O papel das empresas para uma nova sociedade

Se conseguir transformar interesses em fins privados para fins também públicos, empresas podem ter um papel ativo na construção de uma nova sociedade.

Empresas são cada vez mais pressionadas por maior responsabilização em todo o ciclo de suas atividades e por uma atuação mais sustentável. Como o setor privado pode ter um papel ativo na construção de uma nova sociedade? E quais as características que empresas devem ter numa sociedade sustentável? Esse foi o mote do painel “Empresas para uma nova sociedade” na tarde de quinta-feira (20), segundo dia do Congresso GIFE.

Caio Magri, gerente executivo de políticas públicas do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, mediou as discussões da mesa e foi categórico: “O desafio do setor privado é transformar seus interesses e fins privados em interesses para fins também públicos”.

Fundadora do Sistema B – que reúne companhias dispostas a usar a força de seus negócios para resolver problemas sociais e ambientais da atualidade –, Maria Emília Correa sugere um novo modelo empresarial. “As empresas são atores com capacidade de ação extraordinária e que por isso não devem agir de forma neutra, mas usar o potencial dessas capacidades a serviço de questões sociais e ambientais”, destaca. É exatamente isso que Empresas B fazem. Essas instituições ampliam o mandato de ação de seus acionistas que, além do lucro, também têm a liberdade de realizar ações positivas, que permitam construir o bem-estar público.

A diretora de Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, Sônia Favaretto, abriu sua fala destacando que “a noção de um novo lucro é justamente o resultado de uma sociedade que está em plena transformação”. Segundo ela, três caminhos levam a mudança de propósito de uma empresa em direção às causas sociais: o amor, a dor e a inteligência. O primeiro diz respeito a ideais sociais que gestores apoiam ou acreditam; o segundo diz respeito às eventuais perdas financeiras que as empresas sofrem e que em prol da preservação de seu capital as levam a buscar transformações. Já a terceira está relacionada à inteligência em investir em inovação e em diferenciais ao nome da empresa.

Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese, defendeu a necessidade de estabelecimento de mecanismos mais democráticos nas regulações do trabalho. Segundo ele, esse é o primeiro passo para se produzir efetivas transformações nas empresas tendo em vista que estas últimas são responsáveis econômica e socialmente pelo modo de existência de nossa sociedade. “A democracia deve ser experimentada pelos trabalhadores”, complementa. “É improvável empresas quererem produzir bens públicos se elas mesmas não são democráticas internamente”, destaca.

Confira o que aconteceu no 8º Congresso GIFE: http://congressogife.org.br/2014/

“Kelly Komatsu Agopyan, da Envolverde – Especial para o GIFE

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