Pesquisa sobre práticas de remuneração pode ajudar organizações a se reposicionarem em período de crise

Estão abertas as inscrições para a 4a edição da ‘Pesquisa de Remuneração Total GIFE’, principal estudo sobre práticas e tendências de remuneração e gestão de pessoas no campo social brasileiro. A iniciativa pode ser uma ferramenta estratégica de avaliação organizacional e criação de cenários, especialmente em um momento de instabilidade política e econômica.

As organizações participantes terão acesso a análises exclusivas de práticas salariais, tipos de benefício e programas de remuneração existentes no campo. Além de fornecer um mapa do grupo de organizações sociais participantes, os relatórios permitem a comparação com mais de 50 mil empresas do setor privado existentes na base de dados da consultoria contratada.

“Como o GIFE atua para a qualificação do investimento social, fazemos a pesquisa tendo em vista que ela colabora com a melhoria da estrutura das organizações, sendo um instrumental forte em políticas de gestão de pessoas. Ela traz dados práticos para os gestores tomarem decisões, especialmente de como conquistar e reter talentos”, comenta Marisa Ohashi, gerente de Planejamento e Operações do GIFE.

Marisa explica que este tipo de sondagem é muito comum na área empresarial, mas que tais modelos não podem ser copiados, já que o campo social possui suas singularidades. “Muitos cargos presentes nessas organizações não existem nas mantenedoras, por exemplo. Por isso, os dados da pesquisa são preciosos para os investidores sociais.”

Em sua última edição, o estudo apontou dados inéditos sobre as práticas de remuneração no campo social. Uma dos destaques foi a análise sobre a competitividade dos salários ofertados, quando comparados aos padrões do mercado tradicional. De acordo com a pesquisa, a maioria dos participantes (31%) está alinhada à média salarial do mercado de trabalho brasileiro.

Outro dado interessante revelado pela sondagem mostra que 75% das organizações participantes oferecem aos funcionários programas de remuneração variável – um benefício comum no setor empresarial tradicional. Esta prática – em geral realizada por meio de bonificação por resultado – demonstra alinhamento aos padrões competitivos de práticas de remuneração.

Momento oportuno

Fazer o diagnóstico das práticas de gestão de pessoas e remuneração em uma organização é estratégia fundamental para entidades que buscam sustentabilidade financeira. Especialmente em um momento de crise econômica.

De acordo com a Organização Mundial do Trabalho (OIT), quase um em cada cinco novos desempregados do mundo em 2016 e 2017 será brasileiro. O cenário é pouco otimista sobre a geração de empregos e a manutenção de cargos nos próximos anos. Exatamente por conta dessas projeções, para José Antônio Prudente, diretor da consultoria da Wiabiliza e consultor responsável por conduzir esta edição da pesquisa com o GIFE, o momento deve ser de cautela e planejamento.

“O cenário é, sim, preocupante. Muitas dos desligamentos ocorridos nos últimos dois anos, em boa parte, não serão repostos, porque as empresas se reorganizaram, melhoraram seus processos internos e de tecnologia aplicada para se adaptar aos novos níveis de demandas e de produtividade. Mesmo que haja um crescimento econômico, o novo patamar de produtividade permitirá às empresas atenderem a demanda sem precisar repor o quadro na mesma proporção.”

Ele explica que períodos de crise podem levar empresas e organizações sociais a encerrarem suas atividades. Porém, também podem fortalecer negócios e operações. “Existem programas que estimulam a geração de ideias, que, aplicadas, produzam ganhos. No campo da remuneração, as empresas estão buscando novos modelos e sistemas baseados em melhoria de resultados, relativos a ganhos financeiros, produtividade e qualidade.”

O consultor conta que o momento não poderia ser mais oportuno para olhar para dentro da organização. Muitas vezes é na crise que o trabalho se reinventa. “Crises são importantes na medida em que exigem que você pense fora da caixinha, pense diferente, se reinvente.”

Diferenciais do estudo

Prudente explica que o estudo extrapola informações frias relativas a valores que são pagos de salários ou benefícios concedidos. “A metodologia permite à instituição avaliar sua estrutura organizacional e comparar seus salários e benefícios com o mercado, verificando seu grau de competitividade. Também é possível comparar os custos da estrutura versus as receitas obtidas. Dá uma visão, ainda, se o perfil de seus profissionais está alinhado às necessidades e se a remuneração praticada está adequada.”

O consultor reforça as vantagens dos recursos de comparabilidade. “O estudo oferece um leque de comparações e análises que apoiam no momento de uma contratação, promoção ou avaliação de um aumento salarial.  Permite também avaliar como suas práticas de gestão de pessoas e da organização se situam neste segmento e no mercado geral, porque apesar das organizações serem do terceiro setor, no mercado geral todos os profissionais concorrem em um todo.”

Outro diferencial são as múltiplas análises que a pesquisa permite a partir de recortes segmentados. Assim, o participante poderá comparar suas práticas com as demais organizações, conforme seu porte, sua atuação específica, número de funcionários e até região. “O sistema online oferecerá a condição de fazer comparações com o mercado de forma dinâmica, conforme seu interesse durante todo o ano”, explica José Antônio.

A pesquisa tem abrangência nacional e a coleta de dados será realizada in loco nas empresas pela equipe de consultores da Wiabiliza. O planejamento da coleta foi realizado em parceria com um Grupo de Trabalho, formado por associados, e a própria equipe do GIFE. “O objetivo é construir uma ferramenta que atenda a todos os participantes como se fosse um trabalho desenvolvido sob medida”, comenta o consultor responsável pela iniciativa.

Grupo de Trabalho

A voz do setor está representada em um Grupo de Trabalho formado por organizações associadas que participaram de edições anteriores – Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Bunge, Instituto Arapyaú, Fundação Itaú Social, Fundação Itaú Cultural, Instituto Unibanco, Fundação Volkswagen e Instituto Alana.

O grupo apoiou todo o planejamento do projeto, a partir de reuniões e consultas para definição de escopo, definição de metodologia, escolha de consultoria e, a partir de agora, definição de dados e indicadores a serem pesquisados.

Uma das participantes do GT, Elisângela Macedo, consultora de Remuneração do Instituto Unibanco, Itaú Cultural e Itaú Social, explica que a busca constante em administrar melhor os seus recursos faz com que as organizações sociais adotem políticas de remuneração e benefícios capazes de atrair, reter e reconhecer seus talentos. “A pesquisa salarial é uma importante ferramenta de gestão, pois por meio dos seus dados conseguimos analisar a competitividade da organização frente ao mercado e assim definir a melhor estratégia de remuneração a ser adotada.

A consultora reforça a relevância do estudo para o campo social. “Como a realização de pesquisas salariais não é uma prática comum entre os institutos e fundações, quanto mais organizações participarem dessa iniciativa do GIFE, mais consistente será a amostra de dados e o diagnóstico levantados.”

Como participar

Os interessados em participar devem solicitar a ficha de inscrição até o dia 18/02/2017 pelo e-mail: pesquisa@gife.org.br. Outras dúvidas podem ser esclarecidas pelo telefone (11) 3816-1209. Organizações associadas contam com 20% de desconto na inscrição.

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