Fundação Alphaville aposta na vocação das comunidades para promover novas soluções de desenvolvimento

A Fundação Alphaville – que retorna neste ano ao grupo de associados do GIFE – pretende fazer de 2017 um momento para sistematizar suas práticas e metodologias que têm gerado impacto social, a fim de que se tornem tecnologias sociais e possam ser compartilhadas com o setor. “Queremos produzir referências para a área social a fim de que outras organizações possam atuar de forma mais sustentável. Neste ano, o papel da Fundação vai ser focado em transferir conhecimento”, sinaliza Fernanda Toledo, gerente de sustentabilidade da Fundação Alphaville.

A metodologia que Fernanda ressalta em sua fala é a forma com a qual a Fundação tem trabalhado fortemente nestes 16 anos, realizando mais de 210 projetos e beneficiando mais de 400 mil pessoas. A aposta da organização, que tem como missão ser referência em desenvolvimento socioeconômico e ambiental, é atuar de forma colaborativa, a partir da vocação da comunidade.

Assim, todos os projetos são desenhados de forma personalizada. A Fundação Alphaville faz um diagnóstico, escuta atentamente a comunidade, os seus pontos positivos e suas vulnerabilidades. “O trabalho é desenvolvido de acordo com as necessidades e particularidades de cada comunidade. Por isso, há uma grande variedade de temas trabalhados, como geração de renda, resgate histórico, empreendedorismo, criação de cooperativas de reciclagem, entre outros. Isso faz com que cada projeto nasça de acordo com o que há no local, o que ele oferece de bom e de que forma pode contribuir com aquela sociedade”, comenta Fernanda.

A primeira etapa de todos os projetos é o fortalecimento das lideranças locais para, num segundo momento, fortalecer o trabalho conjunto delas – como a criação de associações, por exemplo – para que possam atuar conjuntamente a fim de definir colaborativamente os projetos que façam sentido para o coletivo. “Acreditamos que devemos promover o desenvolvimento das pessoas, depois a comunidade e então o território. Dessa forma, conseguimos criar algo que vai ter sustentabilidade localmente”, aponta a gerente.

Após o início do trabalho, a Fundação ainda acompanha a execução e o desenvolvimento local durante dois anos ou mais, de acordo com a necessidade. Somente após a conclusão de que a comunidade está madura para seguir sozinha, a equipe de trabalho da Fundação Alphaville emancipa o projeto, para que a comunidade possa continuar de forma autônoma.

 

Empoderamento comunitário

Diante da diversidade de demandas e de vocações das comunidades, a Fundação promove projetos em várias frentes. Uma das principais iniciativas é o Programa Jovem Sustentável, desenvolvido há oito anos em cinco estados, beneficiando diretamente mais de 3 mil jovens. Durante o programa, os jovens recebem orientações em aulas práticas e teóricas divididas em dois módulos. O Módulo 1, Formação, inclui conteúdos de cidadania, educação ambiental, cultura popular e economia solidária. O Módulo 2, chamado de Capacitação, envolve os temas de inclusão digital, Tecnologia da Informação e Educomunicação.

Segundo Fernanda, entre os resultados obtidos destacam-se mudanças comportamentais em casa e na escola, incentivo ao desenvolvimento de carreira, integração dos participantes em novos círculos sociais e retorno dos alunos como voluntários do programa.

Diante dos resultados positivos da iniciativa, inclusive, o Ministério Público da cidade de Senador Canedo (GO) convidou a Fundação a pensar num projeto que contribuísse com o desenvolvimento social e profissional de adolescentes que cumpriam medida socioeducativa em meio aberto. Surgiu assim o Programa Jovem Sustentável Aprendiz, que visa promover a inclusão social e formação técnica para a profissionalização dos jovens. Dos 22 que participaram da primeira turma, 19 foram inseridos no mercado de trabalho. Em 2017, a Fundação inicia o terceiro piloto.

“É um projeto audacioso, pois a proposta não é só oferecer formação, mas também gerar oportunidade nas empresas locais. Para isso, estabelecemos uma parceria com a Associação dos Empresários e Industriais da cidade. Temos conseguido bons resultados de inserção profissional”, destaca a gerente.

Outra ação que tem conquistado bons resultados é a parceria entre a Fundação Alphaville, a ACEU (Associação de Catadores de Eusébio) e a Prefeitura de Eusébio (CE). Além dos catadores receberem formação em associativismo e capacitação para a gestão do próprio negócio, foi executado um plano de educação e conscientização para a separação e descarte de resíduos em cinco bairros da cidade. Com isso 50% dos munícipes passaram a ter coleta seletiva porta a porta. O projeto resultou também em um aumento de seis vezes na renda dos catadores. A expectativa é que, até 2018, 100% das casas sejam beneficiadas com a coleta.

“Acredito que o sucesso da metodologia da Fundação é justamente respeitar o que há de melhor nessa comunidade”, finaliza Fernanda.

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