Fundação José Luiz Egydio Setubal compartilha experiência na área de voluntariado na saúde

Para comemorar o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril, data criada com a finalidade de conscientizar a população a respeito dos vários aspectos que envolvem a saúde, o RedeGIFE compartilha a experiência desenvolvida por um de seus associados – a Fundação José Luiz Egydio Setubal – na área de voluntariado e traz dicas para aqueles que desejam realizar iniciativas similares.

A organização faz a gestão dos voluntários que atuam no Hospital Infantil Sabará há quatro anos. “O voluntariado nasceu dentro do hospital de uma vontade que tínhamos de ter pessoas ali dentro exercendo a sua cidadania e pudessem dar o seu tempo em prol de uma criança enferma, a fim de que ela pudesse ter o seu estress diminuído por meio de brincadeiras e outras atividades”, comenta Sandra Setubal, diretora do voluntariado.

As primeiras ações começaram em parceria com a Associação Viva e Deixa Viver, que ajudou a Fundação a formatar um curso de capacitação para os voluntários. Hoje, a entidade acabou assumindo a formação, que foi sendo aprimorada com o passar dos anos a partir da experiência adquirida.

Ao longo do ano, são abertas cinco convocatórias para os interessados em se tornar voluntário no hospital. O processo envolve quatro etapas. A primeira é a inscrição por meio de um questionário online (um novo processo será aberto ainda esta semana). Este é um primeiro filtro para que a Fundação possa conhecer os interessados e também para que as próprias pessoas possam avaliar se têm ou não vocação para atuar dentro de uma unidade de saúde.

“Muitas pessoas querem ser voluntárias ali simplesmente porque gostam de crianças. Mas, isso é muito complicado, pois são crianças enfermas. Por isso, temos perguntas no questionário do tipo: ‘Diante da dor do outro, como é que você se coloca?’. Neste momento, a pessoa para e pensa como vai se portar diante de situações em que terá de ser muito forte. Muitos já desistem no preenchimento da ficha”, comenta Sandra.

Após essa pré-seleção, os interessados são convidados para uma entrevista pessoal com a equipe da Fundação. Das cerca de 100 pessoas que normalmente se inscrevem a cada seleção, cerca de 70 vão para a formação.

A terceira etapa é justamente o curso oferecido pela organização, com duração de nove horas téoricas durante uma semana. Na formação, os voluntários conhecem todos os aspectos de um ambiente hospitalar, as questões da psiscologia do desenvolvimento infantil, características da criança enferma, os cuidados necessários com as crianças sobre estresse, técnicas de higienização, entre outros temas. Além disso, no curso, aprendem um amplo repertório de brincadeiras, jogos e atividades que podem ser feitas com as crianças e suas famílias. Os demais voluntários também compartilham a sua experiência.

Por fim, os candidatos participam de mais seis semanas de prática em cada setor do hospital, a fim de que possam verificar em qual área se identificam mais. Ao longo do processo, a Fundação percebeu, por exemplo, que era importante eles trabalharem em duplas, para que um pudesse atender a criança e o outro a família, caso necessário.

Nestes anos, a entidade já formou mais de mil pessoas. A maioria dos voluntários é mulher e jovem, principalmente estudantes da área de saúde, como Fisioterapia, Enfermagem, Psicologia e Medicina. Mas, também, há muitos voluntários da área de Comunicação.

Cada voluntário dedica-se entre 3 a 6 horas de trabalho voluntário por semana. Atualmente, há 117 voluntários ativos e mais 27 em fase final de treinamento.

Além disso, uma vez por mês, eles se reúnem com a psicóloga do hospital em rodas de conversa para compartilhar suas experiências. “Esse suporte é fundamental porque é muito difícil atuar num hospital. É um ambiente muito duro mesmo. Assim, nas rodas, eles podem falar sobre os seus sentimentos, sensações e dificuldades”, comenta Sandra.

A diretora de voluntariado da Fundação destaca que todo esse processo realizado junto aos voluntários é importante para que a entidade consiga perceber se a pessoa tem condições de fazer o trabalho, protegendo o próprio voluntário de se expor a situações que não consiga suportar, assim como os próprios pacientes que recebem esse voluntário. “Precisamos sempre observar a capacidade da compaixão da pessoa e se ela está pronta para entrar em contato com a dor do outro. Senão, você pode criar um problema ao invés de ajudá-lo”, destaca.

A diretora aponta ainda o grande engajamento dos voluntários e o retorno positivo que têm de todos que atuam no hospital. “A coisa mais bacana é que eles têm um sentimetno de que mais recebem do que dão. Eles saem do trabalho voluntário com a sensação de satisfação. Isso é incrivel. É algo muito especial, que não tem preço”, destaca.

Os interessados em conhecer mais a iniciativa ou se tornarem voluntários no hospital podem entrar em contato pelo telefone: (11) 3155-2815.

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