Semana do Investimento Social mobilizou profissionais do campo social em diversos eventos pelo país

Uma das principais novidades da 9a edição do Congresso GIFE foi a realização da Semana do Investimento Social, que mobilizou uma série de especialistas e interessados em temas ligados ao investimento social em uma ampla programação complementar ao evento oficial.

A proposta foi ampliar na sociedade as discussões que pautaram a programação do Congresso. Confira algumas das atividades promovidas ao longo da semana:

Comunicação de causas

Tema central na agenda estratégica do GIFE, as estratégias de comunicação que mobilizam transformações a partir do investimento social ganharam uma atividade específica na programação. Durante o evento, os debatedores e o público discutiram a comunicação de causas no cenário atual.

Participaram do encontro o diretor acadêmico da ESPM, prof. Ismael Rocha, e as especialistas Camila Aragon, publicitária e mestre em Comunicação Humanitária pela Universidade Lyon,  Irene Carballido, publicitária e mestre em Comunicação pela ESPM/SP, Mariana Moraes, gerente de comunicação do GIFE e Maria Slemenson, do Instituto Natura. A mediação ficou a cargo do prof. Carlos Frederico Lucio, coordenador da ESPM Social.

No encontro, Irene e Camila destacaram o poder mobilizador da publicidade cidadã e o crescimento das campanhas de mudança de atitude na mídia em geral. Camila comentou que este modelo vai além do formato tradicional de criação publicitária. “Estamos falando de uma comunicação muito artesanal, na qual participam não só publicitários, mas uma equipe multidisciplinar que, muitas vezes, envolve psicólogos, antropólogos, blogueiros, entre outros profissionais. É importante que a universidade passe a incentivar este tipo de estudo, fortalecendo, assim, a área da comunicação de causas.”

Foram apresentadas também algumas experiências no campo. Mariana trouxe o case GIFE, em que a comunicação passou a ser agenda estratégica da organização. Isso representa uma mudança na atuação da organização, buscando inserir a comunicação no marco zero de todos os projetos, mas também uma reflexão do que é a comunicação atual. “A forma de se comunicar, as tecnologias, o modelo de negócio, e a cultura das pessoas tem mudado nos últimos anos e é importante entender o que esta acontecendo para poder pensar na comunicação do GIFE alinhada às mudanças que estamos vivendo”.

Além disso, a gerente de Comunicação do GIFE destacou que, nos últimos anos, vivenciamos uma ressignificação do papel dos profissionais e cidadãos comuns como consumidores e produtores de conteúdo. “É importante que as organizações sociais se ‘descolem’ do formato padrão da comunicação institucional buscando trabalhar mais suas ‘bandeiras’, de forma a criar empatia e identificação das pessoas com causas. Isso estimula o engajamento e a transformação social. Estamos falando de utilizar a comunicação como fim, não como meio.”

Maria Slemenson, apresentou a experiência da Escola Digital do Instituto Natura; e Mauricio Turra, trouxe o tema “Teoria de responsabilidade social – o papel das empresas”. No encerramento, o prof. Marcus Nakagawa falou sobre comunicação para causas como estratégia de sustentabilidade das empresas.

Relação público-privada para a educação aberta

Outra atividade que movimentou a Semana do Investimento Social foi o evento promovido pela Comunidade REA-Brasil, com apoio do Instituto Educadigital e da Ação Educativa. O evento reuniu profissionais de organizações sociais, da iniciativa privada e da rede pública de ensino para discutir estratégias para a promoção da educação aberta.

Débora Sebriam, coordenadora de projetos do Instituto e gestora de comunicação do projeto REA.br, iniciou o encontro explicando o conceito de educação aberta – termo generalista que faz referência a um movimento educacional que visa permitir o livre acesso a oportunidades de aprendizagem.

Na sequência, Gustavo Paiva, da Ação Educativa, problematizou sobre o crescente uso do sistema privado apostilado nas Secretarias Municipais de Educação no Brasil. Segundo ele, o modelo pode comprometer a garantia do direito à educação, já que as secretarias acabam optando por materiais prontos em vez de, elas mesmas, desenvolverem seus planos municipais de educação.

Por fim, os participantes tiveram a oportunidade de atuar em uma atividade de Design Thinking sobre a elaboração de projetos-pilotos de educação aberta. O resumo das atividades pode ser conferido aqui.

Educação integral transformadora

Ainda na pauta da educação, o Instituto Alcoa promoveu um encontro para falar sobre educação integral. Na oportunidade, os gestores puderam compartilhar a experiência do Programa ECOA – Educação Comunitária Ambiental com os participantes.

De acordo com os organizadores, a educação integral tem se mostrado um caminho produtivo para o desenvolvimento social, recebendo atenção crescente de iniciativas de investimento social privado.

O ECOA, desenvolvido pela Alcoa e a Evoluir em 30 escolas públicas brasileiras em seis localidades no Brasil, mostrou que as unidades educacionais são capazes de assumir um papel protagonista na realização de projetos de intervenção comunitária e mobilização de professores, gestores, alunos, famílias e moradores no processo de desenvolvimento social comunitário.

Por meio do programa, são realizados cursos de formação de professores, assim como distribuição de material lúdico educativo e atividades para alunos em contraturno escolar.

Desigualdade

“Como a desigualdade pode impactar o Brasil?”  Essa foi a pergunta que norteou as discussões do encontro promovido pela Escola de Governo, durante a Semana do Investimento Social, na sede da Ação Educativa, em São Paulo.

Durante a atividade, os participantes que puderam debater sobre como o investimento social pode atuar diretamente no combate à desigualdade social e como ela é capaz de gerar novos caminhos e mudanças significativas no país.

Os presentes ressaltaram a relevância dos assuntos abordados para sua vida cidadã e profissional e descataram o quanto foi significativo discutir a respeito deste tema.

Voluntariado

No evento “Tendências em inovação social para empresas”, realizado pela Atados, em parceria com o RioVoluntário e o Programa de Voluntariado da ONU, os presentes discutiram as tendências no investimento social privado a partir das ações promovidas pelas empresas no contexto do voluntariado e engajamento de públicos externos e internos.

O evento, que contou com 8 painelistas e 90 convidados, abordou o engajamento de públicos como uma forma de aliar o investimento social das empresas em ações concretas. Entre os destaques, Daniel Morais do Atados contou como mobilizar funcionários e comunidades de maneira inovadora, Gabriel Gomes, fez uma apresentação sobre o papel dos apoiadores de projetos e a comunicação como forma de engajamento social e a Luiza Serpia do Instituto Phi abordou as formas de investimento social em organizações com base em avaliações de resultados e indicadores.
Teoria da mudança
A Ink, especialista em gestão de impacto de projetos socioambientais, participou da Semana do Investimento Social, dentro do 9º Congresso GIFE, trazendo a Teoria da Mudança para o centro da discussão com os mais de 450 inscritos no seu Webnário Teoria da Mudança: do conceito à prática. Com participação intensa das pessoas, inclusive de outros países, Morgana Krieger, que conduziu o debate online, mostrou a importância deste método para mensuração e avaliação de impacto. Isso porque, sem a Teoria da Mudança desenhada com clareza, fica muito difícil comunicar e explicar para financiadores e demais atores o que realmente se está tentando fazer como organização e o objetivo de seus projetos. A ideia foi mostrar para as pessoas como elas podem identificar o melhor caminho a se seguir para causar o maior impacto social possível, antes de começar um novo projeto, ou mudar a rota no caso de iniciativas já em andamento que não estejam conseguindo alcançar o melhor resultado. O Webnário está disponível neste link: https://youtu.be/ZIQ6ZKiubzg.

Cocriação de investimento social

A Entrenós, consultoria de posicionamento socioambiental, destacou a importância de instituir processos de cocriação que potencializem a participação cidadã e empreendedora nas tomadas de decisão. O assunto foi tema de dois diálogos promovidos durante a Semana de Investimento Social – um deles na Goma, ecossistema empreendedor da economia criativa no Rio de Janeiro; e outro no coworking Viveiro Inovação Social, em São Paulo.

Ao catalisar contribuições da inteligência coletiva, os encontros se propuseram a endereçar soluções para desenvolver processos cada vez mais participativos na construção de estratégias de responsabilidade social. Nesse contexto, metodologias participativas de cocriação despontam como tendência de investimento social.

Em outro evento no Rio, a Entrenós e o Coletivo Vaga Viva trataram sobre parklet como investimento social privado. A política pública que permite transformar vagas de carro em áreas de convivência propicia a discussão sobre a cidade para as pessoas e o uso do solo com igualdade, e está ganhando espaço pelas cidades Brasil afora.

Cadeia alimentar

A Fundação Cargill promoveu a Roda de Conversa para apresentação do Projeto de grão em grão – Transformando a Cadeia por uma Alimentação Saudável. Além de compartilhar os resultados alcançados com o projeto – que tem o objetivo de apoiar a produção, a oferta e o despertar para o consumo de alimentos saudáveis e de qualidade nas regiões onde há operações da Cargill, o evento contou com um bate papo em que foram trocadas experiências e conhecimentos sobre o tema. O encontro reuniu 30 participantes, entre eles, representantes de Organizações do Terceiro Setor, Instituições empresariais, Startups e funcionários da Cargill e da Fundação Cargill.

Editais

No dia 29/3, o Prosas, plataforma de seleção e monitoramento de projetos sociais, promoveu o debate sobre “A Importância dos Editais para o Investimento Social Privado” com Lárcio Benedetti, pesquisador e autor de livro no tema, e Eduardo Hupfer, da superintendência de sustentabilidade do Banco Itaú.

Mediados por Bruno Barroso, sócio do Prosas, cerca de 50 representantes de investidores sociais e ONGs ouviram e discutiram tendências, boas práticas e casos de uso de editais para a seleção de projetos sociais. Para Barroso, “um importante desafio discutido foi a falta de ferramentas adequadas para gerenciar o investimento social privado”.

O debate aconteceu no CUBO, coworking de empreendedorismo e inovação mantido pelo Banco Itaú, com apoio da Nexo Investimento Social. Há mais informações em www.prosas.com.br

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