Instituto Alana e Fundação Tide Setúbal se unem para melhoria da Várzea do Tietê

Com a proposta de melhorar as condições urbanas e a qualidade de vida nas áreas próximas ao rio Tietê, em São Paulo, moradores, associações, instituições de pesquisa, arquitetos, engenheiros, artistas e universidades se uniram em torno do Projeto ZL Vórtice, de investigação e práticas urbanas experimentais. A proposta é que, em colaboração, instituições públicas e privadas, busquem novos conceitos, modos de cooperação e tecnologias para enfrentar as condições extremas relacionadas à habitação, enchentes e preservação ambiental na área.

Nessa perspectiva, Instituto Alana e Fundação Tide Setúbal, organizações com ampla atuação nestes locais, se uniram ao projeto ZL Vórtice, em cooperação com a CDHU, a USP, as Associações de moradores do Jardim Pantanal e do Jardim Lapenna, e o Viveiro Escola União de Vila Nova.

Andrea Bargas, coordenadora do Espaço Alana, ressalta que um dos principais diferenciais do projeto é que, além de trazer melhorias para a região, com as intervenções que estão sendo propostas, ele oferece conhecimento e capacitação aos moradores, o que garante a mobilização, engajamento e também apropriação das ferramentas para a continuidade das ações. “É um grande chamado à comunidade para pensar em soluções alternativas para melhoria da qualidade de vida. Sendo assim, nós, enquanto organização, mobilizamos e incentivamos os moradores a participar, aproximando as partes”, comenta a coordenadora.

Tanto é que um grupo formado por 35 moradores de bairros da várzea do Tietê, realizaram uma visita ao Laboratório de Fabricação Digital da FAU-USP e ao Laboratório de Microestruturas da Poli, para acompanhar os testes preparatórios do projeto ‘Calçadas Drenantes’. O projeto visa promover a instalação de sistemas inovadores de drenagem e de manejo das águas – questões de suma importância para uma comunidade localizada em área de Várzea.

“Estamos em uma área em que ocorrem muitos alagamentos e esse tipo de tecnologia que a universidade está propondo pode ajudar a melhorar muito este aspecto”, comenta Andrea. As peças são pré-fabricadas e a proposta é que os moradores possam aprender a técnica para produzirem, num segundo momento, na própria comunidade, estabelecendo um polo tecnológico local. No Lapena, por exemplo, a proposta é fazer a calçada em frente à creche, tendo em vista que não há muita vazão de água no local, o que impede, inclusive, nos dias de chuva, das crianças conseguirem ir às aulas.

Mais uma ação que os moradores irão se envolver ativamente é a de construção de calçadas artísticas, com a coordenação da artista plástica Regina Silveira. Os moradores levantaram temas que representam os bairros e já se transformaram em desenhos. Agora, os desenhos serão colocados nas lajotas, que serão construídas em cimento ecológico. Um grupo da comunidade irá aprender também a técnica para poder aplicar num espaço experimental, em um grande mutirão. A ideia é que a arte permeie as ações de infraestrutura local.

Outra frente do projeto é voltada à educação ambiental e tem os jovens como foco central. Um grupo, formado por oito jovens, participaram de oficinas sobre sensores e permacultura, com a proposta de pensar em melhorias unindo tecnologia e questões ambientais urbanas. Depois da formação inicial com equipe do ZL Vórtice, o grupo JAP (Juventude, Atitude e Proceder) no Território, passou a se reunir quinzenalmente no Alana para dar continuidade às ações. A partir de um mapeamento de demandas da comunidade, eles identificaram que há falta de remédio nas UBS (Unidades Básicas de Saúde), assim com poucos espaços com wifi livre.

Assim, os jovens estão agora articulando um projeto que possa desenvolver uma horta medicinal, aliando energia solar e roteamento de wifi. O grupo se dedica também a elaborar um jornal comunitário sobre as demandas locais.

Andrelissa Teressa Ruiz, assistente de coordenação da Fundação Tide Setúbal, ressalta que, cada vez mais, os moradores estão motivados a se envolver nas atividades propostas. “Hoje há uma descrença grande com a possibilidade de implementação de políticas públicas. Então, quando as pessoas percebem que é possível fazer melhorais no bairro por conta, é motivador”, comenta, ressaltando também a importância da articulação entre as organizações.

“Como há uma dificuldade em se olhar para as necessidades da nossa região e, neste momento, temos a possibilidade de estar juntos de outras organizações, de áreas similares, a gente se fortalece. É possível ver que, aquela dificuldade pela qual estávamos brigando há anos, outros bairros também têm. Isso traz a oportunidade de pensar soluções conjuntas, de dar mais eco para as questões da Várzea. Isso trouxe bastante esperança”, ressalta Andrelissa.

Agora, para dar continuidade às ações e execução dos próximos passos, o projeto espera os recursos que devem chegar pela Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê / FEHIDRO.