Docs selecionados pela Fundação CSN começam a ser produzidos

Após participarem das primeiras consultorias no mês de fevereiro, os diretores e produtores dos quatro filmes selecionados no Programa Histórias que Ficam, da Fundação CSN, começam em março a produção dos documentários que tem como tema memória. A seleção dos vencedores foi realizada em um pitching, entre 12 finalistas, com uma banca de jurados composta por Daniela Capelato, Marcelo Gomes e Carlos Nader. Ao todo, 351 projetos se inscreveram no Programa que tem o patrocínio da CSN por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, em co-realização com o Ministério da Cultura/Secretaria do Audiovisual. As quatro produções representam a diversidade cultural do Brasil.

Essa foi uma preocupação do concurso ao regionalizar a seleção, dividindo o país em quatro regiões: Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste/Norte. Cada um receberá um patrocínio de até R$ 300 mil para a produção, além de consultoria especializada.
“Eles participaram da primeira consultoria que foi importante para definir novos rumos de produção e absorverem a experiência dos consultores. Agora, estão recebendo a primeira parcela do patrocínio para começarem de fato a produção”, explica Paula Szutan, produtora do Histórias que Ficam, ao lado de Adriana Schwarz.
Além da diversidade regional, a variedade de abordagens e assuntos propostos pelos projetos vencedores, ainda que todos focados no tema Memória, também enriquecem as obras que abordarão as diversas formas de se comemorar aniversários em “50 aniversários”, de Fernando Pinto, do Rio Grande do Sul; a investigação sobre o passado do pai, perseguido pela ditadura militar, na visão da cineasta Maria Escobar, em “Memória Emprestada”, de São Paulo; a vida em uma aldeia Xavante, em “Os Arquivos Xavantes de Adalbert”, de Tiago Campos Torres, de Pernambuco; e o Prólogo, de Gabriel Marinho, do Distrito Federal, que discutirá propaganda anticomunista no Brasil que era divulgada antes das sessões de cinema nos anos 1960.
Para desenvolver todos estes temas, os jovens cineastas contam com a ajuda de destacados nomes do cinema brasileiro. Nas oficinas de fevereiro, diretor e produtor de cada projeto selecionado ficaram reunidos três dias com os consultores em um hotel em Bragança Paulista (SP).
Entre os consultores estão Walter Carvalho, diretor de Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio e diretor de fotografia de Central do Brasil, Carandiru, Lavoura Arcaica, Amarelo Manga entre outros; Marcelo Gomes, diretor de Cinema, Aspirinas e Urubus e co-diretor de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo; Luiz Bolognesi, roteirista de Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade entre outros filmes. Completam o time dessa primeira fase de consultoria Carlos Nader, Daniela Capelato, Guilherme Coelho e Leonardo Edde. Nesta etapa, os participantes fizeram uma imersão para preparar a produção de seus documentários.
Luiz Bolognesi destaca que o principal diferencial do “Histórias que Ficam” é justamente possibilitar o intercâmbio entre os realizadores e os consultores, como foi possível no encontro em Bragança Paulista.
“”Eu me coloco na posição dos realizadores e imagino que, se estivesse fazendo um documentário, o quão importante seria participar de uma troca de experiências como essa. E é uma experiência rica para todos, também para nós consultores que entramos em contato com novas linguagens””, afirma Bolognesi.
Esse modelo de consultoria se estenderá ao longo de todo o processo de realização dos filmes, mantendo contato com outros profissionais de montagem, edição de som, finalização, por exemplo. Nestes encontros, realizadores e consultores irão dialogar sobre cada um dos projetos selecionados sob todos os aspectos da realização do filme, desde a pesquisa até a finalização de cada um dos projetos.
A Fundação CSN firmou convênio com a TV Cultura para a exibição dos documentários. Além disso, haverá um ciclo de exibições priorizando cidades com até 100 mil habitantes que não possuam salas de cinema. “O objetivo é incentivar a descentralização da produção audiovisual nacional e estimular a pluralidade de criações”, afirmou o gerente de Projetos da Fundação CSN, André Leonardi.

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