Rede Jornalistas das Periferias promove 1ª Virada Comunicação

Comunicadores e coletivos que atuam a partir das periferias da Grande São Paulo estão transformando o mercado editorial com novas formas de produção de informação, que despertam a discussão sobre a representação desses territórios na mídia convencional. A Rede Jornalistas das Periferias é composta por 13 coletivos de diferentes áreas da comunicação que juntos reúnem mais de 200 mil seguidores nas redes sociais e alcançam mensalmente uma média de 1 milhão de visualizações. Com a proposta de debater, refletir e apontar caminhos para a abordagem jornalística de temáticas das periferias, a Rede realizará, no dia 16 de setembro, a 1ª Virada Comunicação, no Centro Cultural do Grajaú, no extremo sul da capital paulista. O evento terá entrada gratuita e já recebeu mais de 300 inscrições.

Para os idealizadores, a Virada Comunicação é um marco da organização de coletivos e comunicadores que acreditam na importância de ampliar a discussão sobre a representação jornalística que atualmente é realizada sobre essas regiões da cidade, conectando protagonistas que constroem uma outra narrativa possível sobre o cotidiano das periferias. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Tide Setubal, Ford Foundation e Instituto Alana, que também contribuíram com a construção desses debates disponibilizando suas pesquisas sobre temas diversos voltados à periferia, como educação, cultura, infância.

“Idealizamos a Virada Comunicação como um marco da organização de diferentes agentes sociais que não aceitam que outros escrevam nossa história ao passo em que pautamos, contrapomos e conectamos protagonistas que constroem uma outra narrativa possível”, diz a Rede, em texto de apresentação.

Entre os apoiadores, a Fundação Ford já tem um histórico em apoiar projetos que pensam uma forma inovadora de produzir jornalismo. “Temos apoiado trabalhos de jornalismo independente em várias frentes e buscamos acompanhar a vitalidade deste campo. A ideia de uma rede de jornalistas das periferias nos chama a atenção pelo fato de ser rede, de ser uma ação coletiva, ativando múltiplos territórios que precisam conversar, e dialogando com atores que operam num modelo e numa estrutura vertical”, conta Graciela Selaimen, program officer da organização no Brasil.

O evento tem o objetivo de debater, refletir e apontar caminhos para a abordagem jornalística de temáticas do cotidiano de quem mora nas bordas da metrópole. Juntos, os 13 coletivos que compõem a Rede Jornalistas das Periferias dialogam com um público médio de 1 milhão de internautas por mês. O encontro é voltado a estudantes e profissionais da comunicação, ativistas e movimentos sociais, moradoras e moradores das periferias da Grande São Paulo.

“A Virada da Comunicação debaterá a imagem da periferia, as desigualdades, o direito à cidade, temas alinhados com a missão da fundação”, diz Fernanda Nobre, coordenadora de comunicação da Fundação Tide Setubal, ressaltando a importância do evento para compartilhar conhecimento. “As desigualdades na cidade são complexas, as periferias são múltiplas. É preciso compartilhar saberes, dialogar e construir pontes entre diferentes territórios como forma de contribuir para a redução das desigualdades. A produção de comunicação das periferias é fundamental para essa troca”.

Com mais de 10 horas de atividades, a Virada Comunicação mesclará oficinas de comunicação, intervenções culturais e mesas de debate com a participação de 34 convidados, que discutirão temas como a conjuntura atual das periferias, genocídio e segurança pública, questões de gênero, etnias e identidades, educação e cultura, transporte e desenvolvimento local, moradia e meio ambiente, democratização da mídia e formas de atuação na comunicação.

Laura Leal, gerente de relações institucionais do Alana, descreve a Virada Comunicação como uma iniciativa que valoriza o jornalismo produzido na periferia. “O jornalismo produzido nas periferias é uma ferramenta fundamental para a boa prática democrática. Ele é capaz de fomentar debates, ampliar olhares, apresentar novas vozes e diferentes pontos de vista.”

Virada Comunicação

Data: 16 de setembro de 2017, sábado

Horário: 09h às 22h

Endereço: Centro Cultural do Grajaú – Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 – Grajaú – Extremo Sul de São Paulo

Inscrições gratuitas no link aqui .

 

Programação

09h – Recepção – Credenciamento e café da manhã

10h às 12h – Mesa de abertura: Notícia com CEP

12h – Almoço

13h20 às 13h50 – Intervenção cultural

14h às 15h30 – Mesas simultâneas – primeira rodada

Mesa 1: Genocídio e Segurança Pública

Mesa 2: Educação e Cultura

Mesa 3: Moradia e Meio Ambiente

15h30 – Intervalo para café

16h às 17h30 – Mesas simultâneas – segunda rodada

Mesa 4: Etnias – Indígenas, negros e imigrantes

Mesa 5: Transporte e Desenvolvimento Local

Mesa 6: Questões de gênero e sexualidade – Influência no feminino, no masculino e na população LGBT

Mesa 7: Educomunicação e Direito à Comunicação – Como pautamos? Pautamos certo? O que precisamos pautar?

17h30 – Intervalo

17h40 às 19h30 – Painel de Encerramento: Comunicação e como viver dela

19h40 – Show de encerramento

Sobre a rede

Formada por comunicadoras, comunicadores e coletivos que atuam a partir das bordas da Grande São Paulo, a Rede Jornalistas das Periferias tem como objetivo promover e disseminar a informação produzida pelas e para as quebradas. O movimento acredita na potência e importância de que essas vozes sejam protagonistas também no conteúdo jornalístico sobre essas regiões da cidade, constituídas historicamente em condições sociais de desigualdade de raça, classe e gênero que se reproduzem, inclusive, no ambiente profissional da comunicação.

Sobre a Virada

A Virada Comunicação é realizada com apoio da Ford Foundation, Fundação Tide Setubal e Instituto Alana, e é idealizada e organizada por 13 coletivos integrantes da Rede: Alma Preta, Capão News, Casa no Meio do Mundo, Desenrola E Não Me Enrola, DiCampana Foto Coletivo, DoLadoDeCá, Historiorama: Conteúdo&Experiência, Imargem, Mural – Agência de Jornalismo das Periferias, Nós, Mulheres da Periferia, Periferia em Movimento, Periferia Invisível e TV Grajaú.

Related news

Apoio institucional