Núcleo da Fundação Dom Cabral lança chamada sobre adoção de tecnologias inovadoras para impacto social

 

Pensando em selecionar e reconhecer negócios inovadores e disruptivos que usem a tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas, a Fundação Dom Cabral (FDC) lançou a 1ª Chamada Leapfrogging. O conceito em inglês foi criado para designar saltos rápidos no desenvolvimento econômico a partir de inovações tecnológicas. No caso do edital, os negócios serão avaliados pela melhoria de contextos não só econômicos, mas sociais e ambientais.

Fabian Salum, idealizador da chamada, é professor de estratégia e inovação e fundador da Practical Community in Business Model (PCBM), comunidade do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da FDC que reúne executivos, empresários e acadêmicos que querem entender, construir e compartilhar conhecimento prático sobre estratégia e modelos de negócios.

Segundo Fabian, o termo leapfrogging designa um salto na adoção de tecnologias mais modernas em situações onde são identificadas ausência de infraestrutura. Nesses casos, o uso da tecnologia destina-se à superação do desafio colocado.

“É um fenômeno que caracteriza a aplicação prática de tecnologias entre as mais atuais sem ter que percorrer estágios anteriores, como se em vez de ter que percorrer o estágio um, dois, três e assim por diante, já passássemos direto para o cinco. Esse ato de saltar e adotar a tecnologia mais madura disponível na resolução de uma necessidade é realizado por pessoas que enxergam os dois lados: a carência de infraestrutura ou de recursos em um contexto social e a tecnologia que pode suprir isso.”

Sob essa lógica, o edital irá selecionar iniciativas brasileiras que fazem uso dessa estratégia de identificar desafios e superá-los com a adoção de uma tecnologia inovadora. O professor explica que, em uma varredura acadêmica para verificar o que há em termos de material publicado sobre o assunto no Brasil, sua equipe descobriu que o termo correto quando se trata de saltos com o objetivo de solucionar um problema e ter um impacto social é technology leapfrogging.

“A chamada técnica busca empreendedores que já tenham um protótipo, MVP [da sigla em inglês Mínimo Produto Viável] ou início de atividades. Vamos fazer curadoria para selecionar essas instituições e lá na frente ter evidências de casos que são a materialização de soluções que falem com educação, agricultura, energia e água, telecomunicações, prática de governo anticorrupção, fintech e vários outros campos”, afirma o professor.  

Uma das motivações para a realização da chamada é, segundo Fabian, fazer um levantamento inédito no Brasil e, com os dados primários obtidos, realizar um estudo em parceria com a Escola de Negócios INSEAD sobre a prática de technology leapfrogging.

Seleção e inscrições

Podem participar da seleção equipes de empreendedores com no mínimo 18 anos que tenham um negócio de impacto que apresente uma solução que gere receita a um problema socioambiental nas áreas: cidadania, cidades (habitação/mobilidade), educação, saúde, serviços financeiros e tecnologias verdes.  

“Queremos produtos que já saíram da fase de ideação. Se você tem algo a partir do MVP em diante, uma proposta que funcione, mesmo em escala pequena, pode participar, seja uma startup ou uma grande empresa. A chamada com a Pipe Social tem como objetivo produzir um conteúdo de referência inédito no Brasil e no mundo sobre práticas que já estão sendo feitas e trazendo algum resultado, não importa a escala, cidade ou estado. O importante é ter dados mensuráveis desse impacto alcançado a partir da junção entre o olhar para as necessidades e possibilidades tecnológicas mais adequadas”, explica Fabian.

Na primeira etapa de avaliação, serão escolhidos oito negócios finalistas de acordo com a maturidade do projeto, seu potencial de impacto socioambiental, o nível de inovação e disrupção e sua viabilidade financeira. O grupo irá participar de uma rodada de entrevistas com pesquisadores da PCBM/FDC. A depender do desempenho de cada um, sua solução poderá figurar como case de leapfrogging no Brasil e integrar publicações e apresentações em programas de educação executiva, proporcionando visibilidade à proposta.  

Já na fase final de seleção, representantes dos oito negócios serão entrevistados pela equipe da Pipe.Social e, posteriormente, por pesquisadores da PCBM. Dos oito, três serão selecionados para integrar a PCBM durante um ano – entre agosto de 2019 e julho de 2020 -, além de receber mentorias.

A participação na PCBM tem como objetivo proporcionar aos empreendedores a convivência com outros atores e especialistas, de forma que possam trocar experiências e construir soluções conjuntas para seus negócios.

Os interessados em participar devem realizar as inscrições até 31 de março mediante preenchimento do formulário disponível no site da Pipe Social. Eventuais dúvidas devem ser esclarecidas no regulamento da chamada ou encaminhadas para o e-mail [email protected]

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