Investidores sociais criam grupo para discutir o contexto da filantropia na América Latina

Um novo e importante passo para o fortalecimento da filantropia e do investimento social na América Latina e no Caribe foi dado. A partir de agora, diversas organizações que atuam para a promoção da infraestrutura do setor na região passam a atuar em conjunto, com a criação de um Grupo de Afinidades Latinoamericano.

O grupo se reuniu durante o Encontro Regional para a América Latina e Caribe promovido pela primeira vez localmente pela WINGs (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support), na Colômbia, de 30 de agosto a 1 de setembro. O GIFE esteve presente e faz parte desta nova iniciativa.

A proposta deste espaço é permitir que as organizações possam trocar informações, aprofundar laços e espaços de cooperação e pensar em estratégias de atuação conjunta, criando uma agenda temática para a região.

José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, ressalta a relevância desta nova iniciativa, frente às questões e agendas muito similares presentes localmente, principalmente neste momento em que se faz necessário aprofundar e qualificar o investimento social privado (ISP), e de discutir qual o seu lugar na sociedade e na esfera pública.

Zacchi lembra que a partir da década de 80, com os processos de transição democrática na América Latina, foram criados ambientes de fortalecimento da sociedade civil, de chamado a um engajamento de participação do setor privado, e de aprofundamento de cultura cidadã, com aporte de recursos e esforços para os bens públicos.

“Hoje, porém, as instituições que estiveram à frente destas dinâmicas têm desafios muito grandes. Um dos centrais é a pauta de sustentabilidade econômica, a fim de consolidar um ambiente que traga condições para a sustentabilidade e atuação com autonomia e independência das organizações, com a diversificação de destinação de recursos, seja na forma de doações e parcerias, atuando mais em conjunto – instituições empresarias, fundações familiares, organizações independentes etc -, a fim de criar um ambiente mais rico e interconectado de ações e com potencial de impacto e maior.  Além disso, existe o desafio de engajamento com temas diversos e muito comuns: de superação de desigualdades, de discriminação histórica de grupos, de uma relação qualificada com o ambiente socioambiental”, comenta.

Segundo o secretário-geral do GIFE, a expectativa é que, com o Grupo de Afinidades, seja possível intercambiar respostas e práticas para enfrentar cada um destes desafios, que são deste momento, e dar continuidade às conquistas já realizadas localmente. “Temos agora uma pauta de trabalho muito clara e positiva de compartilhar o que temos feito no Brasil e nos inspirar com o que tem sido feito em outras nações. Agora, vamos trabalhar para que esse grupo possa funcionar no cotidiano”, ressalta o secretário-geral do GIFE.

Durante o encontro, os participantes tiveram a oportunidade de discutir as características, particularidades e tendências da região e apresentar experiências locais, como a RedEAmérica – que conta com vários associados GIFE participantes –, por exemplo, e os Encuentros Iberoamericanos de la Sociedad Civil.

Maria Carolina Suárez, da AFE (Associação de Fundações Empresariais), da Colômbia, acredita que promover momentos como este são fundamentais para estabelecer uma convergência de distintas iniciativas e ver as conexões possíveis de serem estabelecidas pelas práticas. “De alguma maneira, as ações se complementam e sentimos um valor agregado muito alto”, ressalta.

Outro ponto de destaque do encontro foi a discussão sobre como criar ambientes mais propícios para a filantropia e a sociedade civil prosperarem na região. Rosa Inés Ospina, da organização Transparência por Colômbia, acredita que, para que isso esse ambiente favorável se efetive, é preciso pensar em dois aspectos centrais e concomitantes: a criação de regulação e marco de políticas sobre a dinâmica dos governos frente às organizações, assim como esforços de autorregulação do setor, de fortalecimento da confiança, da informação, da transparência e da prestação de contas.

“Outro ponto importante é buscar alternativas de trabalho na região conjunta, para termos uma força crítica, diversas vozes de distintos países, que ajude a enfrentar os desafios latinoamericanos”, pondera.

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