos relacionados à atuação dos investidores na sua relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que irão abastecer a Plataforma de Filantropia, lançada no Brasil no último dia 05 de abril.

Iniciativa global voltada a fortalecer parcerias e a atuação do campo da filantropia no cumprimento dos ODS, a Plataforma é uma iniciativa central no mapeamento da importante contribuição do setor privado na cadeia colaborativa de cumprimento dessa agenda orientadora para a ação em todo o mundo. O Brasil é o oitavo país piloto a lançar a Plataforma, junto a Quênia, Gana, Zâmbia, Indonésia, Colômbia, Estados Unidos e Índia. Além do GIFE, outros importantes parceiros como o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), WINGS (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support), a Fundação Roberto Marinho, Instituto C&A, Instituto Sabin, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Fundação Banco do Brasil – associadas ao GIFE – estão tornando essa construção possível no Brasil.

De acordo com Iara Rolnik, gerente de conhecimento do GIFE, “a parceria com o PNUD é importante não somente por inserir o Brasil num esforço global para o cumprimento da agenda dos ODS – por meio, sobretudo, da Plataforma de Filantropia – mas também fortalece o Censo como fonte consistente de informações e amplia a capacidade de diálogo da pesquisa com o que se está produzindo de dados sobre o campo filantrópico em todo o mundo. Essa é uma preocupação forte nossa nas diversas parcerias internacionais de produção de dados que temos participado como, por exemplo o Global Philanthropy Report, iniciativa encabeçada pelo Ash Center for Democratic Governance and Innovation, da Harvard Kennedy School. Além disso, o apoio do PNUD para a produção do Key Facts será fundamental para a execução desse material e amplia nossa capacidade de divulgação dos resultados de forma global”.

 

Relatório individual de comparação

Outro produto da pesquisa é o relatório individual de comparação, um dos ricos resultados do Censo produzidos para aqueles que participam da pesquisa. O material, desenvolvido de maneira individualizada, destaca as respostas específicas de cada organização em determinados temas, comparando-as com as do conjunto total de participantes. A ideia é oferecer dados relevantes para orientar a tomada de decisão e contribuir para o desenho de estratégias institucionais e de investimento.

“Nos empenhamos, também, em desenhar perguntas que pudessem alimentar os relatórios de comparação, trazendo questões que possam contribuir com leituras e desenhos estratégicos nas organizações. Estamos falando de um produto com informações exclusivas, que compara dados individuais com informações gerais do universo pesquisado em recortes pontuais. Lançamos este produto na última edição do Censo e a rede reagiu muito bem a esta inovação”, explica Graziela.

A gerente executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Fernanda Bombardi, lembra que o relatório de comparação, lançado na última edição do censo, foi muito útil para a organização repensar seu posicionamento dentro do campo. “Com ele conseguimos nos ver a partir da comparação em diversos aspectos. Como uma fundação independente, que é nosso caso, observamos comparativamente o número de funcionários, o orçamento, etc. E, assim, nos perguntamos: isso é significativo? É maior ou menor do que o caso de outras organizações? Em quais áreas elas atuam? Isso nos ajuda a olhar para nossa estratégia e pensar se precisamos adequar ações para nos alinhar a movimentos de tendência do campo. Inclusive usamos os dados para levar para o conselho uma referência externa do que é uma prática adotada no campo. Dessa forma, essa ferramenta nos ajuda na argumentação com conselheiros”.

Para Roberta Costa Marques, diretora executiva do Instituto Desiderata, os dados do relatório ajudam a traçar caminhos para o futuro a partir da leitura do cenário atual. “Toda organização, na hora do seu planejamento estratégico, precisa se localizar no contexto atual e futuro. Além de ser a principal pesquisa consolidada sobre o setor, o Censo GIFE é uma ferramenta que estimula a transparência, aponta tendências do investimento social, contribuindo para a tomada de decisões no campo.”

Monica Dias Pinto, da Fundação Roberto Marinho, avalia que o Censo é uma ferramenta fundamental para o trabalho das instituições que fazem ISP no país: “ele ajuda a instituição a sistematizar internamente o olhar sobre seus investimentos. Além disso, o seu resultado oferece para os associados uma visão mais ampla sobre o setor: tendências, possíveis complementaridades de atuação territorial ou temática. Falamos tanto na intersetorialidade nos governos e creio ser fundamental buscarmos complementaridade e soma de esforços no Terceiro Setor. Atualmente estamos fazendo um exercício de reflexão sobre o futuro da Fundação e estamos usado os últimos dados do Censo. Considero uma ótima metodologia para examinar o momento presente e projetar o futuro”.

Para André Leonardi, Gerente Geral da Fundação CSN, em função da abrangência, relevância e legitimidade das instituições que o respondem, o Censo oferece um retrato nítido e preciso à sociedade brasileira sobre a contribuição do investimento social privado. “Ele oferece uma visão ampla sobre a atuação e investimento que permite o balizamento das instituições parceiras, auxilia a perceberem seu posicionamento num universo amplo, e isso auxilia também na compreensão de como os objetivos, metas e o fazer de cada instituição se situam num conjunto maior.  Além de valioso para cada instituição se perceber num universo maior e possibilitar sempre uma revisitação  critica a forma como temos  atuado, o Censo é importante para o debate do setor com a conjunto da sociedade e com os governos, pois oferece concretude e visibilidade. Nesta direção  é um instrumento valioso para a qualificação do investimento ao expor em números a relevância e abrangência do investimento social privado no Brasil”.

Se o Censo pode contribuir muito para os associados, a contribuição de cada participante da pesquisa é fundamental para a sua realização. Essa participação assegura uma amostra representativa do conjunto de investidores da Rede e contribui para garantir a qualidade dos dados. “Esse processo deve ser rico e valorizado para o associado assim como é para nós. Como nos anos anteriores, esperamos que o preenchimento da pesquisa possa gerar, também, um processo de reflexão interno à organização em relação às suas estratégias, forma de atuação, organização institucional, entre outros fatores e potencializar oportunidades no campo do investimento social”, afirma Iara Rolnik.

 

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