Empresariado, famílias de alta renda e elite econômica têm papel essencial no enfrentamento dos desafios socioambientais

Um panorama dos percursos e fronteiras para a filantropia e o investimento social privado marcou a abertura do evento final do 11º Congresso GIFE.

Foram três dias de uma extensa e variada programação, que contou com lives, oficinas colaborativas e momentos de interação e troca.

Com o tema Fronteiras da Ação Coletiva, o  11º Congresso GIFE seria realizado em maio de 2020, no âmbito dos 25 anos da organização. Com a chegada da pandemia e a necessidade do distanciamento social, o evento foi adaptado para o formato virtual e ganhou uma agenda expandida que teve início em agosto do ano passado, com a Semana do Investimento Social, e contou com uma variedade de mesas e debates sobre temas e estratégias relevantes para o setor, culminando com um grande evento de encerramento realizado entre 24 e 26 de março deste ano. A realização do 11º Congresso GIFE – Fronteiras da Ação Coletiva contou com diversos apoiadores, entre eles a Fundação Bradesco (Platinum) e o Itaú Social e a Vale (Master).

Reunindo referências do setor, a live que abriu os trabalhos do evento final do 11º Congresso GIFE abordou os acúmulos do setor ao longo dos últimos anos e os desafios e oportunidades que se projetam à frente.

“Quando batizamos esta edição do Congresso, já tínhamos uma dimensão do acúmulo do setor nos últimos 25 anos, mas, obviamente, não imaginávamos esse contexto tão difícil. Vivemos um tempo de renovação dos desafios e, ao mesmo tempo, somos chamados a estar articulados, mais do que nunca, para responder a este momento”, observa José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE.

Consolidação do campo

Inês Lafer, membro do Conselho de Governança do GIFE e diretora do Instituto Betty e Jacob Lafer, destaca a entrada de mais empresas e famílias de alta renda no mundo do investimento social e da filantropia como algo que trouxe novas agendas e jeitos de atuar, além do movimento crescente do setor com fins lucrativos trazendo as agendas sociais e ambientais para dentro de seus negócios.

“Olhando para esses 25 anos GIFE, vemos um campo da filantropia e do investimento social que se consolidou. Temos uma infraestrutura capaz de fazer frente aos diversos desafios e agendas colocadas para o país. E temos espaço para a elite econômica se perceber como elite e efetivamente doar. Existe um protagonismo a ser exercido pelos indivíduos e há muitas oportunidades para que esse investimento seja coordenado e estruturado, a exemplo do Movimento por uma Cultura de Doação e do próprio Confluentes, projeto que eu lidero no Instituto Betty e Jacob Lafer.”

Filantropia estratégica

Beatriz Johannpeter, consultora associada da Cambridge Family Enterprise Group-Brazil, celebra o amadurecimento para uma filantropia estratégica, citando agendas como ESG (Environmental, Social and Governance) e investimentos e negócios de impacto.

“Uma tendência bastante relevante é a migração de trilhões de dólares para investimentos responsáveis, o que abre para nós uma possibilidade importante de atrair recursos para uma agenda mais positiva.”

A consultora destaca ainda o progresso da consciência social frente ao novo coronavírus.

“A pandemia deflagrou um despertar para as desigualdades sociais e uma mobilização relevante em relação às necessidades das comunidades mais vulneráveis, o que se transformou em um enorme aumento das doações e na alocação de recursos de fontes mais diversas.”

Atuação coordenada e democracia

Neca Setubal, presidente do Conselho de Governança do GIFE e da Fundação Tide Setubal, reforça a importância de uma atuação coordenada, tanto com organizações de base nos territórios, quanto com as políticas públicas, e de modo transversal em agendas estruturantes como saúde, educação e assistência social.

Citando carta assinada por mais de 500 representantes da elite econômica, publicada no dia 21 de março, a socióloga falou sobre o papel do setor na defesa da democracia.

“Estamos assistindo aos ataques à sociedade civil organizada e às instituições democráticas do país. Temos que assumir um posicionamento público, não podemos ser neutros, nem omissos neste momento.”

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