“Alinhamento entre investimento social e negócio” é tema de nova publicação do GIFE

Tema muito caro à maioria dos investidores, a relação entre ISP e negócio foi assunto de debate de um painel rico em experiências e reflexões sobre esse grande desafio durante o Congresso GIFE. O encontro foi, ainda, a oportunidade para o lançamento da publicação Alinhamento entre o investimento social privado e o negócio”, uma iniciativa do GIFE, que contou com pesquisa e redação do consultor Rafael Oliva.

Olhando para diferentes perspectivas e desafios, o debate se voltou para a relevância do investimento social privado e suas conexões entre as esferas pública e privada. Participaram do painel representantes do FGVCes, Instituto Coca-Cola, Instituto C&A e Instituto Votorantim.

Coube ao mediador Aron Belinky fazer a introdução do painel. Em sua fala inicial, destacou que o tema proposto vem ganhando grande visibilidade nos últimos anos. “É uma tendência e faz parte de uma esfera muito mais ampla. As fronteiras entre o público e o privado têm se misturado, apontando novos desafios para esse movimento. Precisamos entender oportunidades e riscos associados ao alinhamento entre o investimento social e o negócio.”

Rafael Oliva, pesquisador e consultor responsável pela publicação, afirmou que, como profissional do campo social, sempre teve uma percepção de que não estavam realmente claros os significados desse fenômeno. Ressaltou que se fez necessário, neste momento do setor no Brasil, um olhar mais cuidadoso para explorar o campo discursivo sobre o alinhamento.

A pesquisa contou com uma escuta atenta, encontros com grupos de associados, entrevistas com representantes de empresas e especialistas, além de dados do Censo GIFE. A proposta foi identificar modos como instituições pensam e processam a prática do alinhamento.

“É importante frisar que não há um modelo único, um manual, um conjunto concreto de boas práticas. Existem muitas visões e vários modos de pensar a questão. O estudo fala em alinhamentos, no plural, modalidades de aproximação entre os dois lados: o interesse empresarial e o interesse público.”

Inspirada pelas ponderações de Aron e Rafael, Giuliana Ortega, gerente de sustentabilidade da C&A, trouxe para a conversa o caso vivenciado por sua organização nos últimos anos. “Ainda estamos buscando clareza e mais respostas. Entendo que é um processo que estamos começando. É um caminho muito novo para nós.”

A gestora explicou que o alinhamento veio com o trabalho de redirecionamento de foco, encampado pela empresa há dois anos. “Foi olhando para os grandes desafios socioambientais da nossa indústria, do setor, que começamos a perceber que o investimento social poderia ser indutor de transformações em prol da geração de valor para a sociedade.”

Daniela Redondo, diretora executiva do Instituto Coca-Cola Brasil, também falou sobre diversidade de modelos. Ela ressaltou que, ao fazer o mergulho no tema e explorar os desafios e oportunidades, se deparou com a resposta: não existe verdade absoluta. “São muitas variáveis. É preciso levar em conta o modelo de negócio, as vocações e expertises de cada instituto ou fundação. Depende muito da maturidade da organização. É uma história construída a partir de muitos erros e acertos.”

Ela contou que, para a Coca-Cola, o investimento social privado deve estar muito próximo da cadeia de valor da companhia. “Um dos nossos desafios era escala, por exemplo. Então, olhando para o alinhamento, começamos a usar os ativos do negócio para gerar valor social e escala. Assim começamos a construir esse case há seis anos.”

Entre outros aprendizados, ela destacou a importância do envolvimento da alta liderança e dos conselhos para grandes tomadas de decisões. Contudo, apesar de toda a abertura para participação, afirmou: “A palavra final, quando a questão diz respeito ao beneficiário, é do Instituto e não do negócio.”

Valor compartilhado

Rafael Gioielli, gerente geral do Instituto Votorantim, acredita que o esforço pelo alinhamento deve ter em vista a geração de valor para os dois lados: o social e o negócio. “O investimento social privado não pode ser míope para os desafios sociais da corporação. Estou falando aqui no papel de um profissional que atua com um investimento que sai do caixa da empresa, um recurso que onera o resultado da negócio, do acionista. Nesse sentido não há como não ter alinhamento.”

Para Rafael, o que está em jogo hoje é o papel que o social ocupa no negócio. “Vejo que saímos do anexo e fomos para a sala principal. O social não está fora da operação, fora da cadeia. As empresas começaram a entender que elas são parte do problema e parte da solução. É com esse entendimento que começamos a ver outro tipo de relação entre o investimento social e as empresas.”

Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural, ressaltou também a importância de entender os diferentes perfis de empresa – e como isso deve impactar o alinhamento. Segundo ele, em organizações menores, de atuação local, o investimento social acontece mais dentro do seu próprio mercado, é mais instrumentalizado. Já no caso de grandes companhias, espera-se um investimento mais reputacional, ligado a grandes causas, mais estratégico. A própria sociedade cobra isso.

Nessa segunda linha, ele destacou a importância do diálogo entre os dois lados da parceria. “A inteligência e a experiência acumulada dos institutos e fundações nos coloca em um patamar de igualdade para discutir questões estratégicas com o tomador de decisão. Estou falando sobre a importância do diálogo. Precisamos aprender a trabalhar na perspectiva da empatia. Temos que tratar o core business e a causa na mesma dimensão.”

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