Rede Marista de Solidariedade lança publicação sobre avaliação na Educação Infantil

Com o objetivo de discutir, política e pedagogicamente, a construção de indicadores e de processos avaliativos, sob o ponto de vista da oferta e do percurso formativo na Educação Infantil, a Rede Marista de Solidariedade (RMS) acaba de lançar, por meio da Editora Champagnat, a publicação Avaliação “Da” e “Na” Educação Infantil: Significando Conceitos e Práticas.

A partir dessa reflexão, os autores do livro debatem, além do próprio processo avaliativo, questões como participação, oferta, acesso e qualidade da educação. O RedeGIFE conversou com Vanderlúcia da Silva, coordenadora de projetos, parcerias e incidência da RMS para entender melhor a iniciativa. Confira:

RedeGIFE – Como surgiu a proposta de desenvolver uma publicação que olhasse para a questão da avaliação na Educação Infantil?

Vanderlúcia da Silva A avaliação está presente em diversos espaços que discute a educação, tanto no que se refere à aplicação de testes quanto no debate sobre as concepções que dizem respeito à sua formulação, adequação, objetivos e usos. A Educação Infantil também está na pauta no ambiente social e educacional e é tema presente na legislação e na política pública de educação no Brasil pelo menos desde 1996.

A Rede Marista de Solidariedade tem um olhar cuidadoso para essa questão e tem desenvolvido projetos e metodologias visando um entendimento de filiar a referida oferta à perspectiva crítica reconhecendo a(s) infância(s) como direito, portanto, como cidadania infantil em desenvolvimento físico, intelectual, afetivo e social.

RedeGIFE – Como se deu o processo de pesquisa e construção dos conteúdos?

Vanderlúcia da Silva Levando em conta a experiência desenvolvida na RMS, o reconhecimento, tanto da pertinência quanto dos desafios que pautam as discussões e iniciativas em torno da avaliação da/na Educação Infantil, justifica nosso propósito em reunir pesquisadores de diferentes espaços acadêmicos e educadores da RMS, buscando sistematizar as discussões e embates aportados à temática e elucidar as possibilidades e desafios inerentes ao desenvolvimento e implementação de uma matriz avaliativa atenta à referida perspectiva.

Assim, o texto introdutório traduz a leitura das pesquisadoras Fabiane Lopes de Oliveira e Ilda Lopes Witiuk, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), buscando conferir visibilidade à concepção de direito à Educação Infantil no contexto da legislação brasileira. Proposição que intenciona elucidar subsídios fundamentais para pensar a avaliação na perspectiva do direito da criança.

O primeiro capítulo, caracterizado pela construção teórica das pesquisadoras Bruna Ribeiro – assessora de avaliação em Educação Infantil no Departamento de Orientações Técnica da Secretaria Municipal de São Paulo e Catarina Moro – Universidade Federal do Paraná (UFPR) -, busca elucidar os cenários pertinentes à discussão e à consolidação de propostas de avaliação da/na Educação Infantil. Construção que se aporta às experiências internacionais e ao delineamento das políticas em curso em âmbito nacional referentes à temática.

Por sua vez, o segundo capítulo traduz o esforço de educadores da RMS, aportados na experiência de construção e implementação de uma Matriz de Avaliação para a oferta de Educação Infantil nas Unidades Educacionais vinculadas à Rede, em demonstrar as concepções e práticas que viabilizam o levantamento de indicadores e desenvolvimento de uma proposta avaliativa da/na Educação Infantil centrada no direito da criança.

O terceiro e último capítulo caracteriza a intencionalidade de demonstrar a busca da Rede em pensar processos de gestão articulados ao seu posicionamento e práticas, tendo o ideário de qualidade e participação como princípios de um modelo de gestão a serviço da defesa e promoção dos direitos das infâncias.

RedeGIFE – A publicação chega a apontar caminhos para o impacto na qualidade da Educação Infantil no Brasil? É possível destacar um ou dois?

Vanderlúcia da Silva A obra se caracteriza pelo esforço de discutir, política e pedagogicamente, a construção de indicadores e de processos avaliativos, sob o ponto de vista da oferta e do percurso formativo na Educação Infantil.

Ao reconhecer a importância da reflexão sobre a avaliação “da” (indicadores de contexto em que são realizadas as práticas educativas) e “na” (indicadores do processo educativo no interior das instituições) Educação Infantil, os autores deste livro buscam a mobilização e o comprometimento de educadores e demais agentes que definem políticas educacionais na concepção de uma avaliação participativa, potencializando o debate sobre qualidade da oferta.

Dessa forma, a intencionalidade é demarcada pelo desejo de indicar a possibilidade de construir espaços de oferta de Educação Infantil de qualidade social como direito das crianças, consequentemente, pela construção de processos avaliativos igualmente centrados na perspectiva do direito.

Para saber mais sobre a publicação, clique aqui.

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