Delegação do GIFE e IDIS participa do Global Philanthropy Forum nos Estados Unidos

Com a proposta de reunir a comunidade internacional filantrópica para compartilhar as melhores práticas e trocar experiências, a fim de levantar soluções que tragam uma diferença tangível, duradoura e comprometida com a sociedade, foi promovida mais uma edição do Global Philanthropy Forum. O evento, promovido de 22 e 24 de abril em Washington, nos Estados Unidos, contou com a participação de uma delegação brasileira formada por 12 representantes de organizações do país.

Ana Carolina Velasco, gerente de relacionamento do GIFE, apontou a importância dessa atuação conjunta. “Participar como delegação nos conecta também com os pares do Brasil. Nos conhecemos melhor e nos apresentamos como um grupo alinhado com o investimento social privado brasileiro. Foi um momento de aprendizado e troca”.

“Mais um ano GIFE e IDIS mobilizaram com sucesso o grupo. Formamos a maior delegação internacional do evento e foi um orgulho ouvir os palestrantes citarem diversas vezes experiências exitosas de filantropia e investimento social nosso país”, comentou Raquel Coimbra, gerente de Projetos do IDIS.

O Fórum deste ano teve como proposta central discutir os desafios globais e quais os papéis e responsabilidades das empresas, da filantropia e do setor público frente a essas demandas, seja atuando de forma individual quanto coletivamente. Os painéis e sessões de trabalho buscaram debater sobre métodos para combater os problemas sociais de larga escala, como o reforço aos sistemas de saúde e a mobilização de fluxos de capital privado para o desenvolvimento, assim como desafios crônicos e agudos, como a escravidão moderna, surtos de doenças e eventos climáticos extremos.

A ideia foi compreender as formas pelas quais as estratégias de prevenção e resposta filantrópicas, empresariais e governamentais podem ser aplicadas e, potencialmente, combinadas. Em todos os debates, mais uma vez foi reforçado a importância e a necessidade urgente de comunicação e coordenação entre os setores da sociedade.

No Fórum, estiveram presentes, compartilhando suas experiências, profissionais mundialmente conhecidos, como Tony Blair, que, após dez anos atuando como Primeiro Ministro da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, atua em suas fundações: Tony Blair Faith Foundation, the Tony Blair Africa Governance Initiative e the UK-focused Sports Foundation. A Fundação Fé promove o respeito às religiões do mundo por meio da educação e da ação multireligiosa. Já a a Iniciativa de Governança África opera em Ruanda, Serra Leoa, Libéria, Guiné, Etiópia e Nigéria e destina-se a ajudar a construir a capacidade dos governos para combater a pobreza e desenvolver programas que melhorem a vida das pessoas, dos serviços públicos e do desenvolvimento rural.

Em seu painel, Tony Blair (assista ao vídeo) reforçou a importância do trabalho conjunto e definição de metas comuns entre filantropia e setor público. “O governo tem problema de ser mais lento e menos criativo nos processos e a filantropia pode ajudar com os riscos que tomam a encontrar soluções para os problemas. Acredito que a filantropia pode prover novas fronteiras e, se desenvolverem as ações juntos, podem cumprir a missão melhor”, afirmou.

Já em conversa com Jane Wales, o presidente do Banco Mundial Jim Young Kim (assista ao vídeo) lançou a pergunta: “”Nosso sonho é um mundo livre de pobreza. Quando é que isto vai parar de ser um sonho e começar a ser um plano?”” Jim destacou a visão do Banco para eliminar a pobreza extrema até 2030, enfatizando a a importância de investimento em infraestrutura, assim como ter o foco em educação e saúde, especialmente em mulheres e saúde.

O paulistano Alessandro Carlucci, que foi presidente da Natura durante nove anos, quando reduziu em 33% as emissões de CO2 pela empresa, também esteve presente como palestrante no Fórum, numa mesa de debate que discutiu a abordagem dos três setores para o desenvolvimento sustentável, enfatizando os desafios para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (DPSs) e o papel de cada um neste contexto.

No debate, Alessandro Carlucci falou sobre o importância para a empresa em seguir princípios de responsabilidade social. “A certificação B não necessariamente faz nosso cliente comprar batom, mas nos ajuda muito internamente nas reflexões e padrões. Seguir esses princípios nos ajuda como empresa”, comentou.

“A mensagem geral do evento foi que a filantropia privada tem um papel muito importante, pois pode correr riscos, ajudando a criar soluções para serem escaladas. Ela tem também um papel essencial na influência do diálogo com governo”, comenta Ana Carolina, gerente do GIFE.

Para Rafael Luis Pompeia Gioielli, gerente geral do Instituto Votorantim, dois aspectos se destacam no Global Philanthropy Forum. “Primeiro, a qualidade da programação. Foram tratados temas de ponta e os palestrantes possuíam grande domínio e profundidade nos assuntos tratados. Segundo, o espaço de troca e networking que ocorreu durante as sessões e nos intervalos. As trocas diretas entre pares foram constantes e foi possível compartilhar conhecimentos e desenhar possíveis parcerias”, enfatizou.

Izabel Toro, da Editora FTD, também aprovou a iniciativa. “Participar de eventos como o GPF é essencial para estabelecer parcerias e conexões que possibilitam um investimento social com mais qualidade, inovação e impacto transformador”.