Instituto Holcim compartilha experiências e aprendizados de 11 anos de projeto de desenvolvimento local

Em setembro de 2003, o Instituto Holcim e a empresa davam início a uma iniciativa que, 11 anos depois, iria inspirar e transformar a forma de atuação da entidade a partir dos seus inúmeros aprendizados e experiências adquiridas. O Projeto Ortópolis (do grego orto = correto; polis = cidade) Barroso, instalado na cidade de Barroso, em Minas Gerais, foi criado com foco no desenvolvimento local e atuação nas áreas econômica, social e ambiental.

Madalena Cabral, gerente de Responsabilidade Social Corporativa e do Instituto Holcim, ressalta que, desde o início do projeto, já havia um comprometimento em realizar algo a longo prazo, pois a proposta era de desenvolver, de fato, aquele território e, somente com ações pontuais e de curto prazo, não provocariam a mudança desejada.

Para garantir uma governança adequada do projeto e que a própria comunidade pudesse administrar as propostas e soluções identificadas pelos moradores, foi criada a Associação Ortópolis Barroso (AOB), em 2004. A empresa e o Instituto se tornaram parte integrante do grupo.

Nestes 11 anos, a iniciativa conseguiu trazer resultados positivos para o território. O Projeto Rumo Certo, por exemplo, realizado de 2006 a 2013, teve como objetivo promover o fortalecimento do comércio local. Para isso, 55 empresários participaram de uma série de formações em gestão e administração de negócios. Com o projeto, os envolvidos tiveram aumento de 15% no faturamento, 20% no número de empregos gerados e redução de 3% do custo geral.

Outra iniciativa realizada localmente teve como proposta aumentar a renda dos pequenos produtores de leite da região. Com o apoio na gestão e capacitações em atividades práticas para melhorar a produção, foi possível obter um aumento da renda familiar em 157%.

Impactos positivos também foram obtidos junto à Associação dos Catadores e Recicladores de Materiais Reaproveitáveis de Barroso – ASCAB, fundada em 2007. O grupo recebeu o apoio do projeto para fortalacimento da associação, gestão e ampliação da rede de contatos. Com isso, as 15 famílias que participam da associação tiveram um aumento de 100% em sua renda.

Com os resultados obtidos, o Projeto Ortópolis Barroso foi reconhecido por algumas premiações, como a 12ª edição do Prêmio Ser Humano, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos de Minas Gerais (ABRH-MG), na categoria Responsabilidade Social Corporativa, e também na 1ª edição do Prêmio Transformadores, patrocinado pela Fundação Interamericana (IAF) e pela RedEAmérica, que reconhece iniciativas que contribuem para transformações geradas para diminuição da pobreza, o aprofundamento da democracia, a sustentabilidade, a construção de capacidades e vínculos na América Latina.

Hoje, Barroso já não possui o mesmo patamar de uma cidade de 20 mil habitantes. É um município diferenciado, que tem mais controle sobre as suas realizações”, destaca Madalena.

Conhecimentos e aprendizagem

Ao longo destes 11 anos, muitos conhecimentos foram contruídos e desafios superados. Segundo Madalena Cabral, entre os aprendizados adquiridos pela iniciativa, está a compreensão da necessidade da participação igualitária da sociedade civil, do poder público e das empresas, a fim de não criar dependência por nenhuma das partes envolvidas.

Outro ponto essencial é que cada um dos atores envolvidos reconheça de fato o seu papel e a sua importância no processo. “É preciso uma integração efetiva entre governo, sociedade civil e empresas, pois só assim as iniciativas terão resultados positivos. Não pode ser um envolvimento sazonal, por um período. O engajamento tem que ser durante toda a proposta que está sendo estabelecida”, aponta.

Um grande desafio encontrado neste período do projeto, aponta Madalena, foi manter a motivação dos cidadãos para a proposta. Para conseguir isso, um dos caminhos estabelecidos foi demonstrar os resultados obtidos e encontrar sempre possibilidades de melhoria. “Outra coisa que aprendemos é que o olhar não deve ser para o que está ruim, mas sim para o que pode ser melhorado. Motivar é isso: enfatizar o quanto conseguimos avançar ao longo dos anos e o quanto ainda há de possibilidades e oportunidades para melhorar ainda mais”, ressalta.

Na visão do Instituto Holcim, mais um aspecto central para conseguir bons resultados em uma iniciativa que visa promover o desenvolvimento local, é garantir uma articulação de fato com o poder público. “Poderíamos ter feito isso melhor nestes anos. Por isso, agora, na evolução do projeto, estamos trabalhando exatamente nessa articulação. Afinal, é o poder público que tem a capacidade de dar escala às ações e torná-las contínuas. As iniciativas serão parte integrante do território a partir do momento que se transformarem em políticas públicas”, enfatiza Madalena, destacando a importância de se estabelecer acordos para que as ações não fiquem estagnadas ou acabem nas mudanças de governos.

Próximos passos

Madalena Cabral ressalta que, o grande resultado do projeto, foi justamente trazer experiência para o Instituto na atuação em desenvolvimento de territórios, o que provocou uma revisão estratégica da organização.

A proposta agora é criar um Comitê de Ação Participativa, que reúne todas as lideranças do território, com caráter deliberativo. Atualmente, em Barroso, esse Comitê está sendo formado e, em breve, participará de uma série de capacitações para que, com o apoio de uma consultoria local, seja estabelecido um planejamento estratégico para o muncípio, definindo as prioridades. A partir daí, serão desenvolvidos projetos que poderão ser apoiados pelo Instituto visando o desenvolvimento do território.

Essa proposta foi pensada para o Projeto Ortópolis Barroso, mas hoje passa a ser a forma de atuação do próprio Instituto Holcim em todas as nossas localidades para os próximos cinco anos. O primeiro Comitê vai ser criado em Barroso, pois fizemos um compromisso que, ao final de dez anos, iríamos pensar no futuro da atuação no território”, comenta Madalena.

Diversas iniciativas continuam sendo apoiadas na cidade, como o Projeto Empreender em Família, que tem como objetivo aumentar a renda de até 130 famílias atendidas pela APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), assim como o projeto Observatório Social de Barroso, que visa mobilizar cidadãos, empresas, entidades da sociedade civil e instituições de ensino e pesquisa para construir e comprometer a comunidade e os governantes com um conjunto de metas.

Por meio do Observatório, foram levantados indicadores da cidade e, agora, eles precisam ser atualizados. A proposta é que Câmara de Vereadores assuma a manuteção do Observatório, para que ele se torne uma política pública.

Entendemos também que não podemos ter grupos paralelos trabalhando temas da comunidade. É preciso sim fortalecer os conselhos, garantindo que as ações sejam tomadas nos fóruns específicos e oficiais”, ressalta a gerente.

O Instituto Holcim é associado do GIFE

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