Guia orienta a construção de mapas da desigualdade nos municípios

O Brasil é marcado por grades desigualdades, que separam regiões extremamente pobres de lugares que apresentam índices de países desenvolvidos, convivendo lado a lado, inseridos no mesmo território. Isso também acontece em escalas menores, inclusive, dentro da mesma cidade, tendo em vista que, quando falamos em desigualdades, estamos apontando indicadores que vão muito além de distribuição de renda, passando por temas como acesso a serviços básicos de saúde, oferta de equipamentos esportivos e culturais, tempo médio de vida da população, entre outras áreas como educação, transporte e habitação.

Só para se ter ideia, em São Paulo, por exemplo, 31 distritos (de um total de 96) não têm um leito hospitalar. Em 34, não há parques; em 36, não há bibliotecas. Quem mora em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital paulista, tem um tempo médio de vida de 53,85 anos, enquanto em Alto de Pinheiros, na zona oeste, esse índice é de 79,67 anos.

Essas e muitas outras informações reforçam a importância do enfrentamento às desigualdades na esfera pública e a necessidade de políticas que priorizem os investimentos nos locais que realmente mais precisam de recursos.

Tendo isso em vista, o Programa Cidades Sustentáveis, em parceria com a Oxfam Brasil e o apoio da Fundação Ford, elaborou o “Guia Orientador para Construção de Mapas da Desigualdade nos municípios brasileiros”. A proposta é ajudar os gestores públicos a realizarem um diagnóstico mais profundo da região em que atuam e investir em políticas públicas que minimizem as disparidades existentes nos territórios.

O material foi elaborado a partir da metodologia criada pela Rede Nossa São Paulo, que aponta as diferenças entre as melhores e piores regiões analisadas, de modo que seja possível mapear as mais carentes de serviços e infraestrutura. Trata-se de uma ferramenta própria, aplicada há cinco anos na cidade, que utiliza um conjunto de indicadores relacionados aos diferentes aspectos que influenciam a qualidade de vida das pessoas (em áreas como Educação, Saúde, Trabalho, Meio Ambiente, Cultura, Violência etc.).

Como em 2016 esse trabalho foi replicado também no Distrito Federal e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o guia traz os exemplos e os processos de elaboração dos mapas nestas duas localidades.

Segundo Oded Grajew, coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis, o material busca justamente incentivar as cidades e a sociedade civil organizada a reunirem os indicadores e construírem os seus próprios mapas. “O projeto contribui ainda para que a sociedade se aproprie de informações públicas e, com isso, conquiste instrumentos para a transformação e o controle social. Ao preencher uma lacuna importante em termos de difusão de dados públicos, os mapas da desigualdade ampliam o alcance do conhecimento sobre os territórios e facilitam a assimilação das informações disponíveis. Em última instância, é o aprofundamento da democracia, a promoção da igualdade territorial e um passo decisivo em direção ao horizonte do desenvolvimento sustentável”, destacou Oded no texto de abertura do guia.

A Rede Nossa São Paulo desenvolveu também um aplicativo para consulta dos dados do Mapa da Desigualdade da cidade, ação que pode ser replicada por outros municípios que queiram disponibilizar os dados em tablets e celulares. O “Desigualtômetro” está disponível para smartphones Android na loja Google Play Store. Não existe configuração mínima para a instalação.

Clique aqui e conheça o guia orientador.