Pandemia tem impactos sobre trabalho, educação, saúde emocional e perspectivas de futuro das juventudes, aponta estudo

Quais os impactos do coronavírus sobre a vida dos jovens brasileiros? Como a pandemia afetou seus hábitos? De que forma a crise provocada pela pandemia de Covid-19 influencia suas perspectivas para o futuro?

Entre os dias 15 e 31 de maio, mais de 33 mil jovens entre 15 e 29 anos de todo o Brasil responderam a essas e outras perguntas por meio de um questionário disponibilizado pela internet. O resultado do levantamento está reunido no relatório Juventudes e a Pandemia do Coronavírus.

Promovido pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) em parceria com Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial, o estudo é fruto do esforço compartilhado entre diversas redes e instituições que atuam com juventudes em todo o país.

A partir dessa base de dados e evidências, a iniciativa tem como horizonte influenciar a ação de tomadores de decisão, das esferas pública e privada, para a construção de caminhos voltados às juventudes brasileiras frente ao atual cenário de crise.

Metodologia 

A metodologia utilizada foi a PerguntAção, desenvolvida pela Rede Conhecimento Social, que envolve o público-alvo em todas as etapas da pesquisa. No final de abril, 18 jovens de diferentes realidades e origens foram mobilizados para colaborar com a iniciativa. Eles se reuniram virtualmente para ajudar a construir o questionário, apoiaram a divulgação do estudo a outros jovens e, posteriormente, realizaram um novo encontro para analisar os resultados.

Um trabalho de monitoramento diário realizado ao longo da coleta dos dados influenciou a mobilização das respostas a fim de garantir diversidade geográfica, de faixa etária, gênero e cor/raça entre os respondentes.

Posteriormente, também foi realizado um trabalho de ponderação dos dados para evitar distorções em relação ao grupo que participou da pesquisa e a distribuição de jovens brasileiros de 15 a 29 anos em todos os estados brasileiros, tendo como referência a Pnad Contínua 2019 (IBGE). Ainda assim, o estudo obteve um percentual mais elevado de jovens do sexo feminino, como também de jovens que estão estudando e trabalhando.

Educação

O estudo revela uma conexão direta ou indireta dos respondentes com instituições que atuam no tema de juventudes, além de um perfil conectado e engajado.

A maior parte dos jovens que responderam ao questionário cursa o Ensino Médio ou o Ensino Superior. Oito em cada dez realizam algum tipo de atividade de ensino remoto. Ainda assim, estudar em casa foi revelado como um dos maiores desafios. Entre os principais fatores, foram citados equilíbrio emocional e capacidade de organização.

Em relação à perspectiva de envolvimento das instituições escolares na resolução dessas demandas, seis em cada dez jovens  consideram que as instituições de ensino devem priorizar atividades para lidar com as emoções e cinco em cada dez querem aprender estratégias de gestão de tempo e organização.

O estudo aponta um risco grande de evasão escolar: 28% dos que responderam ao questionário pensam em não voltar para a escola quando a pandemia acabar. Entre os que planejam realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 49% já pensaram em desistir.

Trabalho e renda

Outra área da vida dos jovens e de suas famílias que tem sofrido com os efeitos da pandemia é o trabalho e a renda. Seis em cada dez jovens revelam ter tido alteração em sua carga de trabalho desde o início da pandemia (aumento ou diminuição, parada temporária das atividades ou demissão).

Quatro em cada dez indicam ter diminuído ou perdido sua renda e cinco em cada dez mencionam que suas famílias também sofreram essa redução. Frente a esse cenário, 33% dos participantes relatam ter buscado alguma maneira para complementar a renda individual ou familiar.

Saúde mental e futuro

O estudo também destaca uma preocupação grande dos jovens com a saúde emocional. Sete em cada dez participantes disseram que seu estado emocional piorou por causa da pandemia. Entre os sentimentos mais citados estão ansiedade, tédio e impaciência.

Embora 34% dos jovens respondentes se mostrem pessimistas em relação ao futuro e 72% acreditem que a pandemia vai piorar a economia do Brasil, também tiveram espaço perspectivas positivas em relação à maneira como a sociedade vai se organizar a partir da crise.

Metade dos respondentes acredita que os modos de trabalho irão melhorar e que novas oportunidades podem surgir para quem mora afastado dos grandes centros urbanos, em razão do aumento do modo remoto de trabalho. Na mesma linha, 48% dos respondentes acredita que as ferramentas remotas darão origem a formas mais dinâmicas e acessíveis de estudo que as atuais.

Valorização da ciência, dos educadores e da solidariedade nas relações são alguns dos resultados positivos vislumbrados pelos jovens no período pós-pandemia.

“A juventude brasileira não conta com políticas públicas que considerem as especificidades desse público e nem a heterogeneidade que o compõe: brancos e negros, pobres e ricos, etc. O investimento social privado é fundamental para possibilitar a prototipagem e a testagem de soluções baseadas em evidências que atendam a essas lacunas. É nesse contexto que a pesquisa foi realizada. Países que investiram em suas juventudes conseguiram alavancar suas economias. Existem, hoje, no Brasil, 50 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. É um contingente enorme de capacidades de produção, inovação e transformação que estamos deixando de aproveitar para o desenvolvimento do país”, observa Mariana Resegue, secretária-executiva do Em Movimento e uma das coordenadoras da Rede Temática de Juventude do GIFE.

A pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus pode ser acessada na íntegra no site da iniciativa.

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