3º Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental reflete sobre o impacto da pandemia e traz panorama sobre a diversidade no ecossistema

O 3º Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental, lançado no dia 28 de abril, delineia um cenário difícil para a economia mundial, mas aponta avanços importantes. Por exemplo: apesar de muitos negócios ainda não serem sustentáveis financeiramente, a maioria deixou a fase de ideação e está caminhando para um modelo financeiramente sustentável.

O estudo é uma realização da Pipe.Social com patrocínio da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (ENIMPACTO), Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, Climate and Land Use Alliance, Fundo Vale, Instituto Clima e Sociedade e Instituto Sabin.

“Mais da metade dos negócios viram a pandemia como oportunidade. Houve uma mobilização maior do setor privado que entrou na onda ESG [Environmental, Social and Governance] com seus institutos e fundações investindo em negócios de impacto”, comenta Mariana Fonseca, CEO da Pipe e coordenadora do estudo.

Perfil sociodemográfico aponta desafios relacionados à diversidade do ecossistema

Dentre as principais descobertas, o mapeamento mostra que  as mulheres estão presentes em 67% dos negócios e os homens em 71%. Apesar do número expressivo, as empresas administradas por times femininos tendem a receber menos recursos financeiros e o resultado disso é a presença menor entre os negócios em fase de escala: 25% das mulheres contra 35% de homens.

Em relação à raça, o desequilíbrio é um pouco maior: 66% são brancos e os empreendedores negros registram maior dificuldade de acessar investimentos. Entre a base não investida, 20% são de negócios liderados por negros e entre aqueles em fase de escala, apenas 10% têm empreendedores negro na liderança.

A região Norte do país é a que apresenta maior equidade nesse quesito, registrando 50% de empreendedores brancos, 38% de pardos e negros e 8% de origem indígena.

A descentralização regional, um dos atuais debates promovidos no setor, também foi objeto do estudo. São Paulo continua sendo o principal pólo de empreendedorismo no país. O mapeamento mostrou que 58% dos negócios estão na região Sudeste (sendo 40% em São Paulo, 1% no Rio de Janeiro, 6% em Minas Gerais e 2% no Espírito Santo), 16% no Nordeste, 15% no Sul e 5% no Norte e no Centro-Oeste.

O Mapa aponta ainda a necessidade de explorar a relação capital versus interior, tendo em vista o menor acesso a investimentos e programas de aceleração em pequenas cidades.

Evolução e principais tendências

De acordo com a pesquisa, a urgência em mostrar os resultados relacionados aos objetivos da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), estourou a bolha dos negócios de impacto socioambiental, com maior aporte de empresas e investidores.

“Propósito e impacto positivo passaram a fazer parte do escopo de trabalho e das reuniões de gigantes nacionais e internacionais. O tema está ultrapassando as paredes de setores específicos, como o da responsabilidade social de empresas e dos institutos e fundações, para chegar mais próximo de outras áreas e gestores mais ligados ao core business das marcas”, analisa Mariana, acrescentando que a tendência é que esse ativismo empresarial impulsione uma maior participação das empresas no ecossistema de impacto de forma estruturada, programática e pragmática.

O Mapa também traz uma análise do movimento ESG. Os fundos registrados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) dobraram de tamanho no país, chegando a 1 bilhão de reais, sendo 17 novos fundos.

Outro destaque está no crescimento da modalidade de Venture Philanthropy, uma abordagem estratégica e de longo prazo que pressupõe mensuração do impacto, customização do financiamento e suporte além do financeiro por meio de processos de mentoria. O estudo mostra que o modelo avança no país e tem revelado um movimento de democratização dos investimentos, em especial por meio do crowdfunding.

“O cenário de apoio aos negócios de impacto brasileiros possui uma alta demanda reprimida por aceleração e incubação. Iniciativas de fortalecimento regionais, que reúnem organizações de apoio financeiro e não financeiro em uma única plataforma e com visão estruturante de longo prazo têm tido êxito na descentralização desse tipo de oferta, além de conseguir customizar os programas para atender aos diferentes perfis e desafios dos negócios” observa Mariana.

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