Instituto Desiderata trabalha a educação na juventude de forma interativa

Formação, novas metodologias de ensino, compartilhamento de conhecimento e acesso à informação. Estes são alguns elementos-chave dos projetos lançados pelo Instituto Desiderata para o ano de 2014.

Em abril, a organização, em conjunto com diversos parceiros da cidade do Rio de Janeiro (RJ), coloca à disposição dos professores do Ensino Fundamental do município, assim como dos estudantes, três iniciativas – Intervalo, Prisma e LAtitude – que pretendem colaborar com a melhoria da qualidade da educação local.

Os projetos surgem a partir dos aprendizados gerados pelo projeto Megafone, ação promovida pelo Desiderata até o ano passado. Ao realizar um diagnóstico da educação pública na cidade do Rio de Janeiro, em 2009, a organização identificou indicadores educacionais preocupantes e ausência de ações direcionadas ao segundo ciclo do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), que atende diretamente aos adolescentes de 11 a 14 anos. Diante disso, elegeu como foco de atuação a educação para/com adolescentes.

Roberta Costa Marques, diretora executiva do Instituto, explica que, além deste momento de pesquisa, foram ouvidos diversos profissionais de educação do município em encontros dos grupos de trabalho do Megafone, realizados entre 2011 até 2013. Esse período de escuta e troca de experiência foi fundamental para estabelecer o desenho dos novos projetos.

A primeira iniciativa é o projeto Intervalo, que visa ser um espaço de reflexão e, portanto, de formação continuada dos profissionais da educação. A proposta será oferecer, em parceria com a Gerência de Mídia-Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, seminários e oficinas, assim como workshops temáticos envolvendo diferentes linguagens da arte e tecnologias de comunicação, como artes cênicas, música, literatura, artes visuais, audiovisual e plataformas digitais.

Serão oferecidas 30 vagas para cada workshop, realizados mensalmente. Os temas serão: corpo, tempo, prazer, medo, conflito e transgressão. No dia 29 de abril, por exemplo, acontece o primeiro encontro.

O projeto irá promover ainda, ao longo do ano, exibições de filmes, seguidas de debate ou outras atividades, organizadas em parceria com o Cineduc, a Mostra Geração do Festival do Rio e as escolas municipais que participam do projeto Cineclube. Os professores articuladores dos Cineclubes serão convidados, inclusive, a participar da concepção, da produção e da realização dessa iniciativa. Eles farão a curadoria e poderão escolher o filme a ser exibido, o público e a atividade a ser realizada após a exibição.

O mesmo tema discutido nos workshops será também destaque do segundo projeto, o Prisma. Trata-se de uma plataforma digital multidisciplinar que busca mostrar diversos ângulos sobre as culturas juvenis produzidas dentro e fora dos muros das escolas, colaborando para que os educadores reflitam sobre o universo dos jovens.

Filósofos, psicanalistas, educadores, escritores, comunicadores e jovens terão seus pontos de vista expostos na plataforma. Mensalmente, será abordado um novo tema a partir de diferentes linguagens: música, artes visuais e cênicas, produções audiovisuais e diversos gêneros textuais.

O primeiro tema abordado na plataforma, assim como do workshop, é “corpo”: como os corpos juvenis estão se constituindo na contemporaneidade? De que maneira toda a complexidade do nosso tempo está se refletindo nesses corpos? As tecnologias, as relações sociais, as diferentes mídias: tudo isso tem impactado nas subjetividades juvenis e, consequentemente, na maneira como os corpos dos jovens se apresentam? São algumas destas perguntas que procuram ser discutidas nesta edição do Prisma.

Na seção COMtexto, por exemplo, o jornalista Plínio Fraga escolheu um clássico da literatura mundial para falar sobre a contraposição entre juventude e envelhecimento. Há ainda uma entrevista exclusiva com a cineasta britânica Beeban Kidron, que lançou recentemente o filme “InRealLife”, um documentário que coloca luz sobre a relação entre os jovens e a internet.

No espaço Clave, o leitor entra em sintonia com as músicas que mexem com a cabeça de adolescentes e jovens por meio de textos e vídeos que buscam relacionar a temática em pauta com o som ao redor. E, na seção Retina, o internauta pode conferir ensaios fotográficos sobre o tema.

A terceira iniciativa do Instituto Desiderata, realizada em parceria com os pesquisadores do Observatório Educação e Cidade, é o projeto Latitude, uma nova plataforma digital de gestão de informações a respeito dos indicadores educacionais oficiais do município do Rio de Janeiro.

Segundo Roberta, o objetivo é facilitar o acesso, a leitura e a interpretação de dados no campo educacional, principalmente por aqueles que estudam, planejam, trabalham e fazem pesquisa em educação. “A iniciativa surge como uma contribuição ao conhecimento e à discussão de políticas e práticas educacionais da cidade”, comenta a diretora executiva do Desiderata. A plataforma será usada em atividades de formação inicial e continuada de professores e gestores.

No espaço, o internauta pode navegar pelos dados georreferenciados organizados a partir de quatro níveis: escolas, bairro, Região Administrativa (RA) e Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Cada nível de informação oferece acesso a diferentes dimensões, que engloba indicadores e informações. É possível criar um mapa e descobrir, num determinado bairro, por exemplo, quais escolas têm computadores. Outros dados disponíveis dizem respeito à infraestrutura, à quantidade de moradores por faixa etária, dados a respeito do analfabetismo, entre outros.

Para complementar os dados, além da interface geográfica, a plataforma disponibiliza textos explicativos. Em breve, será lançado um novo recurso, a Rede Latitude, para garantir a interação e participação das escolas. Os usuários poderão identificar grupos de interesse de pesquisa, trocar experiências, partilhar projetos, criar grupos de estudos, entre outras funcionalidades.

De acordo com Roberta Marques, a partir destas diversas ações articuladas, o Instituto pretende alcançar diversos resultados, como contribuir para que os professores da cidade realizem novas práticas pedagógicas envolvendo a participação de jovens, garantir uma maior visibilidade dos temas que afetam a juventude para o debate sobre educação, junto a jovens, educadores, pesquisadores, gestores públicos e investidores sociais privados, além de criar uma rede colaborativa de construção de conhecimentos, a partir das plataformas.

O Instituto Desiderata é associado GIFE.