GIFE lança Key facts com os principais resultados do Censo

O GIFE acaba de colocar no ar o Key facts, um hotsite que traz os principais resultados do Censo de 2016, a principal pesquisa sobre investimento social privado no Brasil, realizada desde 2001. Os dados são uma prévia da pesquisa completa que será lançada em 07 de dezembro.

A proposta é compreender quanto e como se investe no Brasil e quem são as empresas, fundações e institutos de origem empresarial, familiar, independente e comunitária, que investem recursos privados em ações de finalidade pública, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade brasileira.

“O Censo parte da premissa de que ampliar o acesso a dados de qualidade influencia a eficiência, a importância e o impacto do investimento social privado. Precisamos ter dados relevantes e confiáveis que ajudem o setor a se aprimorar e a se expandir. Além disso, com o Key facts, pretendemos disponibilizar estas informações de forma ainda mais acessível, objetiva e de fácil leitura, a fim de apresentar um panorama geral do ISP, e tornar o campo mais conhecido e reconhecido”, destaca Graziela Santiago, coordenadora de Conhecimento do GIFE.

A partir da parceria com o Foundation Center (EUA), o Key facts traz ainda informações e comparações dos dados do Censo com as fundações dos Estados Unidos – e uma versão em inglês – o que permite disseminar os dados para fora do Brasil, garantindo que o contexto do ISP no país seja conhecido mundialmente.

Além do Foundation Center, o Key facts conta com a parceria da Plataforma de Filantropia no Brasil, que é parte da SDG Philanthropy Platform e tem como parceiros nacionais: Fundação Roberto Marinho, TV Globo, Instituto C&A, Fundação Banco do Brasil, Fundação Itaú Social, Banco Itaú, Instituto Sabin, GIFE, Comunitas, IDIS e WINGS. No hotsite é possível navegar pelos principais resultados e também baixar a publicação completa.

Para os associados, a pesquisa tem servido como um termômetro relevante que pode servir de base para revisões na estratégia de atuação das organizações e fortalecimento destas perante seus financiadores.

“O Censo tem sido muito importante para o setor, pois traz a possibilidade de leitura de cenários e tendências dos investimentos sociais no país. Permite compreender quais são as áreas mais beneficiadas e aquelas que têm menor atenção e recurso; o modelo de governança vigente nas instituições, bem como as fontes de financiamentos que viabilizam o investimento social no país; o grau de apoio das organizações da sociedade civil, entre outros aspectos. Comparar os dados do Brasil com os americanos também gera reflexões de ordem cultural e estrutural de cada país”, comenta Juliana Santana, gerente de projetos da Fundação Bunge.

Principais resultados

O Key facts destaca os principais resultados das ações de 116 organizações (90% dos 129 associados do GIFE à época) que responderam a questões relativas a suas atividades e estrutura em 2016. Para fins de análise, os dados de fundações e institutos comunitários foram agrupados com as respostas dos independentes. O documento está organizado em três blocos temáticos com a caracterização e informações mais relevantes sobre o ISP: Panorama; Prioridades e estratégias; e Apoio a Organizações da Sociedade Civil.

O total investido em 2016 foi de R$ 2.9 bilhões, o que representa uma queda de 19% no volume total em comparação em 2014, algo já esperado pelos organizadores devido à crise econômica, social e política que marca o país. De acordo com a pesquisa, aproximadamente metade dos respondentes investe mais de R$ 6 milhões. Os investimentos via incentivos fiscais diminuíram 33%, passando de R$ 599 milhões em 2014 para R$ 402 milhões em 2016.

Em relação ao local de atuação, 77% dos respondentes apoiam programas na região Sudeste, seguido de 49% no Nordeste e 44% apoiam iniciativas que atingem todo o país.

“Essa atuação regional dos associados revela o quanto ainda há uma clara concentração de recursos do ISP para regiões mais desenvolvidas, enquanto que regiões Norte e Centro-oeste ainda representam percentuais mais tímidos. Isso reforça a importância de estratégias regionais de fortalecimento de ecossistemas locais em regiões ‘fora do eixo’, comenta Fábio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, destacando outro dado que chamou a atenção, referente a fonte dos recursos: a maior parte dos recursos (46%) são provenientes de doações da empresa mantenedora ou 28% de fundos patrimoniais (endowments).

Seguindo a mesma tendência dos Censos anteriores, a educação continua sendo o principal foco de atuação dos investidores sociais (84%), seguido de formação de jovens para o trabalho e/ou cidadania (60%), cultura e artes (51%) e apoio à gestão das OSCs (50%).

Um dos dados que chamou a atenção, destacou a coordenadora de Conhecimento do GIFE, é a baixa diversidade presente nestas organizações, tanto internamente, quanto no foco de suas iniciativas. Na questão interna, por exemplo, apenas 24% dos conselheiros são mulheres, sendo que entre as fundações americanas esse percentual cresce para 41%. E, na sua atuação externa, poucos respondentes têm projetos com foco em mulheres – apenas 4% – ou grupos étnicos/raciais – 2%.

Uma das novidades desta nova edição do Censo e Key facts é a inserção de dados sobre o envolvimento dos associados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que determinam um curso global de ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgará um relatório sobre os investimentos sociais brasileiros relacionados aos ODS em novembro de 2017 com os dados do Censo GIFE.

Sobre essa questão, foi possível identificar que as empresas são as mais familiarizadas com os ODS e sua implementação no Brasil. No geral, 43% dos respondentes disseram ter conhecimento razoável sobre ODS; 24% tem muito conhecimento sobre os ODS e implementação dessa agenda no Brasil; 23% tem muito conhecimento sobre os ODS; 9% tem pouco conhecimento sobre os ODS; 1% não sabe o que são os ODS.

Segundo a pesquisa, 51% diz que estão alinhando seus programas/projetos aos ODS e 21% diz que usam os ODS, mas não pretendem realizar um alinhamento mais concreto.

“Foi uma boa surpresa foi ver como os ODS estão alinhados à atuação dos investidores. Este é um esforço global para que tenhamos um amanhã melhor para todos e ver os associados atuando nesta agenda nos faz acreditar que a mudança é possível”, comenta Beatriz Azeredo, diretora de Responsabilidade Social da Globo.

Outro ponto que mereceu um aprofundamento no Censo GIFE diz respeito ao apoio e relação dos investidores sociais com as organizações da sociedade civil. A pesquisa identificou que 595 milhões (21%) do volume total investido foi doado para organizações e seus programas em 2016.

Dos 116 respondentes, 16% predominantemente doam para outras organizações ou programas; 43% predominantemente executam seus próprios programas; e 41% doam e executam. “Apesar da grande maioria ser executor de projetos, 39% planejam aumentar seu nível de apoio a organizações da sociedade civil nos próximos cinco anos”, comenta Graziela.

Quando questionados sobre as motivações para apoiar as OSC, 47% disseram que elas têm legitimidade para atuar com temas ou grupos sociais de interesse e 41% operacionalizam e implementam programas nos contextos/ territórios prioritários. Esse apoio ocorre de várias maneiras, incluindo financiamento para implementação de seus próprios projetos, apoio técnico para as OSCs, suporte financeiro para os programas das OSCs e apoio institucional desvinculado de projetos. Porém, apenas 24% apoiam institucionalmente as OSC.

Oportunidades para ação

Ao apresentar as principais tendências e mudanças na prática dos maiores investidores sociais privados do país, o Censo GIFE e o Key facts têm como expectativa dar suporte ao planejamento e estruturação dos investidores e ao setor do investimento social e da sociedade civil como um todo.

E isso tem ocorrido no dia a dia dos investidores. “Procuramos acompanhar sempre os dados de cada Censo para, em primeiro lugar, nos situarmos no contexto dos demais associados, e também para identificar tendências, perspectivas de novas estratégias e desafios”, comenta o gerente executivo do Instituto Sabin.

Na Globo, por exemplo, os dados são compartilhados com todos os gestores internamente, orientando-os em relação a temas prioritários, assim como parcerias estratégicas.

Próximos passos

Em dezembro, no lançamento do Censo completo, será possível analisar os dados com mais profundidade. Seguindo o modelo das edições anteriores, a publicação contará também com artigos de especialistas que qualificam o debate em temas específicos e conectam os dados do Censo com outras abordagens, ampliando a visão sobre temas que são importantes para o ISP.

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