GIFE anuncia novas iniciativas durante o III Evento de Presidentes e Principais Executivos do GIFE, em comemoração ao seus 20 anos

Olhar para o passado com a certeza de que o caminho não foi fácil, mas que teve muitas conquistas que inspiram, agora, um novo olhar para o futuro, com a motivação para a criar e lançar inovações ainda melhores e mais desafiantes. Esse foi o sentimento que marcou o III Evento de Presidentes e Principais Executivos do GIFE, em comemoração ao 20º aniversário do GIFE, celebrado no dia 19 de outubro, que reuniu mais de 150 pessoas, entre presidentes e principais executivos dos associados, em São Paulo.

O resgate desta história de duas décadas ficou por conta do lançamento do documentário ‘Em Movimento: 20 anos de Investimento Social no Brasil’, produzido pela  Maria Farinha Filmes (clique aqui para assistir) com o patrocínio do Instituto Alana, Globo, Instituto Arapyaú, Instituto Unibanco, TV Globo e Fundação Roberto Marinho.

 

Para debater sobre “O que queremos para o futuro?”, o documentário, a partir do resgate de reportagens, relembra os principais acontecimentos do desenvolvimento da sociedade civil no Brasil em 20 anos, como a promulgação da Lei da Anistia, a criação do IBASE, a Campanha Diretas Já, a primeira Lei Nacional do Meio Ambiente e de Incentivo à Cultura, a promulgação da Constituição de 1988, entre outros.

Toda a história é também entrecortada pelos comentários e depoimentos de profissionais do ISP que vivenciaram estes momentos e trazem suas opiniões a respeito de momentos marcantes, como a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por exemplo.

“O ECA foi uma das coisas mais inovadoras que fizemos, mas não conseguimos colocar em pé. Só que a gente sinalizou para o mundo uma visão de uma sociedade cuidadora da sua criança e do seu adolescente que não estava colocado no cenário na época”, pontuou no vídeo Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco.“O ECA não teria saído como foi se não tivéssemos uma sociedade civil organizada atuando intensamente para que aquilo se concretizasse”, completou Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE.

O engajamento da sociedade civil aparece ao longo do tempo e em momentos como a ECO 92, a criação do Programa Ação pela Cidadania, o lançamento do programa Comunidade Solidária e da Pastoral da Criança. Beatriz Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Governança do GIFE, destaca que é durante a década de 90, justamente, que a relação entre o tripé – empresas, governo e sociedade civil – se intensifica e que a proposta é que cada um assuma a sua responsabilidade para diminuir a desigualdade social tão presente na realidade brasileira.

É também nesse momento em que se amplia o número de organizações, com a criação do GIFE, do Instituto Ethos, Abong, entre outras, que estavam interessadas em construir uma sociedade mais forte. “O GIFE nasce não como uma estrutura de interesses privados, mas para dar mais qualidade e densidade a essa contribuição privada para o interesse público”, lembrou Andre.

Sobre os anos 2000, foram lembrados momentos como o Fórum Social Mundial, o combate ao desmatamento, Ano do Voluntariado, lançamento do ISE BM&Fbovespa, o Fome Zero,Cúpula dos Povos, entre outros.

No documentário, os conselheiros destacaram ainda que foi o capital filantrópico privado que contribuiu para a mudança qualitativa da relação das empresas com a sociedade, mas lembram que o ISP nunca poderá resolver os problemas públicos, tendo em vista que não se equipara aos orçamentos públicos em volume de recursos. Porém, poderá contribuir na experimentação, na criação de novas abordagens e inovações que podem ser avalancadas e ter impacto em escala.

Outro aspecto fundamental enfatizado foi a necessidade de uma sociedade civil cada vez mais forte. E deixaram como provocação final a importância de cada um pensar em qual é o seu papel e sua participação na busca desse futuro que todos esperam e querem promover: “Uma grande jornada se faz de pequenos passos”.

Novidades

Durante o evento foi divulgada a abertura das inscrições para o Congresso GIFE 2016 e feito o lançamento do Fundo BIS, que visa apoiar iniciativas que contribuam para ampliar o volume de doações no país. A proposta surgiu de um grupo de organizações a partir da constatação de que há um volume ainda tímido de doações no Brasil. O World Giving Index mostrou que o Brasil ocupa o 90º lugar na lista de doações.

Para concretizá-lo, o GIFE estimulará investidores sociais e interessados no tema a doarem 1% de seus orçamentos para o Fundo, que será gerido pelo banco JPMorgan, associado ao GIFE. Se todos direcionassem essa porcentagem de seus recursos, estima-se que o Fundo poderia chegar a, aproximadamente, R$ 30 milhões. Para gerir e definir a alocação das verbas para projetos, será criado um comitê de investimento.

“O Fundo BIS é resultado de um esforço coletivo para ampliar as doações no Brasil. Ele não apoiará projetos de organizações, mas financiará iniciativas que gerem benefícios coletivos para aperfeiçoar o ambiente para as doações no país”, afirma Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE. Entre as iniciativas a serem apoiadas estão desenvolvimento de pesquisas e campanhas, por exemplo.

Andre destaca também que a agenda da cultura da doação se tornou estratégica para o GIFE, assim como para seus associados, uma vez que há um potencial significativo de crescimento no volume de recursos filantrópicos disponível a partir da ampliação de doações de pessoas físicas.

A proposta é que o comitê seja formado ainda este ano e o Fundo comece a operar em 2016. Os interessados em saber mais sobre a iniciativa podem encaminhar e-mail para: comunicacao@gife.org.br.

Visões de futuro

O evento proporcionou ainda um momento para que os conselheiros pudessem compartilhar suas visões sobre os desafios para os próximos anos, que estão alinhados às agendas estratégicas de atuação do GIFE.

Marcos Nisti, vice-presidente do Instituto Alana, ressaltou que o mundo precisa de mais inovação, mais risco, e o ambiente do ISP é extremamente fértil para isso. O desafio é não deixar as instituições se acomodarem e incentivar o pensamento além da fronteira. “O investimento social privado pode colaborar com a transformação social justamente aí, trazendo soluções inovadoras e atalhos para resultados melhores e mais rápidos. Devemos saber bem qual é o papel do investimento social, que nunca será o de substituir o Estado. Temos que ser rápidos, inovadores e fiéis ao risco. Só assim conseguiremos os resultados para os quais existimos”, pontuou.

Para Marcos, o GIFE tem um papel muito importante para provocar e manter os seus associados motivados. “O GIFE, a meu ver, nunca esteve tão forte e relevante e se tornou referência. Formou o ambiente para o ISP mais seguro e confiável”, completou.

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