Criação de indicadores e ação coletiva são focos da Rede LEQT

A Rede Temática de Leitura e Escrita de Qualidade para Todos (LEQT), que conta com a participação de diversos associados, assim como representantes de organizações da sociedade civil, pesquisadores e gestores públicos, se reuniu no dia 30 de maio, em São Paulo, para dar novos passos à implementação do plano de ação, que prevê uma série de iniciativas colaborativas pelo grupo até o Congresso GIFE de 2018.

Com a doação de recursos para a RT realizada pelo Instituto C&A e a Fundação Itaú Social, foi possível contratar consultores que estão dedicados, desde o primeiro encontro de 2017 em fevereiro (veja aqui como foi a reunião), ao andamento das atividades definidas pelo grupo, em dois objetivos principais.

O primeiro deles é a criação de indicadores de qualidade em projetos de promoção da leitura. A proposta é identificar, sistematizar, formular e divulgar indicadores que possam dar suporte para avaliar as ações propostas pela própria rede em interface com as políticas públicas e facilitar o diálogo com diferentes interlocutores – gestão pública, investidores e meios de comunicação.

Nesta frente, estão previstas várias etapas. A primeira delas – já em andamento – é o levantamento bibliográfico sobre o tema e entrevistas com 13 organizações que fazem parte da RT. Segundo Roberto Catelli, consultor responsável pelas atividades desta frente, a ideia é identificar subsídios, materiais e insumos dentro da própria rede, que indiquem o caminho para a construção de indicadores comuns.

A partir da primeira versão de indicadores será realizada uma oficina de validação com o grupo. Em seguida, será feita uma revisão e elaboração do portfólio, aplicação piloto dos indicadores e elaboração de uma publicação. A expectativa é que na próxima reunião do grupo, prevista para agosto, a primeira versão dos indicadores seja apresentada.

Ana Lúcia Lima, do Instituto Paulo Montenegro e uma das coordenadoras da RT, ressalta que os indicadores, inclusive, terão um papel importante na realização do projeto piloto coletivo de promoção de leitura, que o grupo irá realizar conjuntamente.

Aliás, esse é o segundo objetivo traçado pela LEQT no seu plano de ação: realização de uma ação coletiva em um território. “Esse projeto piloto significa materializar, experimentar e ensaiar boa parte dos pressupostos da nossa Carta de Princípios. A ideia é agir em conjunto, partindo do diagnóstico que as ações de promoção de leitura sofrem de falta de continuidade, de coordenação e cooperação. A gente faz a aposta de que agir conjuntamente amplia o impacto e potencializa as ações”, ressaltou a consultora Iracema Santos do Nascimento.

Nesta frente, também estão previstas algumas etapas e atividades. A primeira delas é a definição do território para a realização da ação em rede. Depois da última reunião, as organizações da LEQT foram convidadas a indicar possíveis territórios para o projeto, sendo que 12 o fizeram. Em seguida, foram traçados critérios como, por exemplo, ser um projeto/local que já conta com parceria com mais de um membro da LEQT; tenha interlocução e parceria ou envolvimento com o poder público; tenha facilidade e regularidade do acompanhamento; perspectiva de impacto (com previsão de curto, médio e longo prazo); disponibilidade e abertura para ação em rede com protagonismo coletivo; entre outros.

Durante este encontro da rede, foram apresentados três projetos. Um deles é o Projeto Pequenos Leitores, realizado pelo CEDAC no município de Ferraz de Vasconcelos (SP), em parceria com a FTD Educação. Neste projeto, direcionado à Educação Infantil, foram realizados encontros de formação com toda a rede municipal, incluindo equipe da Secretaria de Educação, diretores, coordenadores pedagógicos e professores, com a proposta de garantir que as crianças possam ingressar na cultura escrita por meio da cultura literária de qualidade. Além da formação, as escolas receberam acervos de livros.

A segunda iniciativa apresentada foi o Programa Conecta Biblioteca, realizado pela organização Recode/CDI, em três municípios Porto Real, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, todos no Rio de Janeiro. A proposta é apoiar as bibliotecas a se posicionarem como espaços vitais para o desenvolvimento de comunidades. A ideia é que elas possam oferecer uma programação sintonizada com as demandas de suas comunidades, com oferta de oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, especialmente para os jovens. O programa será desenvolvido até 2020, envolvendo 182 bibliotecas. Vários atores locais destes municípios estão sendo envolvidos no programa, formando uma coalizão, para fortalecer as ações.

Já o terceiro território apresentado foi Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, tendo como propositora a organização Casa Azul, responsável pela Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). O projeto educativo que vem sendo vislumbrado para o local pela Casa Azul é a articulação e parceria entre as várias instituições, criando uma rede, para potencializar ações e recursos em torno da leitura e escrita na cidade, fazendo com que toda a energia provocada pela Flip tenha continuidade ao longo dos meses no município, ganhando mais sustentabilidade e perenidade. Uma das oportunidades já levantadas é a criação de bibliotecas ônibus e barco para levar e trazer saberes para aproximar as escolas e bibliotecas comunitárias, públicas e escolares.

A partir das apresentações, os participantes da LEQT levantaram motivações e razões que os levariam a priorizar determinado território. A ideia é que, nos próximos dias, a partir de um questionário a ser enviado aos membros do grupo, cada um possa apontar qual território/projeto acredita ser prioritário e quais as contribuições que a sua organização pode oferecer à iniciativa.

 

Próximos passos

Além da definição do território, os membros da LEQT poderão também indicar se desejam participar do Conselho Consultivo, instância de governança a ser criada pela rede, a fim de oferecer apoio à coordenação, hoje feita por Ana Lucia Lima, do Instituto Paulo Montenegro, Patrícia Lacerda, do Instituto C&A, e Dianne Melo, da Fundação Itaú Social.

Ana Lima ressaltou a importância do grupo para garantir a pluralidade da RT e boa representatividade dos vários segmentos que compõe a rede: cadeia criativa (autores, escritores), cadeia produtiva (editoras, promoção de leitura), bibliotecas (escolares, comunitárias, públicas), promoção de leitura e produção de conhecimento. O Conselho deverá reunir-se formalmente duas vezes ao ano, mas será acionado sempre nos momentos de decisão dos projetos em andamento.

Outra novidade é a Carta de Princípios que já está pronta (clique aqui para ler) e que, na avaliação do grupo, é uma ferramenta concreta que mostra o avanço significativo da rede e dá um norte para ações cada vez mais coletivas.

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