Iniciativa busca inspirar a participação das juventudes no processo democrático

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Aumentar as instâncias de participação e representatividade, garantindo a expressão de grupos historicamente marginalizados nas decisões a respeito daquilo que os afeta tem sido apontado como prioridade na agenda democrática. A demanda é histórica e urgente em razão da sub-representação de diversos segmentos da sociedade brasileira nos espaços de poder, como mulheres, pessoas negras, povos indígenas e quilombolas, crianças, adolescentes e jovens.

Para responder aos desafios específicos à participação cidadã das juventudes na formulação de políticas e na tomada das decisões que impactam suas vidas, a Ashoka, em parceria com a Open Society Foundations, realizou o mapeamento Jovens Transformadores para o Futuro da Democracia.

O estudo aponta três principais barreiras sistêmicas que inibem a participação de jovens nos processos democráticos: falta de espaços e oportunidades para aprender e praticar cidadania; choque cultural entre as instituições tradicionais e as juventudes; e exclusão e discriminação em múltiplos níveis.

A partir de um levantamento de inovações sociais junto a 123 empreendedores sociais e jovens da América Latina que compõem a rede Ashoka, o documento reúne estratégias e experiências em curso para transpor essas barreiras que podem inspirar outras ações voltadas a promover o protagonismo das juventudes no processo democrático e na tomada de decisões.

Helena Singer, líder da Estratégia de Juventude da Ashoka América Latina, explica que os participantes da iniciativa fazem parte do programa Jovens Transformadores pela Democracia, que identifica e apoia jovens cujas iniciativas incentivam o engajamento político, sobretudo de populações que não têm seus direitos respeitados ou que necessitam de apoio para conquistar representatividade nos espaços decisórios. Entre 2019 e 2020, a iniciativa formou uma comunidade com 32 jovens do Brasil e da Venezuela.

“Nosso objetivo é mapear o que tem sido feito de mais inovador na América Latina e sabemos que o que vem justamente desses jovens que vivem em contextos de vulnerabilidade socioeconômica e que se organizam coletivamente para enfrentar as situações que os afetam e colocar ideias em prática para gerar impacto positivo em suas próprias realidades”, observa a especialista.

Achados: desafios e oportunidades para as juventudes

A metodologia de Mapeamento de Inovações Sociais é um processo por meio do qual a Ashoka identifica padrões nos métodos utilizados pelos empreendedores sociais e jovens de sua rede para gerar mudanças sistêmicas. Tais padrões apontam maneiras de entender os desafios e estruturar novas estratégias para superá-los.

O mapeamento apresenta esses padrões como barreiras e princípios direcionadores:

Barreiras
➜ Falta de espaços e oportunidades para aprender e praticar cidadania;
➜ O choque cultural entre as instituições tradicionais e as juventudes;
➜ Exclusão e discriminação em múltiplos níveis.

Princípios direcionadores
➜ Criar espaços de participação e encontro dos cidadãos;
➜ Dar aos jovens oportunidades para criar mudanças, com foco no local e no tangível;
➜ Cultivar uma nova mentalidade centrada na liderança compartilhada, na diversidade e no coletivo;
➜ Desenvolver capacidades e habilidades de transformação.

Para Helena, o contexto diverso dos empreendedores e jovens que apoiaram o estudo permitiu muitos aprendizados.

“Ampliamos nossa visão sobre o que é democracia e participação a partir dessa experiência. Ficou ainda mais clara a transversalidade de pautas como a agenda climática e a luta por democracia, por exemplo. Esse aprendizado nos impulsiona a resgatar a esperança na América Latina, que é cotidiana para milhares de jovens que apontam todos os dias novas formas de reinventar a democracia latinoamericana.”

O que o ISP pode fazer pela participação social

O guia O que o ISP pode fazer pela democracia? propõe um norte para o futuro da democracia brasileira. A iniciativa integra o projeto O que o Investimento Social Privado pode fazer por…?, que tem como objetivo diversificar e expandir a atuação do investimento social privado (ISP) e da filantropia para temáticas relevantes da agenda pública e contemporânea.

A produção do material partiu de entrevistas, pesquisa bibliográfica e as contribuições de um workshop realizado com especialistas em dezembro de 2020. O guia reúne conceitos, contexto e tendências, além de desafios e possibilidades para a atuação de organizações do ISP no tema.

Entre as recomendações estão:

➜ Fomento à criação de espaços e soluções inovadores, visando o aperfeiçoamento do sistema político e das instituições democráticas;
➜ Criação e fortalecimento de instâncias e ferramentas que qualifiquem a participação e o controle social;
➜ Fortalecimento da sociedade civil organizada, com destaque ao desenvolvimento institucional de organizações de base, periféricas e lideradas por grupos minorizados;
➜ Produção e disseminação de conhecimento e experiências bem sucedidas;
➜ Qualificação do debate público;
➜ Incidência e advocacy.

A iniciativa é uma realização do GIFE em parceria com Fundação Tide Setubal, Pacto pela Democracia, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Uneafro Brasil, Instituto de Referência Negra Peregum  e Instituto Geledés.

Para Mariana Almeida, superintendente da Fundação Tide Setubal, uma sociedade democrática deve estabelecer formas de organização baseadas em respeito, diálogo e garantia de direitos e liberdades para todos e todas. “Uma democracia com falhas significa uma sociedade onde há aqueles que não têm seus direitos respeitados, que ainda exclui grupos do debate sobre os seus rumos e que perpetua desigualdades.”

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