Prêmio Educador Nota 10 reconhece experiências transformadoras na educação

O Prêmio Educador Nota 10, uma iniciativa da Rede Globo e do Grupo Abril, organizado pela Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Roberto Marinho, chega a sua 19ª edição. A premiação busca valorizar e disseminar experiências pedagógicas inspiradoras em todo o Brasil. Neste ano, foram recebidas 4.221 inscrições, número 16% maior que o de inscritos em 2015 e o maior desde 2008.

Os trabalhos refletem a riqueza de abordagens adotadas por professores em sala de aula, nas mais diversas disciplinas, de várias regiões do país. O grande vencedor do prêmio – o Educador do Ano de 2016 – será conhecido em cerimônia hoje, dia 17 de outubro, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo link www.futura.org.br.

Os 10 projetos vencedores representam os estados do Amazonas, Rondônia, Bahia, Goiás, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina. Cada um recebeu um vale-presente de R$ 15 mil, além de uma assinatura da revista Nova Escola Digital. O Educador do Ano ganha, além dos itens, mais R$ 5 mil. Este valor também é dado à escola em que o vencedor trabalha.

Meire Fidelis, diretora da Fundação Victor Civita, afirma que a premiação contribui para a melhoria do ensino básico no país, com foco na atuação do educador. “O prêmio identifica e valoriza professores e gestores que são exemplo, e cujo trabalho merece e precisa ser conhecido e difundido. Servem de incentivo e inspiração para educadores Brasil afora. Com o Prêmio Educador Nota 10, reconhecemos o trabalho dos educadores, esses profissionais que têm a imensa responsabilidade de ensinar e educar os cidadãos do futuro. Acreditamos que eles têm uma participação fundamental na construção de um Brasil melhor e mais justo para todos os brasileiros”, ressalta.

Este ano, o Prêmio teve como tema “Na educação de qualidade todos aprendem juntos” e premiou projetos de diferentes segmentos. Os assuntos abordados também foram diversos, com trabalhos que estimulam, por exemplo, o ensino da Matemática por meio da criação de games ou a alfabetização a partir de pesquisas sobre as tartarugas marinhas. Acontecimentos atuais como a tragédia ambiental no Rio Doce e a valorização da identidade indígena também aparecem nos projetos finalistas.

Criado em 1998, o Prêmio Educador Nota 10 recebe, em média, mais de 3 mil inscrições a cada edição. A comissão selecionadora é composta por profissionais da educação e especialistas nas diversas disciplinas. Ela analisa todos os trabalhos recebidos e, entre eles, são escolhidos os 50 finalistas e, depois, os dez Educadores Nota 10. Ao longo das 19 edições foram premiados 211 educadores, entre professores e gestores escolares. Eles receberam aproximadamente R$ 2,51 milhões em prêmios.

Beatriz Azeredo, diretora de Responsabilidade Social da Globo, conta que essa é a terceira edição do Prêmio Educador Nota 10 feita em parceria com a Globo. “Estamos muito orgulhosos. Segundo especialistas, entre outros fatores, a virada do jogo na educação passa também pelo entendimento da importância dos educadores e de sua respectiva valorização. E este prêmio faz isso”, ressalta.

Os trabalhos premiados são ideias simples e corajosas que mostram a importância da aprendizagem de crianças e jovens. Na edição passada, o diretor Diego Mahfouz, da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, no estado de São Paulo, foi o vencedor. Com o projeto “Minha escola: reconstrução coletiva” o diretor abriu sua escola para atividades culturais e de lazer e conseguiu reduzir a violência dentro da instituição.

Conheça os 10 vencedores do Prêmio Educador Nota 10:

Carlos Eduardo Canani – Língua Portuguesa Fund. II

Trabalho: Por um fio de memória

E.M.E.B. Suzana Albino França

Lages – SC

No início do ano letivo, o professor reservou um momento do curso para conversar com seus alunos sobre as férias de verão. Ele ficou surpreso com a forma negativa como os adolescentes se referiam aos avós e às histórias que contavam. Para alterar essa relação, inseriu no primeiro bimestre um projeto de produção de memórias literárias. Ao longo do projeto, os estudantes realizaram entrevistas com seus avós e transformaram os textos em relatos de memória narrados em primeira pessoa.

 

Débora Gomes Gonçalves – Alfabetização

Trabalho: Projeto Tartarugas Marinhas

Escola Municipal João Francisco dos Santos

Salvador – BA

Aproveitando a proximidade da escola com o Projeto Tamar (uma de suas bases funciona na mesma região), a professora desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre tartarugas marinhas. Os alunos foram incentivados a coletar e organizar informações sobre o tema, interpretar e elaborar listas, tabelas e gráficos. O objetivo do trabalho era estimular a leitura e melhorar o processo de alfabetização, valorizar o meio social em que vivem e a diversidade e conservação dos ambientes.

 

Fábio Augusto Machado – Geografia

Trabalho: A Construção da Identidade

EMEF Professora Marili Dias

São Paulo – SP

O trabalho foca nas questões da identidade do estudante no espaço escolar e na sua comunidade de periferia (Morro Doce/Distrito de Anhanguera/município de São Paulo). Os alunos discutem questões do processo de massificação cultural, do consumo globalizado e a situação do jovem pobre na periferia. O professor promove vivências acadêmicas e artísticas para levá-los a um repertório crítico no campo da Geografia. Os temas vão da globalização à situação da periferia da cidade de São Paulo. A partir dos estudos geográficos, os jovens constroem um olhar sobre si próprios utilizando múltiplas linguagens. Entre elas produções de textos, fotografia, música e vídeos. Eles tomam contato com sujeitos sociais e artistas de rap no bairro do Morro Doce.

 

Greiton Toledo de Azevedo – Matemática Fund. II

Trabalho: Matemática e games? Eis a questão!

Escola Municipal Irmã Catarina Jardim Miranda

Goiânia – GO

Projeto desenvolvido para estimular tanto os estudantes que apresentavam dificuldades em Matemática quanto aqueles que tinham bons rendimentos na matéria. Eles foram incentivados, por meio de jogos digitais, a pensar e a expressar suas ideias matemáticas de forma crítica. O projeto tinha como objetivo compreender ideias matemáticas e computacionais envolvidas na construção do jogo digital, compreender o sistema de coordenadas cartesianas a partir da posição de personagens, interpretar e compreender as relações de espaço, tempo, forma e deslocamento linear etc.

 

Karin Elizabeth Bergamin Groner – Língua Portuguesa Fund. I

Trabalho: Projeto Didático Leitura Dramática

E.E. Prof Fernando Brasil

Nova Europa – SP

Para melhorar a fluência e a compreensão de leitura dos alunos, a professora desenvolveu um projeto de leitura dramatizada que daria origem a um CD. As atividades foram evoluindo por etapas, já que os alunos tinham dificuldades com a leitura. A ideia de desenvolver o projeto se deu após a professora observar que o desempenho dos estudantes no primeiro semestre de 2015 estava muito abaixo do esperado para alunos do 5º ano. Na avaliação final, no entanto, o resultado superou as expectativas, comprovando o sucesso da iniciativa.

 

Luiz Weymilawa Suruí – Geografia

Trabalho: Lap Gup: Nossa Casa, nosso lar

E.I.E.F.M. Sertanista José do Carmo Santana

Cacoal – RO

Projeto realizado numa escola indígena de aldeia localizada no município de Cacoal, em Rondônia, que teve como objetivo fortalecer a identidade indígena através da cultura material, como a construção da casa e seus artefatos. O estudo explorou os elementos do Lap G̃up, a casa do clã, uma casa considerada especial na sociedade Paiter. O professor utilizou fundamentos da Geografia trabalhados em outras escolas para tratar de moradia, do lugar, dos mapas falados e mentais e de maquetes. Ao longo do projeto, os alunos tiveram a chance de aprender a construir uma Lap G̃up e ressignificá-la; aprenderam noções básicas de cartografia social como instrumento de proteção das indígenas, estimulando, ainda, o conhecimento dos alunos sobre os direitos territoriais.

 

Marilei Roseli Chableski – Educação Infantil – Creche

Trabalho: Pé com Café

Centro de Educação Infantil Adhemar Garcia

Joinville – SC

O trabalho organiza o acolhimento das crianças e das famílias do Berçário 1 (de 4 meses a 1 ano), que começam a frequentar o CEI. A professora prepara a chegada das crianças e das famílias organizando ambientes, atividades e experiências, alinhando com as expectativas das famílias nesse primeiro momento. As mães são convidadas a arrumar os berços, ficar com os bebês e participar dos cafés da manhã ou da tarde. É uma proposta muito simples, mas ainda difícil de encontrar nas escolas públicas.

 

Rodrigo Barbosa Froés – Diretor Escolar

Trabalho: Escola de Qualidade Responsabilidade de Todos

Escola Municipal Antônio Matias Fernandes

Manaus – AM

O diretor foi designado pela Secretaria Municipal de Manaus para assumir direção da escola situada em área com altos índices de criminalidade. Desde a sua posse, o gestor fez um levantamento das necessidades da escola, dialogando com cada setor com a intenção de valorizar o potencial de cada funcionário, aluno e familiar. Apurou vários problemas de infraestrutura, relacionamento entre as equipes, organização do trabalho pedagógico, entre outros. A partir desse diagnóstico, ele iniciou um processo de valorização dos profissionais e de integração dos funcionários com estudantes e familiares, criando um canal de escuta dos alunos e reorganização dos espaços.

 

Selene Coletti – Matemática Fund. I

Trabalho: Mapas do tesouro que são um tesouro

EMEB Cel. Francisco Rodrigues Barbosa

Itatiba – SP

Quem nunca brincou de caça ao tesouro? O projeto explora conceitos de movimentação espacial, compreensão de itinerários, representações gráficas de percurso e noções de direção e lateralidade para a produção de um mapa do tesouro. Os alunos tiveram contato, de forma lúdica, com tópicos de Geografia e Língua Portuguesa.

 

Wemerson da Silva Nogueira – Ciências Fund II

Trabalho: Filtrando as lágrimas do Rio Doce

EEEFM Antônio dos Santos Neves

Nova Venécia – ES

O professor escolheu um tema atual para despertar o interesse de seus alunos: a contaminação do Rio Doce após o rompimento da barragem em Mariana. Buscando contribuir de alguma forma para o bem estar das populações impactadas, o professor promoveu o estudo dos impactos sócio-ambientais por meio da leitura de notícias, entrevistas na comunidade e análises da água. De posse dos resultados das análises, o professor contextualizou o estudo da tabela periódica e seus elementos. Também desenvolveu uma metodologia que tornasse sua leitura mais acessível aos alunos que assim, fixavam melhor as características de cada elemento químico. Neste percurso, ele realizou vários encontros para apresentar os resultados de seus estudos à população de Regência, região impactada pelo desastre ambiental. O projeto é concluído com o desenvolvimento de um filtro com areia (os próprios alunos o fazem) e distribuição à população.