Congresso GIFE debate as perspectivas do investimento social familiar no Brasil

Quem são os investidores sociais familiares? Quais são seus desafios? Que iniciativas têm sido desenvolvidas neste campo? Como avançar nestas ações? Essas são algumas questões que irão nortear o painel As perspectivas do investimento social familiar no Brasil”, que será realizado como parte da programação aberta do Congresso GIFE 2016.

A atividade vem ao encontro do esforço que a instituição feito, nos últimos anos, em fortalecer os investidores sociais familiares. O número de associados familiares no GIFE, inclusive, dobrou nos últimos cinco anos – passando de oito, em 2008, para 21, em 2015.

Este cenário, inclusive, motivou a elaboração da pesquisa “Retratos do Investimento Social Familiar no Brasil”, realizada com apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e do J.P. Morgan, a ser apresentada durante o painel. O estudo vem ajudar a conhecer com mais detalhes as peculiaridades deste campo, as formas específicas de investimento, a sua governança e a relação com as causas em que atuam.

A pesquisa é resultado de 23 entrevistas (17 associados e seis não associados) realizadas com integrantes das famílias que lideram as organizações (de diversas gerações). Os investidores familiares foram definidos por critérios de: governança, origem do recurso e autodefinição. Foram utilizados também dados secundários, como o próprio Censo GIFE, para dar embasamento às conversas (clique aqui para ler matéria completa sobre o lançamento da publicação).

Renata Biselli, do Banco J.P. Morgan, irá apresentar os principais achados do estudo, como, por exemplo, a percepção do aumento da participação das mulheres à frente dos institutos e fundações familiares, assim como o envolvimento das diversas gerações da família na filantropia, o que traz uma perspectiva de união interna, além da preferência destes investidores em contribuir não apenas com recursos, mas no processo de implementação de ações sociais.

A ideia é que a pesquisa tenha continuidade a fim de traçar as principais tendências no campo e que novos institutos e fundações familiares possam participar do estudo.

Outra pesquisa que será discutida durante o painel é a “Da prosperidade ao propósito: perspectivas sobre a filantropia e investimento social privado na América Latina”, realizada pelo The Hauser Institute For Civil Society da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em parceria com o UBS, a ser apresentada por Kai Grunauer Brachetti, diretor executivo do UBS Philanthropy and Sustainable Investing.

O objetivo do estudo (veja matéria a respeito) foi traçar um panorama sobre as principais motivações, aspirações, prioridades e práticas filantrópicas, assim como identificar o ambiente político e cultural para a atividade filantrópica, além dos desafios e oportunidades para o aumento dessa prática na América Latina.

A publicação inclui uma visão geral sobre o tema na região, além de relatórios específicos do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. Ela é resultado de uma série de entrevistas realizadas com 67 líderes filantrópicos, 25 especialistas e pesquisadores acadêmicos e uma pesquisa online com 81 entrevistados.

Durante o painel, além da apresentação dos estudos, Flavia Regina de Souza Oliveira, sócia do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, irá debater sobre os aspectos legais e jurídicos do investimento social familiar e Daniela Nascimento Fainberg, especialista da área, irá compartilhar exemplos e práticas de iniciativas que vêm sendo desenvolvidas no setor.

Ana Carolina Velasco, gerente de Relacionamento e Articulação do GIFE, ressalta que o painel no Congresso será um momento para fortalecer ainda mais este campo, abrindo espaço para nos debates e temáticas que serão discutidas ao longo do ano no GIFE.