Cidade do Rio de Janeiro tem agora Índice de Progresso Social (IPS)

A cidade do Rio de Janeiro é mundialmente conhecida pelas suas belezas naturais e riqueza cultural, assim como por seus desafios sociais – que passam pela segurança e vulnerabilidade de muitas comunidades. Mas, afinal, quais são de fato as áreas que precisam de atenção para trazer mais qualidade de vida aos seus moradores? Em que é necessário investir? Quais são os avanços que já foram dados e podem servir de exemplos para outros setores?

Para dar luz a informações e dados essenciais que permitam ao poder público e aos cidadãos avaliar o desempenho social da cidade e, a partir daí, subsidiar iniciativas inovadoras e impactantes para o município, acaba de ser lançado o Índice de Progresso Social (IPS) Rio de Janeiro.

A cidade é a primeira no país a contar com o IPS por região administrativa (RA), permitindo, assim, uma análise detalhada sobre o desenvolvimento socioambiental do município nas três dimensões avaliadas pela metodologia: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. A iniciativa faz parte de uma parceria estabelecida entre o Instituto Pereira Passos, Fundación Avina, Fundação Roberto Marinho, Rede Progresso Social Brasil, Social Progress Imperative (SPI) e Giral.

A proposta, segundo os idealizadores da iniciativa, é que o IPS Rio seja uma ferramenta de referência do desenvolvimento humano da cidade e auxilie na coordenação e priorização de temas para iniciativas desenvolvidas pelo governo municipal, empresas, fundações, institutos e ONGs.

O IPS – criado pelo Social Progress Imperative com apoio de acadêmicos nas universidades de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT) – foi inicialmente proposto para a escala global, mas tem sido aplicado para diferentes realidades. Ele possibilita medir o progresso social diretamente, independente do desenvolvimento econômico. Por isso, o índice é baseado em um modelo holístico e rigoroso com indicadores sociais e ambientais em 12 componentes e três dimensões. O IPS visa medir os resultados que são importantes para a vida das pessoas, e não o custo ou os esforços para alcançá-los.

O índice foi idealizado a partir do entendimento que medidas de desenvolvimento baseadas apenas em variáveis econômicas são insuficientes, já que crescimento econômico sem progresso social resulta em exclusão, descontentamento social, conflitos sociais e degradação ambiental.

Segundo o relatório metodológico do Índice de Progresso Social 2015, o “Progresso Social” é a capacidade de uma sociedade de atender às Necessidades Humanas Básicas de seus cidadãos, estabelecer os componentes básicos que permitam aos cidadãos e às comunidades melhorar e manter a qualidade de vida e criar as condições para que todos atinjam seu pleno potencial.

“O IPS não é só um índice, mas um conceito onde procuramos trazer um sentido ético e político ao desenvolvimento. Ele também é uma ferramenta para orientar processos e tomadas de decisão, seja por parte dos governos, empresas ou sociedade civil organizada. O processo de construção também tem um valor muito grande, pois, para se chegar aos indicadores que compõe o índice, é feito todo um envolvimento das diversas partes interessadas para definir: o que é valor para esta cidade? O que o índice deve radiografar de forma mais atenciosa? O que vamos considerar de fato progresso?”, explica Glaucia Barros, diretora programática da Fundação Avina – uma das apoiadoras da iniciativa em nível global.

Andrea Pulici, diretora de Pesquisa e Avaliação do Instituto Pereira Passos, ressalta ainda a importância para a cidade em contar com o IPS. “Termos a possibilidade de construir um índice sintético contendo em sua maioria dados administrativos possibilita que acompanhemos o rumo das políticas públicas implementadas na cidade, a fim de que possamos fazer ajustes para que elas sejam exitosas. Isso facilita o planejamento urbano, as avaliações e monitoramento das políticas e programas implementados”, enfatiza.

IPS Rio

No IPS Rio foram mapeadas 32 RA (Regiões Administrativas), divisão que a cidade do Rio de Janeiro faz de seus bairros. São aproximadamente 160 bairros divididos em 32 RA.

Para calcular o IPS Rio foram utilizados 36 indicadores que contemplam as três dimensões da metodologia: Necessidades Básicas, Fundamentos do Bem Estar e Oportunidades. Os dados foram levantados por uma equipe técnica do Instituto Pereira Passos e consultor da Rede Progresso Social e contou com o apoio de fontes públicas confiáveis, sendo a maioria com publicação anual ou bianual.

As três dimensões, com pesos idênticos, têm resultados que vão de 0 (pior) a 100 (melhor). Uma média simples entre as três deriva o índice, que, portanto, também varia de 0 a 100.

Os indicadores dizem respeito, por exemplo: acesso à água canalizada, população vivendo em favelas não-urbanizadas, homicídios e roubos de rua, na dimensão de Necessidades Básicas; dados de abandono escolar, quantidade de áreas não urbanizadas e acesso à internet, na dimensão de Fundamentos do Bem Estar e indicadores como homicídios por ação policial, violência contra a mulher, vulnerabilidade familiar e acesso a nível superior por negros e indígenas no âmbito de Oportunidades.

O ponto de vista do IPS Rio é complementar os dados mundiais, e um de seus objetivos centrais é oferecer uma visão sobre a disparidade geográfica do desenvolvimento social dentro de uma cidade.

Dados

Confira alguns indicadores do IPS Rio, que é de 60,70:

  • As dimensões Fundamentos do Bem-Estar (53,39) e Oportunidades (53,61) têm resultados muito parecidos, inferiores à média, e Necessidades Humanas Básicas (75,09) apresenta resultado melhor.
  • Entre os componentes, Segurança Pessoal (68,72) é o pior resultado de Necessidades Humanas Básicas.
  • Em Fundamentos do Bem-Estar, as notas mais baixas estão em Sustentabilidade dos Ecossistemas (50,26) e Acesso ao Conhecimento Básico (49,96).
  • Na dimensão Oportunidades, por fim, o componente com o pior resultado, que também é o pior componente de todo IPS Rio, está em Acesso à Educação Superior (32,36).

Para mais detalhes na metodologia de construção do IPS Rio, consulte o Relatório Metodológico.

Aplicações

Além do Rio, o Brasil já vem desenvolvendo outras formas de aplicação do Índice de Progresso Social, como o IPS Amazônia, que analisou os 9 Estados e 772 municípios da região, assim como o IPS Comunidade, já aplicado na região do Médio Juruá, também no Amazonas, assim como em Cajamar e Jaguaré, em São Paulo.

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