Plataforma de Filantropia é lançada no Brasil com engajamento de investidores sociais

Com a proposta de alinhar as estratégias de investimento social às grandes proposições colocadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e somar esforços para o cumprimento das metas estabelecidas, acaba de ser lançada a Plataforma de Filantropia no país. O Brasil torna-se o oitavo país piloto a lançar a Plataforma, junto a Quênia, Gana, Zâmbia, Indonésia, Colômbia, Estados Unidos e Índia.

Trata-se de uma iniciativa global que conecta filantropia a conhecimento e redes que podem aprofundar a cooperação, alavancar recursos e aumentar o impacto, direcionando os ODS a um planejamento de desenvolvimento nacional. A plataforma é liderada pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Rockfeller Philanthropy Advisors e Foundation Center, e apoiada pela Conrad N. Hilton Foundation, Ford Foundation, MasterCard Foundation, Brach Family Charitable Foundation e UN Foundation.

No Brasil, a plataforma conta com o apoio e articulação também do GIFE, do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) e da WINGS (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support). Além disso, alguns investidores já estão fazendo parte do grupo articulador, como a Fundação Banco do Brasil, Fundação Roberto Marinho, Fundação Itaú Social, Instituto Sabin, Instituto C&A e Instituto Unibanco.

“A implementação dos ODS depende do engajamento de um conjunto de atores, tendo em vista que trata-se de uma agenda complexa e ambiciosa, que envolve a dimensão econômica, social e ambiental. Assim, as parcerias são estratégicas. Todos – governo, setor filantrópico, academia, empresas e sociedade civil – terão que se envolver. Vemos os institutos e fundações como parceiros- chaves para pensar e encontrar soluções que venham de fato a resolver as questões estruturantes brasileiras, pois estes já estão olhando e endereçando ações estratégicas para o desenvolvimento”, ressalta Luciana Aguiar, gerente de Parcerias e Desenvolvimento para o Setor Privado do PNUD.

Segundo Luciana, a plataforma parte da premissa de que é preciso dar mais visibilidade à contribuição do investimento social para o desenvolvimento do país e esta, portanto, também será o foco da iniciativa no Brasil.

“Hoje temos um conjunto de ações que têm sido promovidas pelo setor filantrópico no Brasil que estão pulverizadas e são pouco reconhecidas. Percebemos, então, a necessidade de comunicar o impacto dessas iniciativas e alinhá-las numa mesma teoria de mudança – os ODS – que estão localizados dentro da Agenda 2030 proposta pelas Nações Unidas a todo o mundo. Trata-se de uma agenda global, de planejamento, que une esforços em torno de objetivos comuns”, comenta.

Um dos pontos prioritários da plataforma será a realização de um mapeamento do ecossistema filantrópico no país. A ideia é identificar o que os investidores já têm realizado alinhado aos ODS – implementação e financiamento -, quais são as temáticas principais, as lacunas, os locais, os desafios, entre outros aspectos.

Nesta frente de ação, o GIFE irá contribuir ativamente. Para isso, incorporou na nova edição do Censo (clique aqui para saber mais) questões que possam levantar dados inéditos sobre a atuação dos investidores na sua relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que irão abastecer a Plataforma de Filantropia.

Iara Rolnik, gerente de conhecimento do GIFE, destaca que essa ação será importante não somente por inserir o Brasil num esforço global para o cumprimento da agenda dos ODS, mas também fortalecer o Censo como fonte consistente de informações e ampliar a capacidade de diálogo da pesquisa com o que se está produzindo de dados sobre o campo filantrópico em todo o mundo. O PNUD, inclusive, irá apoiar também a produção do Key Facts para a divulgação dos resultados do Censo de forma global. “Os investidores sociais irão ganhar muito com essa possibilidade de se ver em relação ao que está sendo feito no restante do mundo”, comenta Iara.

É justamente essa possibilidade de aproximação com uma agenda global que tem motivado parte dos investidores a participarem da Plataforma de Filantropia. Fabio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, vê nesta iniciativa uma ótima oportunidade para comparar os dados e atuação dos investidores na área de saúde – foco de atuação do Instituto -, por exemplo, com agendas globais. “Não temos como ficar de fora dessa agenda, que irá permear as ações em todo o mundo nos próximos anos. Por meio dos ODS é possível começarmos a ter uma base de comparação temática”, aponta.

Na visão da gerente do GIFE, essa aproximação possibilitará também um melhor entendimento por parte dos investidores sobre o que são os ODS e de que forma sua atuação se alinha a estes desafios globais trazidos pela Agenda 2030, comuns a todas as instituições. “Percebemos que ainda há uma dificuldade de compreensão entre o que os ODS propõem e as ações desenvolvidas pelos investidores. Poderemos contribuir muito nesse processo de tradução. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável provocam as instituições a fazerem novas leituras sobre sua atuação, ajudam a pensar sobre de que forma suas ações contribuem com as decisões que todo o mundo está olhando”, pondera Iara.

Outro aspecto valorizado pelos institutos e fundações na iniciativa é a possibilidade de troca de experiências com as outras plataformas, ampliando o diálogo e a interlocução com novos atores. Para Georgia Pessoa, responsável pela área de Meio Ambiente da Fundação Roberto Marinho, este é um ponto prioritário e que poderá trazer grandes aprendizados ao grupo. “É uma possibilidade de mostrarmos o que fazemos, conhecermos o que os outros fazem e potencializarmos o trabalho em rede”, comenta.

 

Ação concreta

Para o ano de 2017, a plataforma prevê uma série de ações. Além do mapeamento – que deverá ser lançado no segundo semestre – serão realizados quatro workshops. O primeiro, a ser promovido em maio, irá focar na apresentação dos ODS, a fim de que os investidores possam pautar as suas ações de planejamento até 2030 alinhadas à agenda global.

O segundo encontro pretende promover um diálogo com diversos stakeholders a fim de identificar quais linhas temáticas são estruturantes no país e às quais a plataforma deverá, portanto, endereçar sua atuação. Na Colômbia, por exemplo, o grupo decidiu focar nas temáticas de segurança e desenvolvimento econômico e, no Quênia, em inclusão financeira e empoderamento feminino.

A partir dessa definição, o terceiro workshop terá como proposta planejar uma ação de coinvestimento entre os investidores, a fim de somar esforços para uma iniciativa comum. E, por fim, o último encontro pretende discutir os indicadores dos ODS e como os investidores podem desenhar uma avaliação de impacto levando em conta estas métricas.

As instituições interessadas em se engajar na plataforma podem entrar em contato diretamente com o PNUD: luciana.aguiar@undp.org.

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