Institutos e fundações se reúnem para debater as faces do coinvestimento

O último Censo GIFE trouxe à tona uma tendência crescente no campo do investimento social: 70% dos associados estão envolvidos em ações de coinvestimento. Nestas ações, mais de R$ 32 milhões foram investidos em cerca de 100 iniciativas. Diante de um cenário como este, diversos questionamentos têm surgido: Que propostas de intervenção são estas? Quais conexões têm estabelecido com os desafios do ISP? Quem está sendo mobilizado nas articulações?

Para debater o tema, o Congresso GIFE promove, no dia 31 de março, o painel “Faces do coinvestimento: parceria entre investidores sociais. Estarão à frente da discussão Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS); Anna Penido, diretora do Inspirare; Beatriz Cardoso, diretora executiva do Laboratório de Educação; e Marcelo Furtado, diretor executivo do Instituto Arapyaú.

A proposta é refletir sobre as implicações das parcerias entre investidores sociais, tendo em vista que as práticas de coinvestimento assumem características e concepções diversas de acordo com o contexto em que estão situadas. O que tem se observado é que, seja pelo seu peso econômico e político ou pela influência de seus instituidores, os investidores sociais privados possuem alta capacidade de articular atores que contribuam com sua ação. Além disso, com frequência, respondem à leitura de que os desafios enfrentados são grandes demais e demandam uma ação coordenada, articulando instituições que atuam em um mesmo campo e que, juntas, podem ter mais força e alcançar melhores resultados.

“Há várias potencialidades em atuar a partir desta perspectiva, como ampliar o potencial de impacto, ter mais sinergia e articulação nas ações de mesmo foco. No entanto, estamos também diante de um desafio que é a concentração ao invés da diversidade do direcionamento dos recursos, principalmente se estiverem investindo nos próprios programas. O que pode ocorrer é que, potencialmente recursos que poderiam ser aplicados para o fortalecimento de organizações da sociedade civil, acabem circulando no próprio campo. Precisamos então discutir o quanto essas parcerias potencializam ou reduzem a capacidade de inovação do investimento social”, comenta Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE.

Fazer junto

Para a Anna Penido, diretora do Inspirare e uma das debatedoras do painel, os desafios atuais são tantos e complexos que nenhuma organização sozinha conseguirá resolvê-los com impacto significativo. “Ou você junta esforços ou sempre vai ficar fazendo algo pontual. Se você quer de fato fazer a diferença e alcançar escala não dá para ser sozinho. A parceria é um valor fundamental”, destaca, ressaltando que este trata-se de um dos pilares da forma de atuação do Inspirare.

Todas as iniciativas da organização são realizadas em conjunto com diversos segmentos, como outros investidores sociais, governos, organizações não governamentais, escolas etc. “Para nós, o coinvestimento acontece em várias frentes e com os mais variados parceiros. A nossa proposta nunca é sobrepor ações, mas buscar complementaridade”, destaca.

Em sua opinião, é importante que os recursos não circulem apenas entre os investidores, a fim de não fragilizar as organizações que dependem destes investimentos e que são essenciais que continuem operando no campo. Para a especialista, é também de responsabilidade do ISP o fortalecimento da sociedade civil como todo.

“É necessário termos esse olhar de que é no diálogo entre os diferentes que teremos o  balizamento para a tomada de decisão. Quando somos capazes de juntar numa mesma mesa organizações de base, outras de viés empresarial ou familiar e o poder público, aumenta a chance de termos mais dificuldades de governança, pois são lógicas e interesses diferentes, mas, com certeza, o resultado será muito mais relevante e consistente. Ao superarmos as agendas individuais e construir de fato um processo de governança coletiva, de co-construção e de participação, é um enriquecimento sem igual”, pontua.

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