Dia do Meio Ambiente propõe reflexões sobre investimentos e desafios da causa ambiental

No ano de 1972, em ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, foi acordado que na data de 5 de junho seria celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Do encontro, resultou um Manifesto Ambiental, com 19 princípios sobre o ambiente e a vida humana, e um marco para lembrar todos os anos a importância das relações do homem com o planeta.

No âmbito do Investimento Social Privado (ISE), o debate sobre a atuação em ações ligadas à causa ambiental se renova a cada dia, de modo a garantir uma relação sustentável com o planeta, diversidade biológica e a segurança dos ecossistemas que permitem as condições de vida para o hoje e para o futuro.

Para entender os avanços nas práticas socioambientais e os desafios e oportunidades colocados para os dias atuais, o redeGIFE conversou com alguns investidores que tem na causa ambiental uma plataforma concreta de atuação.

Em pauta, reflexões sobre as responsabilidades individuais e coletivas que tornam possível a conservação ambiental e os temas que se colocam como agenda urgente: adequação de cadeias produtivas, educação ambiental, preservação dos recursos naturais, inovação em tecnologias ambientais, consumo consciente e parcerias público-privadas em benefício de interesses coletivos.

O objetivo não é oferecer respostas fechadas para demandas da contemporaneidade, mas encontrar vias de diálogo e reflexão sobre questões de interesse local e global.

Investimento na causa

De acordo com a sexta edição do Censo GIFE (2011-2012), mapeamento bienal produzido pelo GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o volume de recursos ligados ao Investimento Social Privado na causa ambiental corresponde a 7% do montante total mapeado na rede de associados. Uma marca tímida, considerando a complexidade dos problemas enfrentados hoje em dia.

Contudo, apesar da destinação modesta de recursos para programas e projetos ambientais, quase metade dos associados respondeu ter a causa do meio ambiente como um dos focos de sua atuação. Uma leitura objetiva indica que a maioria das empresas, institutos e fundações assume investir na área, mas tem a causa como foco secundário de sua atuação.

Para Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o dado mostra que as questões ambientais estão no radar dos investidores, mas que o tema perde força frente a outras demandas que se apresentam no Brasil atual. “Isso mostra que um dos desafios é justamente ampliar a atuação do setor privado na causa ambiental e, dentro dessa temática, precisamos dar mais atenção para a conservação da natureza.”

A executiva explica que a conservação da natureza é, e sempre foi, o foco central do trabalho da Fundação, criada em 1990, e, que apesar de alguns ajustes de percurso, a forma de atuação mantém-se no mesmo desenho. “Apoiamos projetos de outras organizações, buscamos proteger áreas naturais próprias, investimos em estratégias inovadoras de conservação como o pagamento por serviços ambientais, atuamos com políticas públicas, promovemos ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, disseminamos conhecimento e tentamos sensibilizar a sociedade para a conservação da natureza.

Avanços em políticas públicas

Apesar de transformações lentas, é importante reconhecer que o Brasil avançou em várias áreas ligadas diretamente às questões ambientais. No campo político, vivemos a aprovação da Política Nacional sobre a Mudança do Clima, iniciativa que estabelece princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos para as emissões de gases de efeito estufa (GEE) – um compromisso voluntário do Brasil junto à Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

Adriana Norte, gerente de Relações Institucionais, do Instituto Estre de Responsabilidade Socioambiental, lembra também a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, medida importante que define instrumentos que garantam o avanço necessário ao país no enfrentamento de problemas decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos urbanos. Segundo ela, a proposta, ainda que demande debates e adaptações, é um grande avanço para o setor de catadores de materiais recicláveis e para a causa ambiental como um todo.

Acredito que o Brasil ganhou muito com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e também a Política Nacional sobre a Mudança do Clima. O que precisamos agora é caminhar na direção do cumprimento destas regulações. Nesse sentido, o Instituto Estre realiza um trabalho de reflexão e conscientização, partindo da questão do consumo e do resíduo, inserindo-a no contexto global, estimulando o cuidado e o respeito com a sociedade e com o meio ambiente, trazendo a responsabilidade para cada um de nós. Acreditamos na educação ambiental como caminho para a sustentabilidade”, explica.

Educação que transforma

Lembrar essa importante data e celebrar avanços é muito importante, porém, pensar o futuro se faz necessário. De forma geral, investidores privados na causa ambiental, governos e ambientalistas ainda se articulam pouco para provocar mudanças concretas. Talvez pela complexidade do tema – que é polêmico por essência -, ou pela diversidade de demandas e campos de ação.

Cristiana Brito, diretora de Assuntos Corporativos da BASF, acredita que falta articulação entre setores e visão integral das ações a partir de um olhar para a educação. “Um dos maiores desafios a serem superados na gestão e entendimento do Investimento Social Privado na causa ambiental é a visão mecanicista e reducionista do mundo e da educação, que não considera o processo e tem como consequência a compartimentalização das ações e resultados pontuais, que não conseguem ampliar a conscientização e contribuir para a mudança de comportamento das pessoas.”

A Fundação Grupo Boticário, o Instituto Estre e a BASF são associados GIFE

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