Instituto Avon propõe a construção de relacionamentos mais saudáveis para o enfrentamento da violência contra a mulher

No dia 20 de novembro, o Instituto Avon lançou a campanha #comTrato, no âmbito dos 21 Dias de Ativismo, período dedicado à luta pelo fim da violência contra a mulher. Este ano, a iniciativa discute como tratar assuntos e temas importantes para a construção de relacionamentos saudáveis. O objetivo da campanha é incitar uma mudança na sociedade a partir do senso de corresponsabilidade.

Desde 1991, a Organização das Nações Unidas (ONU) trabalha globalmente com os 16 Dias de Ativismo, que tem início em 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, e termina no dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

No Brasil, a campanha começa antes – no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra – a fim de alertar sobre a maior incidência de violência contra as mulheres negras. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, em dez anos, os assassinatos de brasileiras pretas e pardas cresceram 54%.

Para esse período, o Instituto Avon preparou uma campanha que convida as pessoas a discutirem, com gentileza, novas formas de convivência. Com uma série de iniciativas e eventos, o Instituto busca engajar a sociedade, o poder público, as empresas e o terceiro setor para falar das diversas formas de violência: a doméstica, o controle coercitivo, o assédio digital, o assédio nos espaços públicos, entre outras.

“O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. A cada doze minutos, uma mulher é estuprada, segundo estimativas. Este ano, queremos chamar atenção para a importância da construção de uma sociedade em que as mulheres sejam capazes de viver relacionamentos saudáveis. Estamos propondo um novo contrato para chamar atenção para as violências que muitas vezes passam despercebidas e para o fato de que a violência que não mata, mata mesmo assim. Mata a alegria e o desejo de uma vida plena. Mata a paz de espírito e a autoestima. Causa medo e ansiedade”, destaca Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon.

Conceito

O conceito da campanha se dá em torno da premissa de que toda mulher merece ter relacionamentos saudáveis e viver uma vida sem violências e, só assim, ela poderá ser livre, plena, realizada e dona de si. “A maioria das mulheres sofrem violências menos visíveis do que a física: patrimonial, psicológica, moral. Nós não conversamos o suficiente sobre isso. Durante a campanha, vamos expor essas histórias e estimular ações que mudem o trato.”

Como participar

A diretora explica que a expectativa do Instituto é que a campanha seja multiplicada para criar impacto por meio de uma voz uníssona. “A gente considera que tão importante quanto decidir o tema é ter uma rede de parceiros que consiga sustentar a conversa e, portanto, ganhar escala e fazer a diferença no avanço da causa. Acreditamos que juntos somos mais fortes. Quando o discurso se fortalece, a mudança na sociedade se inicia”, defende.

Para isso, durante toda a campanha, o Instituto Avon disponibilizará um conjunto de peças, vídeos e outros conteúdos que podem ser co-assinados, adaptados e personalizados pelas organizações interessadas em se somar à campanha.

“Queremos com isso ampliar as vozes das mulheres, em sua diversidade, promover mudanças específicas nas instituições e locais de trabalho e estimular compromissos de instituições privadas para financiar a prevenção e eliminação das violências contra mulheres e meninas. Mais valioso do que as histórias é a ação que pode ser sugerida para mudarmos esse cenário. Mudar o trato, rever o contrato”, observa.

Construindo novas histórias para meninas e meninos

Em parceria com a Maurício de Sousa Produções e o projeto Donas da Rua, o Instituto Avon também lançou uma série de 21 histórias desenvolvidas exclusivamente para a campanha. Nas tirinhas, Mônica, Magali, Rosinha, Marina, Bonga, Dorinha e tantas outras, inspiram meninas a acreditarem que podem superar obstáculos com determinação, responsabilidade e solidariedade. Além de incentivar meninas, o projeto busca informar também os meninos, pois acredita que um mundo onde homens e mulheres convivam de maneira respeitosa e pacífica é construído desde a infância, por meio do ensinamento de valores que reforçam a cultura de respeito às diferenças e fortalecem a autoestima e a igualdade de oportunidades para meninos e meninas.

A Casa

Outra iniciativa no âmbito da campanha se refere à programação que será oferecida pela A Casa, concebida pelo Instituto Avon em parceria com a ProMundo. Entre 4 e 10 de dezembro, o local, em São Paulo, vai reunir atores e iniciativas com o objetivo comum de promover uma sociedade mais igualitária, justa e livre das violências contra as mulheres. A programação acontece na Casa Mulheres do Brasil, onde profissionais abordarão temas como saúde, empreendedorismo, assédio, participação política, entre outros. Mais informações sobre a programação e o local podem ser acessadas neste link.

Reconhecimento e Valorização

A campanha conta ainda com uma ação de reconhecimento e valorização do trabalho de organizações e pessoas que fazem diferença na rede de proteção à mulher em situação de violência. Em parceria com a revista Marie Claire, o Instituto idealizou o Prêmio Viva. No dia 22 de novembro, a iniciativa premiou pessoas em sete categorias: Saúde; Sociedade Civil; Revendedoras; Segurança, Justiça; Autonomia Econômica e Empreendedorismo; e Eles por Elas (para um representante do gênero masculino com atuação expressiva em favor das mulheres).

Todos os materiais e iniciativas da campanha e outras informações podem ser acessadas no site e nas redes sociais (Instagram e Facebook) do Instituto Avon.

Daniela faz uma convocação especial ao campo do investimento social privado. “É sabido que os institutos, fundações e empresas investem pesadamente em educação no Brasil. E a educação é de fato um tema absolutamente necessário na construção do futuro que a gente deseja. Mas, existem questões muito urgentes que não podemos transferir para a próxima geração e uma delas é a da violência contra a mulher. Eu falo isso especialmente ao público do GIFE porque o tema, segundo o próprio Censo GIFE, está presente em apenas 4% do capital destinado pelos investidores sociais no Brasil. Então, acho importante que o setor esteja atento a problemas que também afetam a qualidade da educação e que precisam ser endereçados hoje. Não há como educar alguém que se sente insegura em relação aos direitos mais básicos como o próprio direito à existência e à integridade física e emocional.”

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