Congresso GIFE irá debater a importância do diálogo e transparência na construção do sentido público

Quais os riscos e oportunidades que se colocam cotidianamente e em contextos em que há mineração? Onde as reflexões e ferramentas da responsabilidade social empresarial ainda podem contribuir nessas discussões? Os papéis e responsabilidades continuam os mesmos nos territórios em que há grandes empreendimentos? Quais são os desafios específicos do investimento social privado nestes contextos? Que soluções podem ser propostas a partir de novos arranjos?

Para provocar a reflexão sobre essas questões tão desafiantes para empresas, investidores sociais e sociedade nos territórios, e apontar possíveis caminhos, o GIFE promove, durante o seu 9º Congresso, o painel “Mineração, diálogo e transparência na construção do sentido público”. O parceiro na proposição dessa mesa é o Grupo de Diálogo: Mineração, democracia e desenvolvimento sustentável (GDM), do qual o GIFE faz parte, juntamente com alguns associados, como o Instituto Lina Galvani, Fundação Vale, Alcoa, Instituto Votorantim e Fundação Avina.

A partir de uma atividade participativa e interativa, o painel pretende suscitar um intenso debate a respeito dos reais avanços que o movimento da responsabilidade social empresarial teve nos últimos 20 anos quando se discute o diálogo e a transparência em operações empresariais impactantes, como no caso a da mineração.

“Trazer esse tema para o debate é um forte sinal de que há uma preocupação do investimento social privado (ISP) sobre a atuação social das empresas”, comenta Ana Letícia Silva, gerente de Articulação do GIFE.

A escolha por trazer estes dois elementos como base para o debate – o diálogo e a transparência – não é por acaso, ressalta Bruno Gomes, moderador da atividade e diretor de projetos da Agenda Pública – organização que fomentou o GDM. O especialista ressalta que estes são aspectos essenciais para que se possa promover um desenvolvimento sustentável.

“Diálogo e transparência são condições primordiais para se alcançar uma agenda de desenvolvimento que faça sentido para os atores locais, que as comunidades se apropriem das mudanças e sejam protagonistas. Por isso, as discussões desse painel, apesar de trazerem o tema da mineração, serão muito ricas para outros setores empresariais que também têm presença territorial forte, como indústrias extrativas, empresas do agronegócio, de infraestrutura etc”, aponta Ana Letícia.

O ISP e o diálogo

Na avaliação dos especialistas, não há como discutir o sentido público do ISP – tema dessa edição do Congresso – sem falar em um diálogo intersetorial e transparente.

Bruno Gomes ressalta que essa sinergia já começa no primeiro momento, no qual a empresa irá definir o seu investimento social. “Ou seja, ela deve fazer isso de forma dialogada com a comunidade e o governo local e não fechada em seu escritório. Se isso acontecer, com certeza essa iniciativa terá muito mais chances de sucesso, pois irá responder melhor às demandas reais e por garantir o envolvimento ao que está sendo proposto”, acredita.

Outra aproximação entre o investimento social, o diálogo e a transparência, lembra Ana Letícia, é o fato de que os institutos e fundações têm sido atores fundamentais na busca por processos mais dialógicos e transparentes nos territórios, garantindo um relacionamento mais próximo e eficiente entre empresas e comunidades.

“As áreas responsáveis pelo investimento social costumam estabelecer interlocuções mais próximas com a sociedade, como já é esperado. Mas, as demais setores da empresa devem ser envolvidos neste processo. A operação em si deve ser objeto de diálogo no território, assim como as questões que envolvem segurança e aspectos ambientais etc, a fim de que tudo seja conduzido de forma dialogada e transparente”, pondera o diretor da Agenda Pública, destacando que se trata, portanto, de uma visão de responsabilidade social.

“Se a empresa não for responsável, ela pode colocar todo o investimento social privado em risco”, alerta a gerente de Articulação do GIFE.

E, se quiser ir além, o investimento social pode, ainda, apoiar iniciativas para o fortalecimento de instituições que garantam esse diálogo e transparência no território, como, por exemplo, conselhos, associações participativas, pesquisas etc. “Lembrando que ser transparente não diz respeito apenas a disponibilizar informações, mas torná-la compreensível em todos os processos e para todos os atores locais envolvidos”, explica Bruno.

Articulação regional

As importantes reflexões que surgirem nesta mesa de debate durante o Congresso GIFE, inclusive, já servirão de base para o início do processo de escuta que o GDM irá promover ao longo deste ano como parte das atividades previstas pelo grupo brasileiro ao processo de construção do referencial de modelo de transparência do país, que será também utilizado para a elaboração do protocolo de transparência para as indústrias extrativas na América Latina, a ser lançado pelo Grupo de Diálogo Latinoamericano (GDL) – do qual o Brasil faz parte.

No país, diversos atores sociais, como empresas, governos, organizações não governamentais e iniciativas que trabalham no contexto da mineração, serão consultados para elaborar o documento, que, depois, será levado para o GDL. “Acreditamos que esse processo de engajamento e construção colaborativa traz ao protocolo grandes chances de ser implementado, pois todos se sentirão parte e atores do documento. O nosso grupo terá um olhar prioritário para essa linha de trabalho”, comenta Bruno Gomes.

O GDL parte da premissa de que promover uma maior transparência na região permitirá uma ampliação de confiança entre os diferentes atores, além de melhorar a gestão de recursos e serviços públicos, criando um clima de investimento mais atrativo, reforçando a legitimidade e sustentabilidade dos projetos desenvolvidos.

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