Pesquisa revela cenário global para a atuação de organizações que fortalecem a filantropia

Gerar e compartilhar conhecimento sobre o campo social tem sido o principal compromisso da WINGs (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support), uma rede global independente que reúne mais de 80 organizações sociais de 36 países. Juntos, os membros da WINGS representam mais de 15 mil institutos, fundações e outras modalidades de organizações sociais mundo afora.

A mais recente contribuição da rede ao setor é o relatório “Infrastructure in Focus: A Global Picture of Organizations Serving Philanthropy” (“Infraestrutura em foco: um retrato sobre as organizações que fortalecem a filantropia”). O estudo tem como objetivo oferecer a pesquisadores, gestores do Investimento Social Privado, governantes e outros profissionais que atuam no campo social uma perspectiva sobre o cenário atual da filantropia em escala global. Entre outros dados, o material apresenta cenários sobre foco, medição de impacto e tendências de comunicação.

O relatório traz uma série de informações estatísticas a respeito das instituições dedicadas ao fortalecimento global de doação e investimento social. A sistematização considerou dados de uma coleta de informações de membros da rede WINGs, que abrangeu 52 países e seis continentes. O material está disponível online (em inglês)..

“O estudo é a única pesquisa global sobre a infraestrutura do investimento social, ou seja, sobre organizações como o GIFE, que estão trabalhando para apoiar e fortalecer o investimento social em seus países e regiões. Por se tratar de um trabalho bastante intangível, o valor disso ainda é muito pouco conhecido ou reconhecido”, explica Benjamin Bellegy, diretor executivo da WINGs.

Pamela Ribeiro, coordenadora de Gestão do Conhecimento da organização, aponta os objetivos do estudo: ampliar o conhecimento e a compreensão sobre as organizações que estão apoiando o investimento social pelo mundo; aumentar a percepção da relevância dessas organizações; refletir sobre como esse setor de infraestrutura do investimento social pode crescer e se fortalecer; e contribuir para o desenvolvimento deste tipo de organizações.

Além dos usuais participantes da própria rede da WINGs, essa segunda edição do estudo contou ainda com duas fontes inéditas: 19 universidades que possuem centros ou departamentos que ensinam e/ou pesquisam investimento social e oito fundações que estão financiando a infraestrutura do investimento social no mundo. “Essas duas novas fontes, ainda que com amostras pouco representativas,  agregam informações importantes ao estudo para uma compreensão mais ampla do campo, do seu desenvolvimento e seus desafios”, explica Benjamin.

 

Principais descobertas

Dentre os pontos destacados no relatório estão a concentração de organizações e recursos na América do Norte e o fortalecimento das ações de advocacy.

“Notamos não somente uma concentração maior de organizações na América do Norte, mas também que a maior parte dos recursos financeiros dessas organizações continua concentrada nessa região também (80%). Esses dados, combinados com outros coletados, nos indicam que pouco mudou em comparação ao último estudo que fizemos em relação ao desenvolvimento desigual da infraestrutura do investimento social pelo mundo”

Benjamin chama a atenção para outro ponto: hoje se dá maior importância ao trabalho relacionado à advocacy. No estudo atual, percebe-se que 35% dos respondentes estão extremamente engajados em atividades deste tipo e 32% têm um engajamento moderado. “Essa tendência que os dados nos trazem fica bastante evidente quando acompanhamos a estratégia de atuação de alguns membros nos últimos anos, inclusive o GIFE, que vem fortalecendo sua atuação em advocacy. A pesquisa nos revela que essa é uma tendência bastante forte na América Latina, a única região que teve o fortalecimento deste tipo de trabalho como prioridade estratégica número um para os próximos três anos.”

 

Desafios para a sustentabilidade financeira

A sustentabilidade financeira é um desafio importante em todas as localidades do mundo, inclusive para as organizações acadêmicas. Mas esse desafio se caracteriza de formas diferentes dependendo da região.

O estudo mostra que, em geral, as organizações que estão construindo infraestrutura para o investimento social são financiadas principalmente por investidores sociais privados. Fundações nacionais, ou seja, do próprio país, têm uma grande importância nesse campo, com exceção das organizações com base na África Sub-Saahriana, no Oriente Médio e na África do Norte, que contam fortemente com financiamento de fundações internacionais.

Ou seja, a pesquisa mostra ainda que a tendência é que o recurso investido em organizações que trabalham com infraestrutura venha de investidores locais. O caso só é diferente entre os financiadores dos Estados Unidos, que acabam destinando recursos também para outros países – confira estudo publicado pelo Foundation Center em 2015.

Combinados, a pesquisa da WINGs e o estudo da Foundation Center mostram que assegurar a sustentabilidade em longo prazo ainda é um grande desafio para organizações que investem na infraestrutura do investimento social, especialmente para aquelas que atuam para além da América do Norte. “Todos os resultados nos sinalizam uma necessidade urgente de desenvolver o campo nos países que provavelmente mais precisam desse ambiente”, analisa Benjamin.

 

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