Iniciativas apoiadas por associados do GIFE são reconhecidas como inovadoras pelo Ministério da Educação

Muito além do ensino apenas de português, ciências ou matemática. No lugar, mais cultura, exploração do território, valorização do conhecimento das comunidades e, o principal, o jovem como centro do seu processo de aprendizagem e agente transformador.

Foram elementos como estes que chamaram à atenção do Ministério da Educação (MEC) para a criação do “Mapa da Inovação e Criatividade na Educação Básica”. A iniciativa reconheceu 178 instituições educacionais brasileiras, entre organizações não governamentais, escolas públicas e particulares, pelo seu trabalho de inovação e criatividade na educação básica. Entre elas, diversos projetos apoiados por associados do GIFE em diferentes partes do Brasil.

A criação do Mapa teve início em setembro de 2015, quando o MEC lançou uma chamada pública à qual se apresentaram 682 entidades. A avaliação das instituições, feita por grupos de trabalho regionais, levou em conta cinco dimensões: gestão, currículo, ambiente, método e articulação com outros agentes.

Depois da avaliação, foram selecionadas 138 instituições que já trilham um longo caminho na prática da inovação e 40 organizações que estão caminhando na direção da inovação com vistas a garantir qualidade à educação oferecida.

Segundo dados do MEC, as instituições reconhecidas representam as cinco regiões do país. A maior parte delas são escolas (74%), entre as quais 52,5% são públicas e 47,5% particulares; os atendimentos compreendem a educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos (EJA).

Juventude

Uma das iniciativas de destaque é o Programa Jovens Urbanos, da Fundação Itaú Social, sob coordenação técnica do Cenpec. O programa foi criado em 2004 para promover, na perspectiva da educação integral, a ampliação do repertório sociocultural de jovens que vivem em territórios urbanos vulneráveis. O Jovens Urbanos desenvolve, implementa e dissemina tecnologias de trabalho com a juventude por meio de processos de formação ampliada, geração de oportunidade e inserção produtiva, além de contribuir para que esses jovens concluam o Ensino Médio e tenham acesso ao Ensino Superior.

Patricia Mota Guedes, Gerente de Educação da Fundação Itaú Social, destaca que o reconhecimento do MEC reforça a mensagem de que o desafio de se garantir educação pública de qualidade para todos não é só do setor público e precisa contar com o envolvimento amplo da sociedade civil.

“Nesse sentido, as organizações do terceiro setor têm um papel importante, sobretudo quando articuladas em rede, como parceiras dos governos municipais, estaduais e federal. Existem tecnologias desenvolvidas por organizações sociais, que podem ajudar na solução de questões mais amplas da educação. Algumas podem inspirar políticas públicas e programas de larga escala liderados pelo setor público, outras podem se tornar aliadas estratégicas da escola na ampliação dos tipos de aprendizagem ofertados para a juventude. Esse mapeamento desenvolvido pelo MEC é uma fonte de referência muito rica para que as redes tenham acesso e possam buscar formas conjuntas de atuação e práticas inspiradoras”, destaca.

Na avaliação de Patricia, o Jovens Urbanos conquistou essa participação no Mapa devido a dois elementos que garantem inovação: o investimento forte na composição de redes de organizações e lideranças locais e um olhar atento para os novos movimentos e demandas juvenis.

Isso se concretiza de diversas formas. Uma delas é a realização anual na cidade de São Paulo de uma edição do Jovens Urbanos, com um caráter de laboratório, a fim de vivenciar o contato direto com o território e o aprimoramento da metodologia. No ano passado, por exemplo, o programa foi realizado em Cidade Tiradentes e, pela primeira vez, foi estabelecida uma parceria com a rede estadual de São Paulo, para que os professores mediadores, em conjunto com outros agentes do território, como coletivos, organizações locais e os jovens, planejassem conjuntamente atividades de circulação por diversos equipamentos e espaços do bairro e da cidade.

“As avaliações de impacto do programa ao longo desses anos apontam que estamos no caminho certo: apresentam resultados significativos no aumento de renda, empregabilidade e entrada no ensino superior para os participantes”, comenta Patricia.

Tecnologia

Outro projeto de destaque no Mapa da Inovação é a Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia –  unidade de Belo Horizonte (Minas Gerais), desenvolvida pelo Oi Futuro.

A iniciativa oferece a jovens de comunidades populares urbanas, estudantes ou egressos da rede pública, formação em artes gráficas e digitais. A ideia é que os jovens jovens se apropriem das tecnologias da comunicação e da informação em processos criativos, podendo assim atuar nos campos de trabalho artístico e cultural.

Em 2010, o programa obteve o prêmio A Rede, na categoria Capacitação, da Modalidade Setor Privado. Já em 2012 e 2013, o programa recebeu o prêmio Construindo a Nação, promovido pelo Instituto da Cidadania Brasil junto com a CNI-SESI, na categoria políticas públicas.

Além de Belo Horizonte, a Oi Kabum está ainda em Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Toda a experiência da iniciativa foi, inclusive, sistematizada recentemente no livro “Oi Kabum! 12 anos – juventudes, experiências e aprendizados em Arte e Tecnologia”.

Também no campo da tecnologia, quatro escolas apoiadas pela Fundação Telefônica foram reconhecidas pelo MEC e fazem parte do Mapa. São elas: Escola Municipal de Ensino Fundamental Zeferino Lopes (Viamão – RS), Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles (São Paulo – SP), Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima (São Paulo – SP) e Escola Municipal André Urani ou “Gente” (Rio de Janeiro – RJ).

As instituições de ensino participam do projeto Escolas que Inovam, que visa inserir as TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) como parte do projeto pedagógico dessas escolas e a adequação da infraestrutura para o uso das tecnologias.

O objetivo é auxiliar a conectar professores e alunos à tecnologia, contribuindo para potencializar o aprendizado, engajar os alunos com as disciplinas e tornar o projeto uma fonte de inspiração para outras iniciativas de instituições públicas e privadas.