Organizações da sociedade civil se pronunciam sobre o crime brutal contra Bruno e Dom

Após 11 dias de busca, conforme informações da Polícia Federal, duas pessoas confessaram o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Organizações da sociedade civil (OSCs), institutos e fundações manifestaram-se publicamente sobre o tema. 

“O brutal assassinato do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari expõe de forma dramática uma realidade que contamina toda a Amazônia: o avanço do crime organizado. Isso ocorre em maior ou menor grau nos diferentes territórios da região, tanto no Brasil quanto nos demais países”, escreveu em suas redes sociais Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e membro do Conselho de Governança do GIFE. “É necessária uma consciência de que o problema é estrutural.” 

A FAS destacou ainda: “infelizmente, esse trágico episódio reflete uma realidade dramática, que resulta em dezenas de mortes de lideranças de povos indígenas, populações tradicionais e ambientalistas, a maior parte delas que termina no anonimato e na impunidade. É urgente uma mudança profunda na gestão pública na Amazônia, desde a narrativa até as ações práticas dos órgãos governamentais.”

Também em nota, o Instituto Clima e Sociedade (ICS) afirmou: “ter soberania é cuidar do seu povo e do seu território e parece que o Estado brasileiro está entregando a Amazônia para a milícia e criminosos. […] As denúncias dos crimes ambientais são totalmente ignoradas e têm como resposta ameaças, agressões e assassinatos em sequências nunca antes registradas na Região Amazônica.” 

Já a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) aprovou o pedido de medida cautelar de organizações da sociedade civil, entre elas a Abraji, Ajor, Instituto Vladmir Herzog, Artigo 19 e Washington Brazil Office, que demanda urgência na investigação ao Estado brasileiro. 

O Inesc, em parceria com a Indigenistas Associados (INA), lançou no último dia 14, um dossiê sobre a atuação da Funai contra a proteção indígena, sob o comando do presidente Bolsonaro.

O GIFE enquanto plataforma de fortalecimento da filantropia e do investimento social privado no Brasil, acredita que  uma sociedade civil organizada, autônoma, plural, atuante e fortalecida é fundamental para a construção de um país mais justo, democrático e sustentável. Por isso, se soma às manifestações das organizações da sociedade civil, em um apelo público por investigação, responsabilização dos autores do crime e adoção de medidas preventivas de enfrentamento às constantes violações de direitos contra ambientalistas, ativistas, indigenistas, jornalistas e, sobretudo, contra os povos indígenas e seus territórios. 

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