Organizações investem no esporte como mecanismo de inclusão e transformação social

Com a chegada dos grandes eventos esportivos, o Brasil esta vivendo um momento ímpar. Em meio ao debate sobre a importância de sediarmos uma Copa do Mundo, surge a questão: como encarar a prática esportiva não como um fim em si mesmo, mas como um espaço para promoção da inclusão social e exercício da cidadania?

Diversos investidores sociais, mesmo os que não têm o esporte como elemento do DNA de seu negócio, optaram claramente por direcionar recursos para programas e projetos na área esportiva. Os resultados mostram o potencial transformador dessa estratégia.

“Consideramos o esporte uma importante ferramenta para a inclusão e o desenvolvimento social, principalmente entre as camadas mais jovens da população. Pela experiência que temos com parceiros nessa área, verificamos que o esporte também contribui para a educação escolar, já que ajuda na construção de valores essenciais ao desenvolvimento de uma sociedade, como cidadania, respeito e cooperação”, explica Pedro Sirgado, diretor Executivo do Instituto EDP.

Para Pedro Sirgado, o momento histórico atual não poderia ser mais inspirador para investidores sociais. Acredito que devemos encarar a Copa não como um fim em si, mas como um meio para estimular ações mais estruturantes. Se olharmos bem, a Copa encerra um conjunto de atributos, em pequena escala, que são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Os jogadores terão de trabalhar como uma equipe em prol de um objetivo comum; os times terão de competir entre si de forma leal e respeitosa; os estádios não existem sozinhos – são necessários meios de transporte para se chegar a eles; o país deverá estar preparado para receber os torcedores, muitos deles estrangeiros. Enfim, temos um vasto leque de situações que nos poderia fazer olhar a Copa como um laboratório indutor do desenvolvimento.”

Em meio à organização da Copa do Mundo e a dois anos das Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, cabe a empresas, organizações da sociedade civil e governos pensar como a realização desses eventos pode deixar um legado em benefício do desenvolvimento do país. Para o diretor do Instituto EDP é preciso consolidar um ambiente de parcerias intersetoriais capaz de implementar novos projetos, em benefício da população.

“Trata-se de um enorme desafio. Devemos analisar o que foi a Copa e comparar com o que poderia ter sido se alguns fatores estivessem presentes. Como seria se a maioria das pessoas falasse inglês, se a segurança pública estivesse em outro nível, se tivéssemos cumprido os cronogramas e os orçamentos das obras, restando tanto dinheiro para outras iniciativas. Todos esses fatores estão claramente ao alcance do Brasil e dos brasileiros, que já mostraram todo seu potencial em inúmeras situações. Se cada indivíduo, cada empresa, cada ONG caminhar em uma direção, dificilmente se criarão bases colaborativas para um efetivo desenvolvimento social.”

Projetos esportivos em alta

Institutos, empresas e fundações aproveitam a onda de interesse pela Copa do Mundo para lançar novas iniciativas ou reforçar investimentos que já fazem parte de seu modelo de atuação. O investimento na linha do esporte tem ganhado força e boas oportunidades podem ser observadas no setor.

O programa Petrobras Esporte & Cidadania está com uma seleção pública aberta para apoiar projetos esportivos com objetivos educacionais. A proposta é democratizar o acesso de organizações sociais aos investimentos que promovam a inclusão social por meio de atividades esportivas para crianças e adolescentes, alinhados aos princípios de inclusão, construção coletiva, educação integral, diversidade e autonomia.

Na Seleção Pública de Projetos Esportivos Educacionais 2014 serão investidos R$ 45 milhões, no período de dois anos, em projetos de esporte educacional. As propostas devem contemplar ações que tratem temas transversais, como gênero, igualdade racial, pessoas com deficiências e pescadores e outros povos e comunidades tradicionais. As inscrições podem ser feitas no site do programa.

Outra organização que atua fortemente na linha do esporte é o Instituto Ayrton Senna. Por meio do programa Educação pelo Esporte, crianças e adolescentes têm acesso a práticas esportivas aliadas a atividades artísticas, pedagógicas e de qualidade de vida. A proposta é trabalhar o esporte como uma abordagem interdisciplinar, estimulando a convivência e o trabalho de equipe, a consciência corporal e o fortalecimento da autoestima e do rendimento escolar.

A iniciativa acontece nos campos de universidades parceiras e atende crianças e adolescentes, moradores de comunidades de baixa renda. Além de praticar esportes, os participantes são estimulados a desenvolver o gosto pela leitura e pela escrita, aprendem a cuidar do corpo e da alimentação. O programa é coordenado por um professor de educação física e apoiado por educadores de outras disciplinas e estagiários.

O Educação pelo Esporte atende anualmente cerca de 300 crianças e jovens. Atualmente, a iniciativa está presente em quatro municípios, de quatro estados brasileiros: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Maranhão.

A Fundação CSN também marca presença no investimento esportivo. Em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, a organização mantém um complexo esportivo com oferta regular de atividades esportivas, culturais e sociais. Conhecido como Recreio, o local já completou mais de meio século – o espaço foi fundado em 1951.

O complexo é aberto para a comunidade e, numa área de 44 mil m², são realizadas atividades que tem o esporte como foco de inclusão social. Anualmente são beneficiadas cerca de 320 crianças e adolescentes oriundos da Rede Pública de Ensino e em situação de vulnerabilidade social.

A Fundação CSN e o Instituto Ayrton Senna são associados GIFE

Foto: Fábio Corrêa

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