BM&FBOVESPA convida para consulta pública sobre aprimoramento do questionário do ISE

Que tal estar envolvido em uma iniciativa que influencia as práticas de sustentabilidade das maiores empresas do Brasil? Se ficou interessado, então participe da consulta pública que a BM&FBOVESPA e o Centro de Estudos em Sustentabilidade (Gvces) da Fundação Getúlio Vargas promovem até o dia 30 de março para a revisão do questionário do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

O ISE é uma ferramenta para análise comparativa da performance das empresas listadas na BM&FBovespa sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. O índice é atualizado a partir de questionários que são distribuídos entre as empresas emissoras das ações mais líquidas da BM&FBovespa. A cada ano, o ISE contempla uma carteira com as 40 empresas que mais se destacaram pelo desempenho da sustentabilidade.

O objetivo da consulta pública será aprimorar os critérios existentes, bem como incluir outros novos relevantes, tendo em vista que, neste ano, significativas mudanças estão propostas no questionário, como resultado de um “ciclo longo” de revisão, iniciado em 2014. Algumas contribuições já foram feitas também durante workshops promovidos durante o mês de março.

A realização da consulta pública é única. Não conheço isso em outros índices de sustentabilidade no mundo. O ISE já nasceu com o conceito de compartihamento, com a lógica de bem público, de que todos tem que opinar para ser bom. E acredito que esse processo democrático é um dos responsáveis pelo sucesso do ISE, porque a sociedade tem espaço para participar”, comenta Sonia Favaretto, diretora de Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA e presidente do Conselho do ISE.

Aron Belinky, coordenador do Programa de Finanças Sustentáveis do Gvces e coordenador executivo do ISE, explica que o questionário tem sido aprimorado a cada ano, incorporando questões que se destacam na agenda da sustentabilidade e sinalizam demandas e preocupações novas da sociedade.

Entre as mudanças propostas, Aron destaca na dimensão Social, por exemplo, a atuallização de perguntas que dizem respeito à promoção do desenvolvimento local e atividades com a comunidade. “Pela multiplicidade de abordagens de empresas que existem hoje e respondem ao questionário é desafiante tratar destes temas. Estamos então tentando fazer uma metodologia que se adapte às variedades de corporações”, comenta.

Outra dimensão que teve mudanças significativas é a Geral, com a criação de um novo critério que trata de planejamento estratégico e inovação, a fim de ampliar a percepção da sustentabilidade dentro da empresa, assim como na cadeia de valor, de fornecedores etc.

No site do ISE, os internautas podem acessar cada uma das dimensões do questionário, – Econômico-Financeira; Governança Corporativa; Ambiental; Geral; Natureza do Produto; Social; e Mudanças Climáticas, que avaliam diferentes aspectos da sustentabilidade -, conhecer as propostas de alterações e incluir sugestões e comentários.

Tendo em vista que o questionário é extenso, o Gvces sugere que os interessados em participar da consulta identifiquem quais os temas de maior interesse e priorizem os indicadores que têm mais possibilidade de trazer sugestões.

As contribuições de todas as partes interessadas serão consideradas no período de revisão e, como resultado, uma nova versão do questionário 2015 será debatida em audiência pública, marcada para 06 de maio. O evento poderá ser ainda acompanhado via internet, pelo site do ISE.

O questionário final será divulgado em junho e aberto para as respostas das empresas a partir de julho. Há três categorias de participação no ISE disponíveis às empresas: Elegível, Treineira e Simulado (nova). A participação no Simulado é aberta a todas as empresas listadas na BM&FBOVESPA, enquanto as categorias Elegível e Treineira são abertas apenas para as emissoras das 200 ações mais líquidas.

A expectativa é que, em junho, seja lançada também uma nova interface no site, como um mapa interativo.

Novas posturas

Em 2015, o ISE completa dez anos de sua criação. Sonia Favareto destaca a importância desse marco, tendo em vista que foi uma iniciativa pioneira na América Latina e no mundo – foi o quarto índice a ser criado, depois de Nova Iorque, Londres e Joanesburgo.

O ISE teve um papel fundamental de trazer a discussão sobre sustentabilidade de uma forma organizada dentro do mercado de capitais. O que percebemos como resultado destes dez anos é o quanto ele ajudou as empresas a promover esse diálogo internamente, engajando as lideranças e mostrando o quanto as questões da sustentabilidade são importantes e precisam ser desenvolvidas. Ele foi também um grande alavancador de práticas”, comenta.

Sonia destaca ainda que ocorreu uma mudança de enfoque fundamental nos últimos cinco anos. Antes, as empresas achavam que era bom estar no ISE. Agora, deixou de ser algo desejável para ser mandatário. “A pergunta da imprensa para as empresas é: se você fala que tem práticas sustentáveis, então porque não está no ISE?”, explica.

Além disso, de acordo com a diretora, já é possível perceber uma transformação na postura dos investidores, que estão mais atentos e têm levado em consideração cada vez mais a inclusão das empresas no ISE para a escolha de seus investimentos.

“Temos depoimentos de investidores apontando que, se a empresa está no ISE, eles já ‘pulam’ uma etapa na avaliação e passam a olhar a empresa com outros olhos. O movimento do investidor considerar essas questões é crescente e acelerado, mas ainda aquém do que gostaríamos”, afirma.

As participantes

A mais recente carteira do ISE foi anunciada em 26 de novembro de 2014 e vigora entre 05 de janeiro de 2015 a 02 de janeiro de 2016. A nova carteira reúne 51 ações de 40 companhias, que representam 19 setores e somam R$ 1,22 trilhão em valor de mercado, o equivalente a 49,87% do total do valor das companhias com ações negociadas na BM&FBOVESPA (em 24/11/2014).

Das 40 empresas selecionadas, quatro são novas: JSL, B2W DIGITAL, Lojas Americanas e Lojas Renner, as três últimas responsáveis pelo ingresso do setor “”Comércio”” ao ISE.

Sonia Favaretto ressalta que a décima carteira do ISE também traz expressivo aumento da transparência por parte das companhias. O número de empresas que autorizaram a abertura das respostas do questionário saltou de 22 para 34 e agora representa 85% do total da nova carteira. No ano passado, representava 55%.

Esse feliz cenário que se apresenta nos leva a talvez inserir, na próxima carteira, a publicação do questionário como regra para participar do ISE. Percebemos que o investidor também considera agora não só quem está no ISE, mas quem autoriza a abertura do questionário”, destaca.

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