Childhood dissemina materiais sobre prevenção à violência sexual infantojuvenil

Com a crença de que a informação é a melhor arma para enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes, a Childhood Brasil desenvolve uma série de iniciativas junto aos atores que fazem parte de rede de proteção (educadores, familiares, conselheiros etc) a fim de esclarecer dúvidas, trazer novos conhecimentos e prepar melhor quem atua na ponta.

Os projetos passam por cursos formativos, elaboração de guias informativos, assim como materiais de comunicação que falam sobre a temática. Em parceria com a rede municipal de educação de São Paulo, por exemplo, foi oferecida uma capacitação sobre a temática para 600 coordenadores pedagógicos (de escolas e centros de educação infantil), a fim de que estes pudessem multiplicar o conteúdo junto aos professores.

A escola é um forte espaço de revelação desta violência. Por isso, a proposta foi mostrar a eles como podem identificar a violência, quais os procedimentos devem ser feitos, qual o seu papel frente aos casos de notificação etc. E isso não é uma opção do educador, mas um dever legal, pois está previsto no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”, destaca Itamar Gonçalves, gerente de Programas da Childhood.

Diante da responsabilidade dos educadores frente à temática, a Childhood preparou um outro material, chamado “Guia de referência: construindo uma cultura de prevenção à violência sexual”, que também é utilizado para disseminar informações essenciais a respeito do assunto: quais são os contextos, as diferenças entre abuso e exploração, como trabalhar a educação sexual, entre outros.

“Os educadores precisam estar preparados para denunciar porque é uma forma de cessar o abuso, além de evitar que outras crianças passem por esse processo. Além disso, o objetivo é acabar com o ciclo de violência. Isso porque as pesquisas mostram que 90% das pessoas que cometaram crimes sexuais passaram por esse tipo de violência na sua infância”, aponta Itamar.

Já em parceria com o Canal Futura, a Childhood preparou uma série chamada “Que Exploração É Essa”, que reúne cinco episódios, além de um guia educativo. Uma segunda série, com oito episódios, também foi lançada no final de 2014 e já está no ar – “Que abuso é esse?” – falando sobre o abuso no contexto familiar e comunitário.

A ideia agora é elaborar um kit educativo, com textos sobre o assunto, assim como a sinopse de cada um dos programas, e oferecer uma formação para as pessoas que atuam no Sistema de Garantia de Direitos de 11 Estados, a partir de maio.

Há uma grande carência de formação para estes profissionais. O Estado não investe neste tema como em outros. Muitas vezes a pessoa está na ponta e não sabe o que fazer. Até mesmo os conselheiros tutelares vão aprendendo na prática e muitos até desconhecem o tema”, ressalta Itamar.

Ainda nesta linha, a expectativa é produzir em 2016 uma terceira série, chamada “Que corpo é esse”, mas esta voltada para as crianças e os adolescentes. “Vamos buscar meios para viabilizar essa ideia e, quem sabe, convidar o MEC (Ministério da Educação) a espalhar esse material por meio dos tablets distribuidos às escolas. Queremos chegar até a garotada”, comenta o gerente.

Outra frente de atuação da organização é junto ao judiciário, preparando melhor estes profissionais para receberem as crianças e adolescentes que foram vítimas de violência. O objetivo é ajudá-los a fazer uma escuta diferenciada, a fim de que estas crianças não sejam tratadas como adultos. Até agora, foram criadas quase 200 salas de escuta protegida dentro do judiciário. Nestes locais, um único profissional media a conversa entre a vítima e os demais profissionais envolvidos – juiz, promotor, defensoria etc – por meio de um vídeo. Não há um contato direto entre eles.

Isso é essencial pois, além de proteger a criança, ela não vai ter que contar umas dez vezes o que ocorreu, além de ser documentado. Com isso, vimos que o grau de responsabilização do agressor aumentou muito: passou de 3% para 70%”, explica Itamar.

Nos planos para este ano está também o início de um trabalho junto ao Comitê Olímpico voltado para Olimpíadas de 2016, como o que foi feito com a Copa do Mundo. A proposta é ter uma ação integrada – desde a polícia, conselhos tutelares, ONGs etc – de prevenção contra a violação dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Outros materiais sobre o tema podem ser acessados no site da organização.

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