Investimento social corporativo no Brasil em 2014 foi de R$ 3,88 bilhões

Mais de R$ 3,88 bilhões foram investidos no campo do investimento social corporativo no Brasil em 2014, aponta estudo realizado em parceria entre o GIFE e a organização Comunitas. Se comparado à primeira pesquisa, de 2012, o valor representa um aumento de quase 20%, tendo em vista que os investimentos daquele ano foram de R$ 3,2 bilhões.

Os dados são da sétima edição do Censo GIFE e da oitava edição do Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC). Para chegar aos resultados, as organizações juntam seus dados e trabalham com uma metodologia que evita, por exemplo, casos de duplicidade.

Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE, destaca a importância da parceria para se ter um retrato mais próximo e fiel no que diz respeito ao volume total aplicado em iniciativas e programas de investimento social corporativo realizados no Brasil.

Isso porque tanto o Censo GIFE quanto o BISC são estudos já consolidados e com série histórica, e reúnem informações dos principais investidores sociais no país. O Censo GIFE, por exemplo, foi lançado em 2001 e se tornou a pesquisa referência sobre investimento social privado. Ele traz bianualmente informações confiáveis, abrangentes e de qualidade sobre quanto e como se investe no Brasil.

A edição atual teve o maior índice de participação, com 113 respondentes das organizações associadas – o equivalente a 90% da base na época da pesquisa (junho e julho de 2015). Ao apresentar as principais características e tendências na prática dos maiores investidores sociais privados do país, o Censo GIFE dá suporte ao planejamento e estruturação dos investidores e ao setor do investimento social e da sociedade civil como um todo.

Já o BISC acompanha anualmente o investimento social corporativo no Brasil e teve 336 empresas representadas. Iniciada em 2008, a pesquisa conta com uma parceria com o CECP e com a Exchange, o que permite comparar esses investimentos com padrões internacionais.

Regina Célia Esteves de Siqueira, diretora-presidente da Comunitas, destaca que, na contramão do caminho trilhado pela economia, cujo PIB foi de 0,2%, os investimentos sociais cresceram 11% em 2014, sendo que 67% das empresas destinaram mais da metade dos recursos aos projetos alinhados ao negócio, o que mostra uma tendência da área.

Censo GIFE

A última edição do Censo GIFE mostrou que, em 2014, o volume total investido pelos associados alcançou a ordem de R$ 3 bilhões, um volume comparado ao do Ministério da Cultura, que é de R$3,27 bilhões. Houve um crescimento da mediana: em 2011 foi de R$4,8 milhões e, em 2014, R$ 6,1 milhões, sendo um crescimento de 27,85%.

Como origem dos recursos para o investimento social, predominam as fontes próprias (47%) e doações de empresas mantenedoras (22%). Além disso, 40% dos associados usaram algum tipo de incentivo fiscal na composição do orçamento, sendo que o total de recursos incentivados foi na ordem de R$510 milhões (17% do investimento social). As principais leis utilizadas foram Lei Rouanet (31%), Lei de Incentivo ao Esporte (18%) e Fundo da Infância e Adolescência (17%).

As decisões sobre o orçamento estão mais concentradas na alta gestão das mantenedoras e tem aumentado também o papel dos conselhos de administração como instância de decisão. “É interessante observar que quanto mais centralizada a decisão está nos altos escalões, mais ela se torna estratégica. Mas, pode haver certa volatilidade destes processos, pois se muda a alta gestão, pode ocorrer mudanças nos rumos do investimento social”, comentou Iara Rolnik, gerente de Conhecimento do GIFE.

Nesta sétima edição da pesquisa, foram incluídas perguntas mais reflexivas que buscaram conhecer a percepção dos associados sobre os temas abordados, o posicionamento atual das organizações e explorar tendências do setor para os próximos anos com relação a grandes assuntos, tais como: a parceria com outras organizações da sociedade civil; o alinhamento com as políticas públicas; a interface com as demandas do negócio de suas mantenedoras; as oportunidades de coinvestimento em parceria com instituições do campo; o apoio a negócios sociais, bem como a mobilização de outros segmentos sociais por meio de ações de voluntariado; e da promoção de doações de pessoa física.

Novidades

Entre as novidades deste Censo está o lançamento na segunda semana de agosto dos “Key Facts”, em parceria com a Foundation Center (EUA), com a produção de infográficos a respeito das principais descobertas da pesquisa. O material será publicado em português e inglês.

Para debater os temas abordados no Key Facts, inclusive, será realizado um debate online, também em agosto (aguarde mais detalhes em breve).

Outros produtos a serem disponibilizados aos associados do GIFE são os relatórios de comparação, a fim de que os investidores possam se avaliar diante dos seus pares em diversos aspectos do investimento social.

Neste ano, se iniciará também a reformulação e aprimoramento do questionário base do Censo, a ser aplicado em 2017.

A  gerente de Conhecimento do GIFE destaca a importância do Censo diante da escassez de dados sobre o terceiro setor. “Não temos muitas pesquisas cadastrais e não existe uma base de dados a respeito deste assunto. Por ser um setor muito heterogêneo – que engloba desde instituições religiosas, quanto pequenas entidades sociais e grandes fundações empresariais, por exemplo, com naturezas jurídicas diferentes entre si – é muito difícil de se caracterizar, ter um acompanhamento e coletar informações. O Censo é a pesquisa mais longa e abrangente sobre este tema no Brasil”, comenta.

Clique aqui e veja a notícia completa do lançamento da última edição do Censo GIFE.

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